Café – Um hábito bom ou mau?

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Maomé apareceu, em sonhos, a uns pastores e disse-lhes que, se eles fervessem as sementes do cafezeiro em água, ficariam até mais tarde acordados e teriam mais tempo para rezar.

Honoré de Balzac, um dos grandes escritores franceses, quando tinha pela frente períodos intensos de trabalho, chegava a beber mais de 40 cafés por dia.

Tal como ele, o primeiro gesto de muitas pessoas antes de irem para o trabalho é, precisamente, o de beberem um cafézinho. Este é um ritual matinal de que não se abdica e que vai sendo repetido, mais ou menos vezes, ao longo do dia.

É certo que o café nos acorda. Na sua composição encontramos uma substância natural – a cafeína – que estimula o cérebro, os centros respiratórios, os rins e a circulação.

Mas o excesso desta substância pode provocar intoxicações e outros problemas de saúde.

Taquicardia, subidas pontuais do ritmo cardíaco, distúrbios no sono e aumento da probabilidade de osteoperose são alguns dos riscos apontados pelos especialistas.

Estudos referem que o excesso de café pode conduzir à infertilidade nas mulheres, reduzindo em cerca de 30% a probabilidade de engravidar, e ao nascimento de bebés prematuros.

Mas tomar 2 a 3 chávenas de café por dia não faz mal a ninguém. Antes pelo contrário…

O café funciona como antidepressivo, aumenta a pressão sanguínea, diminui os riscos de cancro no cólon em cerca de 24%, ajuda à concentração em actividades mais exigentes e não aumenta o risco de enfarte.

O segredo é mesmo a moderação e o melhor não é cortar de vez com o café mas, simplesmente, reduzir a sua quantidade.

Mas como o hábito também faz o monge , a ressaca tem os seus inconvenientes – dores de cabeça e caimbras são alguns dos sintomas. A redução deve, então, ser progressiva ou, então, deve-se optar por produtos como os descafeínados.

Mas este não é um hábito dos nossos dias. Há muito que o café é conhecido.

A planta do café é originária da África Equatorial e foi primeiro utilizada pelos árabes como produto medicinal. Só no século XV é que o café, enquanto bebida, se espalha pelo Médio Oriente, conquistando a Europa um pouco mais tarde no século XVII. Hoje é, praticamente, uma bebida universal…

Um clima quente e húmido e uma altitude elevada é o que o cafezeiro precisa para se desenvolver. E é, precisamente, entre o Trópico de Câncer e o Trópico de Capricórnio que estas condições melhor se reúnem. Brasil, Colômbia, México, Etiópia estão, assim, entre os maiores produtores de café.

Por outro lado, os maiores consumidores desta bebida são países muito mais frios que os anteriores: Finlândia, Países Baixos, Noruega, Dinamarca e Suécia.

Existem vários tipos de café mas a sua produção é dominada por 2 variedades principais:

  • a Robusta (de países da Ásia e África) que produz uma bebida forte, de sabor mais amargo e menos delicado
  • a Arábica (da América Latina principalmente), mais perfumada e frágil, com menor teor de cafeína e que representa 75% da produção mundial

Em Portugal o café robusta conhece maior número de adeptos, sendo bebido em forma de expresso, enquanto em Itália é o arábica que ganha vantagem.

Num supermercado temos uma grande variedade à nossa disposição. Mais baratos porque produzidos em quantidades industriais, são, no entanto, de menor qualidade. E um bom café, é sempre um bom café…

Por toda a Europa podemos, hoje, encontrar lojas especializadas onde se pode comprar café de valor superior ao que se encontra nas prateleiras dos supermercados.

O solo, a altitude, o microclima e os cuidados na colheita são tudo factores que influenciam a qualidade de um café.

Depois de seleccionados, os grãos secam durante 8 meses ao fim dos quais são torrados, moídos e lotados. A torrefacção é uma das fases mais importantes já que o café adquire, neste momento, o seu gosto, a cor e a suavidade. Assim, quanto mais torrado estiver o café, menor será a sua taxa de acidez e menos variado será o seu aroma. Além disso, quanto mais próxima estiver a data da torrefacção, mais aromático será o café.

Também podemos escolher um café tendo em conta a forma como ele se apresenta: de mistura, instantâneo (com ou sem cafeína), descafeínado ou cappuccino são tudo opções.

O importante é manter a mente aberta a novas experiências e, porque não, aventurar-se um pouco neste mundo de sabores. Sabia que há cafés que são melhor apreciados a determinadas horas do dia?

Se saber escolher o melhor café é fundamental, saber prepará-lo também o é. Todos os cuidados são poucos e existem regras de ouro que devem ser cumpridas:

  • Use, de preferência, café moído de fresco (a moagem depende do tipo de máquina que vai usar)
  • Deve usar água mineral ou sem calcário e nunca deixando ferver pois os aromas podem ser destruídos – a temperatura ideal situa-se entre os 92º e os 96ºC
  • Use uma proporção certa de café (1 colher de sopa para cada chávena) e água
  • Certifique-se de que o equipamento (atenção aos filtros) está irrepreensivelmente limpo já que o café deixa restos de óleo desagradáveis ao paladar – bicarbonato de sódio, detergente e água quente são o melhor remédio
  • Nunca volte a aquecer o café depois de preparado
  • Lembre-se, ainda, de guardar o café num lugar fresco e seco, dentro de um recipiente hermeticamente fechado, e de comprar, de cada vez, pequenas quantidades.

Depois, é só servir mal esteja pronto. E não tenha pressa… Substitua a colher por um pau de canela e desfrute, calmamente, todos os seus aromas…

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