Jovens e os seus pecados nutricionais

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Os jovens e a alimentação
Os jovens e a alimentação

A maioria dos jovens e adolescentes portugueses segue um bom regime alimentar. Mas ainda existem alguns desequilíbrios nutricionais.

Contrariamente ao que normalmente se diz, estes desequilíbrios não provêm de um generalizado e excessivo consumo de fast food (hamburgers e pizzas), mas deve-se, essencialmente, a uma ingestão insuficiente de lacticínios, de fruta e legumes e a um excesso de carne, em detrimento do peixe.

A regra de ouro para garantir uma alimentação equilibrada é comer de forma variada e moderada. A alimentação dos jovens deve ser repartida por várias refeições ao longo do dia (cinco ou seis), de forma a que o intervalo entre elas não exceda as três ou as três horas e meia. No entanto, não é isso que se verifica no caso de muitos jovens. 20% dos rapazes e 30% das raparigas confessam não tomar o pequeno-almoço diariamente; uma percentagem menor de rapazes e raparigas referem não almoçar ou não jantar todos os dias e mais de metade dos jovens inquiridos nem sempre tomam algo entre as refeições (merenda, lanche ou ceia).

O facto de muitos jovens “saltarem” refeições é preocupante, pois estar muitas horas sem comer pode levar a problemas como a hipoglicémia (falta de açúcar no sangue), que se manifesta por cansaço, dores de cabeça, enjoos, etc., podendo este mal-estar prejudicar o aproveitamento escolar.

Esta tendência para “saltar” as refeições é sobretudo feminina e está, provavelmente, relacionada com a “mania das dietas“. Este tipo de preocupação não tem qualquer razão de ser, visto que a maioria das raparigas que participaram no inquérito apresentavam o peso normal. A preocupação excessiva com a linha pode trazer desequilíbrios alimentares e prejudicar o crescimento normal, pelo que não se deve fazer uma dieta sem, primeiro, ir ao médico (médico de família ou nutricionista).

Além de quando, é importante saber o que comem os jovens portugueses e em que quantidades:

Só um quarto dos jovens ingere leite em quantidades suficientes. Um jovem em fase de crescimento deve ingerir entre 1200 e 1500 miligramas de cálcio por dia, o que corresponde a cerca de um litro de leite (quatro copos).

O mínimo seria que os jovens ingerissem, pelo menos, dois copos de leite por dia, além de outros lacticínios (por exemplo, queijo e iogurtes). Ainda a propósito de leite, o leite gordo é o mais indicado para esta faixa etária (inclui mais vitaminas, gordura de boa qualidade e mais calorias), mas a larga maioria opta por consumir leite meio-gordo;

Mais de metade dos jovens come carne e seus derivados (fiambre, chouriço, etc.) em excesso; felizmente, muitos também têm o bom hábito de comer peixe, pelo menos, três vezes por semana, tal como é recomendado pelos nutricionistas;

Se, por um lado, a maioria dos jovens diz ingerir fruta em quantidade suficiente (75% come mais de cinco peças de fruta por semana), o mesmo já não se pode dizer em relação aos vegetais (legumes cozidos ou saladas): apenas 42% dos jovens referem comer vegetais mais de cinco vezes por semana. Esta “aversão” aos vegetais parece mais acentuada nos rapazes e nos jovens com menos de 15 anos. É preciso incentivar o consumo destes alimentos: para compensar estas lacunas, pode-se, eventualmente, comer umas boas sopas de legumes e beber sumos de fruta natural;

Felizmente, conforme o bom exemplo da pirâmide alimentar mediterrânea, a adesão à massa e ao arroz é grande: quase 70% dos jovens portugueses comem estes alimentos mais de quatro vezes por semana. A massa, o arroz, o pão e outros cereais, bem como a batata, devem ser incluídos diariamente na nossa ementa, devido ao seu elevado teor em fibras (sobretudo os produtos integrais) e hidratos de carbono de absorção lenta. Ao contrário da falsa ideia muito difundida entre as jovens, não são estes alimentos que fazem engordar, mas sim os molhos e o queijo ralado que, geralmente, os acompanham.

Modificar os hábitos alimentares de uma geração não é uma tarefa fácil. É preciso intervir a vários níveis, para que os jovens de hoje possam criar saudáveis hábitos de vida e os transmitam, por sua vez, às futuras gerações. Nas escolas, onde os adolescentes passam a maior parte do tempo, é preciso dar mais importância à alimentação; em casa, deve incluir-se menos carne e mais peixe e vegetais na ementa da semana; e as entidades públicas (Ministério da Saúde) deveriam promover campanhas sobre alimentação, sobretudo destinadas aos mais jovens.

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