Dieta vegetariana: um estilo de vida

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Algas, soja, tofu, levedura de cerveja, seitan e tahini… Já ouviu falar? Desconhecidos de grande parte da população, estes alimentos fazem parte da dieta vegetariana. Este é, aliás, um movimento que tem ganho cada vez mais adeptos nos últimos  30 anos.

Passadas e recentes polémicas das vacas loucas e das dioxinas nas aves, bem como o problema dos direitos dos animais, têm levado as pessoas a pôr em questão a qualidade da carne que comemos e a experimentar este tipo de regime alimentar.

Mas nem todos os vegetarianos se alimentam única e exclusivamente de produtos de origem vegetal.

Podemos distinguir 3 graus de vegetarianismo:

  • os semi-vegetarianos, que se alimentam de carne de aves, peixe, produtos lácteos e mel;
  • os lacto-ovo-vegetarianos, que não comem peixe e carne mas ingerem produtos lácteos, ovos e mel – se não consumirem ovos têm o nome de lacto-vegetarianos; se se absterem de produtos lácteos denominam-se de ovo-vegetarianos;
  • os vegetarianos, que excluem da sua alimentação a carne e todos os produtos de origem animal.

Dieta Vegetariana igual a uma vida mais saudável

Os seus seguidores defendem que a dieta vegetariana contribui para uma vida mais saudável. Será verdade?

Estudos revelam que a alimentação vegetariana ajuda a evitar problemas de obesidade, de prisão de ventre, de colesterol, doenças cardiovasculares e mesmo o cancro do recto e do cólon.

Mas nem tudo é um mar de rosas… Tal como em qualquer outro regime alimentar, uma alimentação equilibrada é indispensável de maneira a se evitarem carências e distúrbios alimentares.

Se a dieta vegetariana é rica, por exemplo, em vitamina C, em gorduras insaturadas, em fibras e em hidratos de carbono, o mesmo já não se pode dizer em relação às proteínas ou à vitamina B12, muito insuficiente nos alimentos de origem vegetal.

Conhecer os alimentos e a sua composição nutricional é, então, muito importante para os sabermos combinar e, assim, assegurar uma alimentação variada e saudável. E isto torna-se ainda mais importante quando falamos de crianças, de grávidas e de mulheres que amamentam.

Mas comer só verduras? Quem pensa que a alimentação dos vegetarianos é muito “aborrecida“, anda muito enganado. A dieta vegetariana é muito diversificada. Sopas, saladas, salsichas, hambúrgueres, tudo é possível com um pouco de imaginação.

Além dos tradicionais legumes e frutas frescas, dos ovos e dos produtos lácteos, um número elevado de alimentos estão à sua espera.

Os cereais, as sementes ou as leveduras, ricos em minerais e fibras, podem ser usados em saladas, sopas ou molhos. Importante fonte de proteínas, de açúcar e de minerais, as leguminosas (como as lentilhas) também têm inúmeras utilizações.

A soja e seus derivados (como o leite de soja) substituem bem a carne, pois possuem muitos dos aminoácidos essenciais.

Saladas e sobremesas ficam mais ricas com frutos secos e frutos secados, importantes fontes de calorias e gorduras insaturadas.

À disposição de qualquer um já se podem encontrar em muitas lojas produtos como o tofu, um derivado da soja que pode ser frito ou assado e utilizado em saladas ou hambúrgueres; o seitan; a manteiga de sésamo tostada (tahini) ou mesmo as algas. É só mesmo dar largas à sua imaginação…

Ser vegetariano ou não, eis a questão.

É, sem dúvida, uma opção de vida que tem as suas vantagens e as suas desvantagens. Por isso, se está a pensar seguir este tipo de regime alimentar lembre-se que a palavra-chave é equilíbrio: no saber combinar e variar os alimentos está o segredo do sucesso…

Vantagens da dieta vegetariana

Ao nível de vantagens, uma dieta baseada em alimentos de origem vegetal possui uma baixa densidade calórica, além de quantidade reduzida de gorduras totais, saturada e colesterol, o que pode favorecer a perda de peso, mas também manter níveis de gorduras sanguíneas baixos, prevenindo assim o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Com uma alimentação rica em frutas, legumes e verduras a quantidade de fibras, vitaminas e minerais fica dentro dos níveis recomendados. Com o alto consumo de fibras o bom funcionamento do intestino e a sensação de saciedade também são favorecidos.

Mas existem ainda algumas desvantagens que merecem alguma atenção. Ao restringir o consumo de alguns alimentos deixamos muitas vezes de ingerir nutrientes essenciais ao nosso organismo. Ao serem excluídos alimentos de origem animal, deixa-se de consumir nutrientes como vitamina B12, cálcio, ferro e zinco.

O cálcio

O cálcio é um mineral que participa da formação e manutenção de dentes e ossos, uma drástica restrição em seu consumo a longo prazo pode favorecer o desenvolvimento de osteoporose.

A vitamina B12

A vitamina B12 é um micronutriente encontrado exclusivamente em produtos de origem animal e ajuda na prevenção de anemia.

O ferro

O ferro é um componente fundamental dos glóbulos vermelhos, pois junto como a hemoglobina transporta o oxigénio na corrente sanguínea. As principais fontes desse nutriente são as carnes. Também é encontrado nas verduras verde escuro e leguminosas, no entanto, nestes casos o ferro não é 100% absorvido.

O zinco

O zinco, que também pode ser encontrado nas carnes, é fundamental para síntese de muitas enzimas.

Aliado a isto, nem todas as carteiras suportam uma vida vegetariana. Embora haja cada vez mais produtos vegetarianos, o elevado preço faz com que muitos deixem para trás esta ideia.

Para finalizar, mais importante de tudo é existir um acompanhamento por médicos e/ou nutricionistas, especialmente para quem é atleta, está a tentar engravidar ou para quem tem crianças em casa e quer adoptar este estilo de vida.

Quando decidir ser vegetariano ou iniciar qualquer outra dieta (Dieta Frugívora, Dieta Macrobiótica, Dieta da Longevidade, etc), procure saber bem quais os substitutos dos alimentos ditos normais. Não faltar nutrientes é muito importante, por isso certifique-se que a sua vida continua saudável.

 

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