As Mulheres e as Varizes

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As mulheres e as varizes
As mulheres e as varizes

Não há quem nunca tenha olhado com alguma preocupação para as pernas e procurado sinais das inestéticas varizes.

A questão é que estas não se limitam a um problema estético, mas são uma doença que pode originar situações de risco para a saúde.

Em Portugal mais de dois terços das mulheres entre os 20 e os 60 anos sofrem de varizes, enquanto que o número de homens com o mesmo problema não ultrapassa o terço da população. A nível mundial, as varizes atacam 1/3 da população do mundo civilizado.

As mulheres são mais sensiveis a este problema pelo tipo de profissões a que se dedicam, mas também porque as hormonas femininas têm um papel importante no assunto. Além disso, a pílula anticoncepcional é responsável pelo aparecimento de varizes e derrames e aumenta o risco de tromboflebites, embora as pílulas de 3ª geração atenuem esses efeitos.

As varizes fazem parte da patologia da insuficiência venosa, um problema de saúde pública com grande repercussão socio-económica, porque o seu agravamento leva inevitavelmente à ausência no trabalho, incapacidade e reforma antecipada. Não acredita? Saiba então que a insuficiência venosa determina mais dias de baixa de trabalhadores do que a gripe, a diabetes ou mesmo as doenças cardíacas, sendo que o período de internamento para tratamento pode mesmo chegar aos 12 meses.

As varizes são o resultado da perda de função das veias dos membros inferiores, levando a que o sangue não circule normalmente e se mantenha dentro da veia. Esta possui, na sua estrutura, válvulas que não permitem ao sangue voltar para trás no percurso que efectua até ao coração. As válvulas que permitiriam esse processo não abrem e acabam por ser destruídas.

Os grupos de maior risco são as pessoas que trabalham em ambientes quentes como cozinhas, cabeleireiros, aviões ou lavandarias ou que passam muitas horas de pé. Se pertence aos grupos de risco apresentados, tome atenção aos primeiros sintomas que se fazem sentir nesta situação e que se revelam normalmente ao fim do dia como sensação de peso nas pernas, edemas nos pés ou tornozelos, cãibras nocturnas e aparecimento de derrames. A somar a tudo isto temos a obesidade, a depilação com cera quente, os traumatismos e o uso de roupa demasiado apertada. O abuso do álcool e do tabaco é também um factor de risco para o aparecimento das varizes assim como o factor hereditário.

O tempo quente da Primavera e do Outono é também uma altura em que os sintomas dolorosos mais se sentem, agravando as queixas das doentes, redobrando as dores, a fadiga e a vasodilatação.

O tratamento deve ser iniciado precocemente e a escleroterapia é um dos tratamentos indicados e que se tem demonstrado eficaz para o tratamento das varizes que não necessitam de intervenção cirúrgica. É aplicado um medicamento que actua no vaso doente e o transforma em simples cordão fibroso que o próprio organismo trata de reabsorver.Quando não tratadas, as varizes evoluem para situações mais graves e penosas, como a úlcera da perna ou as flebites crónicas.

Ficam ainda aqui alguns conselhos pra que possa, se não eliminar os motivos que possam provocar varizes, pelo menos diminuir os efeitos nefastos. Assim, deve evitar as longas horas de pé, mas se tal não for possível, alterne com pequenos períodos de marcha ou ponha-se em bicos dos pés várias vezes. Deve evitar ficar muito tempo sentada, sobretudo em cadeiras com rebordo duro e não cruze as pernas, e aproveite para fazer movimentos debaixo da secretária.

O calor dilata as varizes, pelo que deve evitar os banhos muito quentes ou as longas exposições ao Sol, optando por caminhar ou nadar à beira-mar na zona de rebentação. No tempo quente, massaje as pernas com um duche frio durante dois minutos de baixo para cima. Neste, como em todo o tipo de doenças, a atenção aos sintomas e o tratamento precoce é a diferença para uma boa qualidade de vida.

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