Aspirina – Um sucesso com cem anos

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Mais vale prevenir do que remediar, lá diz o ditado…  Por isso, não há nada melhor do que ter, em casa, alguns medicamentos e acessórios (ligaduras, pensos, etc.) que lhe permita atacar situações inesperadas.

Dores de cabeça, uma picada de insecto ou mesmo um pequeno ferimento são achaques ligeiros que podem ser facilmente controlados, sem recorrer a um médico ou a um farmacêutico.

Claro que não lhe pedimos que guarde, em sua casa, medicamentos de toda a espécie e feitio… Por isso, sugerimos-lhe uma série de produtos que devem fazer parte de uma farmácia de base. Comecemos então…

Soro fisiológico.

Esta solução salina serve para limpar os olhos, bem como para aliviar alguma irritação ou um nariz mais entupido.

Adquira sempre frascos mais pequenos pois o seu tempo de conservação, depois de aberto, dura pouco mais de 24 horas. Para aplicação nasal, encontram-se nas farmácias frascos maiores. Quanto ao soro para os olhos, pode dirigir-se às ópticas.

Analgésicos e Antipiréticos

Para combater dores de dentes, de cabeça ou uma dor muscular, convém ter sempre à mão um medicamento que as combata – os chamados analgésicos.

Quanto aos antipiréticos, estes são indicados para combater as temperaturas mais altas. Lembre-se, no entanto, que se os sintomas persistirem por muito tempo (mais de 48 horas), é fundamental consultar um médico.

E como escolher?

Opte por produtos à base de paracetamol (Panadol, Paramolan, Tylenol, etc.), já que estes possuem menos contra-indicações e exigem menos precauções de utilização.

Passados 100 anos da sua invenção, a Aspirina continua a dar que falar. Na mesma altura em que se comemora o seu primeiro centenário, a Aspirina acaba de ser incluída na colecção de um dos museus mais importantes dos EUA – o Museu Nacional de História Americana de Washington.

Considerado, em 1996, um dos inventos do século pela revista americana News week, a Aspirina é hoje o medicamento mais conhecidos em todo o mundo. A sua história data, no entanto, de finais do século passado…

Tudo começou em 1897 quando um jovem químico da Bayer, Felix Hoffman, sintetizou pela primeira vez, de forma pura e estável, o ácido acetil salicílico. Dois anos mais tarde, o Professor Heinrich Dreser realizou os primeiros estudos farmacológicos, testando a sua eficácia terapêutica e a tolerabilidade do pó.

O seu trabalho permitiu concluir que este ácido exercia efeitos positivos sobre o reumatismo, proporcionando ainda um efeito analgésico nas cefaleias, dores de dentes e nevralgias.

Daí até à sua comercialização, foi tudo muito rápido… Em 1899, finalmente, a Aspirina é registada no Gabinete Imperial de Patentes de Berlim. E o seu nome de onde veio? Este resultou da junção entre o “A” de acetil e o ácido espírico, a designação inicial do ácido salicílico.

O sucesso não tardou a chegar…

No início do século XX, já muitos médicos de todo o mundo usavam e recomendavam este medicamento. Resultado?

Hoje, mais de 11 biliões de comprimidos são produzidos anualmente. Só nos EUA, por exemplo, 1.400 milhões de aspirinas são consumidas cada ano. Assim, não é de admirar, que a Aspirina seja o actual líder de mercado na Europa e na América Latina, ocupando o segundo lugar a nível mundial

Cem anos passaram e a Aspirina ainda parece ter muito para dar… Os seus efeitos benéficos, por exemplo, continuam a aumentar de dia para dia. Os estudos sobre as suas virtudes também não param. Depois de ser concebida para aliviar a dor e a febre, a Aspirina é hoje indicada para muitas maleitas, algumas delas muito graves. Vejamos alguns exemplos…

Combate mais eficaz à dor

A sua acção analgésica é bem conhecida por todos nós. Mas, além das tradicionais dores de dentes e de cabeça, este medicamento alivia a artrite reumatoide, a febre reumática e a artrose.

Tratamento da enxaqueca aguda

A revista científica Headache publicou, recentemente, um estudo que demonstra a acção benéfica da Aspirina no tratamento da enxaqueca aguda, uma doença que afecta 10% da população dos países ocidentais.

Mas há mais… Quando combinada com a metoclopramida, a sua acção parece-se intensificar. Além disso, tudo indica que esta é uma terapia bem tolerada pela maioria dos doentes.

Prevenção do ictus isquémico ou apoplexia

Segundo um estudo recente publicado na revista The Lancet, a administração deste fármaco, durante a fase aguda desta doença, reduz em cerca de 14% a mortalidade.

Este benefício da Aspirina já foi reconhecido, oficialmente, pela American Food and Drug Administration, o orgão mais competente na concessão de autorizações médicas Henry J.M.Barnett, um neurólogo canadiano, recomenda mesmo a administração diária de uma Aspirina, a partir dos 45 anos de idade, como forma de prevenir a apoplexia.

Redução da lesão neural secundária

A Aspirina parece ter, de acordo com estudos recentes, um efeito neuroprotector sobre as células do cérebro, reduzindo a lesão neural secundária, associada à falta de oxigénio nas células cerebrais.

Estes estudos indicam, ainda, que este fármaco é capaz de proteger da morte celular 83% das células. Redução do risco de um primeiro enfarte do miocárdio

A ingestão de uma Aspirina de 325 mg, em dias alternados, reduz em cerca de 56% a probabilidade de sofrer de um primeiro enfarte em pessoas que se encontram em risco. Esta é a conclusão de um estudo americano, o maior realizado até hoje, que também apresenta provas da eficácia deste fármaco no tratamento de infecções coronárias.

Prevenção de complicações durante gravidez

Um estudo levado a cabo pela Unidade de Ginecologia da Universidade de Viena, permitiu chegar à conclusão que as mulheres que tomam, preventivamente, ácido acetil salicílico, devido a uma gravidez de risco, têm menos possibilidades de sofrer complicações.

A Aspirina parece, assim, reduzir em 65% a mortalidade neo-natal, principalmente se a mãe iniciar o tratamento antes da 17ª semana de gestação.

Eficácia contra certos tipos de cancro

Um pouco por todo o mundo, estudos parecem indicar que o princípio activo da Aspirina (o ácido acetilsalicílico) reduz o risco de desenvolver alguns tipos de cancro, nomeadamente do cólon e do recto.

Como? Parece que este ácido reduz o estrago genético que leva a que as células se tornem cancerosas.

Convém, no entanto, lembrar que a Aspirina não é para todos. Apesar de, em geral, ser bem tolerada, existem efeitos secundários – por exemplo, problemas ao nível do estômago. Entretanto, outros estudos encontram-se a caminho. Veremos o que eles ainda nos têm para revelar…

Desde 1980 que a American Food and Drug Administration (FDA) não pára de aprovar novas prescrições para a Aspirina. Há cem anos atrás, o jovem Felix Hoffman pouca consciência tinha do futuro promissor da sua descoberta.

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