Sou gorda, e depois?

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Sou gorda, e depois?
Sou gorda, e depois?

Já passou o tempo em que se dizia que gordura é formosura, e por isso milhares de mulheres (e homens) continuam a sofrer em dietas loucas, depressões e afins para alcançarem o peso ideal. Mas será isso assim tão necessário?

Olhamos para o espelho e vemos sempre uma gordurinha a mais, por muito que nos apertemos ou tenhamos deixado de comer aquele bolo apetitoso. No entanto, o que parece não fazer sentido nos dias de hoje é que essas gordurinhas são essenciais ao corpo, especialmente ao feminino.

O mundo da moda tem vindo a aumentar o espaço dado ao corpo andógeno das modelos, o que afasta as possibilidades daquelas mais cheinhas ou até com as medidas certas no sentido de um corpo sensual e voluptuoso.

E muitos têm sido os mitos criados em torno da gordura e dos seus possuidores, alguns dos quais sem a menor verdade histórica ou científica. O maior mito de todos é que apenas é gordo quem o deseja ser. Quem não ouviu dizer coisas do género: ‘Falta-te a força de vontade para deixares de comer’ ou ‘Se quisesses, emagrecias num instante’. Isto é a mais pura mentira.

Sempre existiram e existirão pessoas gordas. A gordura não se limita ao facto de comer mais ou menos, mas sim devido a problemas hormonais, fisiológicos ou em último caso, psicológicos.

Outro aspecto é que quando alguém é gordo, a essa pessoa é imediatamente aplicado o rótulo de ‘deficiente’. Isto porque se tem em conta que uma pessoa gorda não tem capacidades físicas e que fica limitada pela gordura. Mais um aspecto em tudo falso. Muitos gordos são mais saudáveis e enérgicos que milhares de magros, praticando regularmente exercício e com mais resistência e nem por isso suam mais do que os magros.

E não é por ser gorda que terá mais problemas de coração ou de coluna.

Estes são dois problemas que afectam quase toda a população mundial e que derivam mais do estilo de vida sedentário que actualmente temos do que de problemas de excesso de alimentação.

A gordura está associada à protecção dos ossos e dos órgãos, ao sistema imunológico, à regulação de hormonas e mesmo à administração do sistema reprodutivo da mulher. É ainda a responsável pela produção de uma hormona bastante importante designada como leptina, cuja função é comunicar com o cérebro, levando informações a este sobre os níveis energéticos do corpo. Esta hormona é o toque de campainha para o corpo se aperceber que necessita de alimento ou que já está saciado.

Mas não se ficam por aqui as funções da leptina, que tem outro papel importante no combate às infecções, uma vez que pertence à família das moléculas citoquinas, reguladoras do sistema imunológico. Quando o corpo é infectado estas moléculas reagem invadindo o organismo e accionam as suas defesas, agindo sobre o apetite e levando o corpo a usar toda a sua energia no combate à infecção.

Fica provado que a gordura é um aspecto fundamental para o corpo, e tirando o facto de os fabricantes de roupa terem medo de fazerem números acima do 45, se não tiver problemas de saúde, o melhor mesmo é gozar a sua gordura e saber que será difícil alguém não se lembrar de si da próxima vez que se encontrarem.

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