Cobranças amorosas

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Se de início as coisas parecem ser um mar de rosas, um tempo depois começam a surgir pequenos problemas. As cobranças começam a ser o mote diário, e torna-se difícil que a relação sobreviva!

O início de um relacionamento é sempre sinónimo de perfeição. Não há discussões, tudo é maravilhoso, e a vossa história parece retirada do cinema.

Salvo algumas excepções, em que surgem logo problemas numa fase inicial, quer seja devido a personalidades demasiadamente fortes, quer seja por causa de outros factores externos, quase todos os relacionamentos brindam os primeiros tempos com uma aura de harmonia única.

Com o passar do tempo, as pessoas começam a tornar-se mais “elas”, isto é, começa-se a descobrir o lado negativo da personalidade do outro. Não desespere que isso é normal, mas é este género de situações, que quando não são contornadas devidamente, podem conduzir a alguns problemas.

Estas descobertas sobre o outro, que habitualmente se tratam de traços da personalidade menos desejáveis, podem conduzir a que surjam alguns problemas mais graves na relação, mas pode igualmente acontecer que ambos consigam moldar-se logo nessa fase de descoberta. Mesmo que ela seja muito possessiva, ou que ele se evidencie demasiadamente independente, a verdade é que tudo pode ser superado se ambos conversarem bastante, moldarem-se um pouco, e se os dois tiverem capacidades para lutarem pelo relacionamento, mesmo com algumas incompatibilidades de feitios.

Todavia, e além de feitios incompatíveis, um dos problemas que mais pode desgastar uma relação, tornando-a num verdadeiro campo de batalha, é estar sistematicamente a cobrar coisas. Cobra-se a boleia de há 2 dias, o jantar de ontem, os carinhos que se deram, o tempo que se esperou pelo outro, o facto de se ter afastado das amigas por causa da outra pessoa, e cobra-se, acima de tudo, ter-se isolado do mundo para viver só para a “cara metade”! Este tipo de comportamento é comum em muitas relações, mas o acto de cobrar pode até nem trazer problemas graves nos primeiros tempos embora conduza, certamente, ao desgaste algum tempo depois.

As cobranças amorosas podem ser fundamentadas em coisas normais, como nos factores mais estranhos e bizarros. Tudo começa a ser motivo para que sejam feitas cobranças, e se a outra pessoa possui uma certa dose de paciência nos primeiros tempos, a partir de uma determinada altura a cobrança torna-se num meio para fortes discussões, que podem ter um final infeliz. O problema aqui prende-se com o facto de um dos lados julgar que “dá” mais do que o outro, mas é importante que compreenda que numa relação este tipo de situações são prejudiciais. Não se está perante um acordo ou negócio, mas sim diante de uma relação amorosa que necessita ser alimentada a cada dia. Se você “dá” é porque a faz sentir bem a si e ao outro lado, e não porque espera que a outra pessoa faça mais e melhor do que você!

O egoísmo não funciona nestas alturas. Há que saber analisar se a relação vale a pena, se a outra pessoa é mesmo assim, ou se houve uma mudança. Pequenos sinais podem evidenciar que algo não está bem ou que, simplesmente, a pessoa sempre foi assim e que só agora você se apercebeu disso. Compreenda que existem algumas pessoas bem mais expressivas que outras, e que se você gosta de ser assim, e de estar sempre a surpreender o outro, não implica que ele tenha que ser igual. Ele, com certeza, saberá transmitir as coisas, ainda que à sua maneira.

No entanto, não estamos a dizer-lhe para ficar com uma pessoa egoísta, fria, calculista, que apenas pensa nela mesmo, mas sim a ponderar bem a situação antes de começar a cobrar o que quer que seja. Acima de tudo, não viva somente para essa pessoa, pois a vida tem muitas mais coisas importantes.

Dedicar-se somente a uma pessoa, sufocando-a e abdicando totalmente dos seus sonhos ou dos seus prazeres antigos, é um erro crasso que muitas pessoas cometem. E, se o outro lado, não for ao encontro das suas expectativas a desilusão será grande! Destas cobranças amorosas podem advir as discussões intermináveis, as pressões psicológicas, ou até mesmo o silêncio entre o casal dada a situação que se criou.

Faça uma análise de si, da outra pessoa, e de toda a relação, e descobrirá qual o real problema: se é você que exige demais ou se, de facto, a aparente indiferença do outro é que lhe causa essa insegurança.

Pondere bem a sua situação amorosa, e analise se essas cobranças amorosas têm um real motivo de ser! Quando você quiser “dar”, dê porque isso a faz sentir bem, e não porque espera necessariamente uma retribuição idêntica ou superior da outra parte. “Gostar de alguém” é “dar” sem pensar que o outro tem que retribuir da mesma forma. Dá-se porque se ama, e isso é a mais valia de toda a relação! Porém, pondere se essa sua dedicação vale realmente a pena!

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