O lacinho cor-de-rosa, Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama

1917
O lacinho cor-de-rosa
O lacinho cor-de-rosa

Anseios, devaneios, sonhos perdidos, sorrisos, felicidade nada depende da idade. Podemos ir sempre mais longe. Até onde vai o lacinho cor-de-rosa? Até onde se ouse. Até onde se tiver a coragem e a satisfação de sonhar e alcançar.

O lacinho cor-de-rosa

O dia 30 de Outubro é o Dia Nacional da Prevenção do Cancro da Mama. Para mim é de alguma forma especial pois também eu já tive essa doença. Este ano foi num stand de uma marca internacional de cosméticos – que desenvolve anualmente uma campanha de prevenção – que vi os lacinhos cor de rosa delicadamente colocados num recipiente redondo transparente.

Tive vontade de correr até ao balcão e congratular a menina por realizarem mais um ano de campanha e confessar-lhe a minha solidariedade. Mas refreei o meu ímpeto. Com um sorriso estampado na cara de orelha a orelha, dei meia volta e continuei à procura da caixa para pagar o estacionamento.

Apressei-me, o meu marido esperava-me e, este ano, eu ainda não escrevera sobre a prevenção do cancro da mama.

Só quem teve esta doença, ou outra que de alguma forma ameaçou a sua vida, pode compreender o turbilhão de emoções que nos invadem de rompante em momentos, como aquele, tornados especiais inexplicavelmente. É a alegria de estar viva, de fazer parte de um clã de sobreviventes e uma enorme vontade de o bradar aos céus e dizer: “Vê? Vê? Se eu consigo você também consegue!

Não desanime! Vá à luta e faça tudo o que sempre teve vontade de fazer! E para o ano também se deslumbrará com a sua alegria em estar viva e com tudo o que fez! Experimente, vale a pena!”

A leitora poderá estar a perguntar-se: “Mas se é assim tudo tão eufórico e tão simples, porquê tanta celeuma à volta do cancro da mama?”

Por uma razão muito simples: é que quando se detecta o cancro precocemente (ou seja cedo), a mulher tem entre 80% a 90% possibilidades de não morrer com esta doença. E isto é formidável! Mais ainda, como o processo está ainda no início, a mulher tem muito mais probabilidades de não ter que tirar o peito e de só precisar de tratamentos mais suaves. É sempre a somar pontos positivos!

E esta é razão pela qual parece que andamos todos à procura da agulha num palheiro! São os médicos, as mulheres, as diferentes associações que se dedicam a esta temática e todos os que colaboram para chamar a atenção para a importância do rastreio e da detecção precoce. Juntos ajudamos a salvar vidas! Por isso pense na sua e faça o seu auto-exame ou a sua a mamografia.

Uma advertência: nada de ansiedades desnecessárias pois só 12 em cada cem mulheres é que têm esta doença. Não vale pois ficar já a pensar que a tem.

Prefiro encarar a prevenção como se de uma vacina se tratasse – ou quase.

Poderá não nos impedir de ter a doença mas podemos tê-la de uma forma menos agressiva, e não mortal, e por isso vale a pena.

Na realidade só lá vão quatro anos – desde que a minha médica me tirou uma colherzinha, de sopa, de peito – mas a mim parece-me uma eternidade. Como a minha vida mudou desde então – e para melhor! Eu sou um bom exemplo, como o cancro me foi detectado precocemente pude conservar a minha maminha e não necessitei de fazer quimioterapia nem radioterapia, mas sim um tratamento mais suave.

Uma coisa aprendi – culparmos os outros, o destino ou a má sorte, a herança genética, ou aquele Deus que se esqueceu de nós é, realmente, o caminho errado. Quando culpamos outra pessoa, ou factor, estamos a dizer que ela é responsável e que nós somos meras vítimas dos seus desígnios. Ora isto coloca-nos numa posição de extrema fragilidade e remete-nos para a apatia, ou seja: “não posso fazer nada, não depende de mim”. Isso é a maior falsidade que eu já ouvi.

Será mais frutífero parar e vermos o que não está bem na nossa vida pois não só podemos ultrapassar as dificuldades como sairmos delas enriquecidas.

Claro que nem sempre é fácil mas será que alguém nasce com um atestado de felicidade?

“Depois da epopeia resolvi que devia partilhar o que tinha aprendido com outras mulheres a braços com a mesma situação. Comecei por escrever a minha glória e os meus feitos. Passei às lamechices misturadas com uns arrebiques.

Deambulei por paragens incertas e revelei aspectos tropo particulares.

Entrevistei colegas de batalha que deram o seu testemunho e estudei o assunto, o que por vezes me assustou muito.”

“Encham-se de coragem e partam em viagem. Aceitem o desafio, descubram-se e acordem de novo para a vida. Ela está lá para ser tomada e realizada.

Anseios, devaneios, sonhos perdidos, sorrisos, felicidade nada depende da idade. Podemos ir sempre mais longe. Até onde? Até onde se ouse. Até onde se tiver a coragem e a satisfação de sonhar e alcançar.”

(in “Elevação – Vencer a Morte” de Virgínia Costa Matos)

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