Natália Correia – a mátria portuguesa

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Natália Correia

Defensora dos direitos das mulheres, Natália Correia, foi uma das mulheres que mais ergueu a voz contra as injustiças do país, sempre com uma alma de poeta, e que ficou definida para sempre como uma grande figura das letras portuguesas.

Natália Correia

Para ela Portugal não era uma pátria, mas sim uma mátria, titulo de uma das suas obras poéticas editada em 1968. Defensora dos direitos das mulheres, foi uma das mulheres que mais ergueu a voz contra as injustiças do país, sempre com uma alma de poeta, e que ficou definida para sempre como uma grande figura das letras portuguesas.

Nasceu em São Miguel, Açores, era natural de Fajã de Baixo, mas completou os estudos secundários já em Lisboa. Mesmo sem estudos superiores, colaborou em diversos jornais e revistas, como escritora e poeta, ligada inicialmente ao surrealismo, mas acabou por se aproximar mais do romantismo e a inspiração recolhia-a de Antero de Quental.

De parte do seu trabalho como escritora, não ficou a política e em 1979 foi deputada da Assembleia da República na bancada do PRD, na qualidade de independente. Independência era, aliás, o seu ponto de honra. Com o seu temperamento anárquico, não se deixou ficar por um assento e tocou vários partidos após o 25 de Abril de 1974, do PS ao PSD.

Casada com o poeta Dórdio Guimarães, nunca quis ter filhos, por considerar que não conseguia alcançar o mesmo nível de carinho e de educação que a sua mãe lhe tinha proporcionado.

O seu primeiro trabalho literário foi “As grandes aventuras de um pequeno herói”, um romance infantil publicado em 1945. Na poesia, estreou-se com “Rio de Nuvens”, no mesmo ano.

A obra de Natália Correia estende-se por géneros variados, desde a poesia ao romance, teatro e ensaio.

Foi fundadora da Frente Nacional para a Defesa da Cultura e na política interveio ao nível da cultura e do património, na defesa dos direitos humanos e dos direitos da mulher. Ficou conhecida pela sua personalidade vigorosa e polémica, que se reflecte na sua escrita.

Foi sempre uma voz rebelde, inconformada e independente no panorama cultural português, para além de se assumir feminista. Apelou sempre à literatura como forma de intervenção na sociedade, tendo tido um papel activo na oposição ao Estado Novo. As tertúlias dos anos 50 e 60 tinham nela uma figura importante.

A morte de Natália Correia, em 1993, com 69 anos de idade, deixou um enorme vazio na cena cultural portuguesa.

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