Conheça melhor o compositor Olivier Messiaen

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Olivier Messiaen,
Olivier Messiaen,

Celebrando a memória da morte do compositor Olivier Messiaen, o pianista Michel Béroff faz renascer a obra, vinte olhares sobre Jesus no berço.

Olivier Messiaen

Vingt Regards sur l’Enfant Jésus foi apresentada publicamente pela primeira vez em Paris, na Salle Gaveau, em Março de 1945, por Yvonne Loriod, mulher do compositor, sendo reconhecida como uma das mais importantes obras da literatura pianística de todos os tempos.

O carismático compositor originário de Avignon desempenhou um papel particularmente importante na música do século XX, enquanto estudioso, criador, intérprete e pedagogo. A partir de 1931 as suas sessões de improvisação na Igreja da Trindade são particularmente frequentadas e durante quase quatro décadas desempenha funções docentes no estabelecimento de ensino onde se tinha formado, o Conservatório de Paris, tendo como alunos Pierre Boulez, Ianis Xenakis ou Karlheinz Stockhausen.

Motivado pelo estudo filosófico da Duração e do Tempo, dedica-se obstinadamente a investigar as dimensões rítmica e métrica de diversas realidades musicais.

A sua dedicação paralela e apaixonada à ornitologia permitir-lhe-á a notação e classificação do canto de muitos pássaros e a criação de uma série de obras musicais escritas sob esta influência.

Num outro registo, a inspiração religiosa, como a representada neste grande fresco religioso dos Vingt Regards sur l’Enfant Jésus, constituído por vinte peças de diferentes durações contagiadas pelos escritos teológicos e por um rico imaginário visual associado ao nascimento de Cristo, expondo uma dimensão de grandeza contemplativa.

Os olhares sobre Jesus recém-nascido sucedem-se com ânimo durante mais de duas horas, contrastando entre si em intensidade, cor, duração, tempo. Ora densas e complexas, ora simples e meditativas, as peças dimensionam-se de acordo com cada vislumbre.

Do Pai à Virgem, dos Anjos aos Magos e a muitas outras entidades imateriais ou alegóricas, todos têm oportunidade de se aproximar do Menino. ‘Mais do que em todas as minhas obras precedentes, procurei aqui uma linguagem de amor místico, por vezes variado, potente e terno, por vezes brutal, de dimensões multicoloridas’, afirma o compositor.

Michel Béroff conquistou o primeiro prémio do Concurso Olivier Messiaen em Royan pouco depois de terminar a sua formação no Conservatório Nacional Superior de Música e de Dança de Paris (no qual virá a assumir um cargo lectivo a partir de 1989). Desde a sua infância, o pianista estabelecera uma relação privilegiada com a estética musical contemporânea e especialmente com o repertório pianístico de Messiaen.

O facto deste compositor o ter escutado interpretar uma das suas obras, quando tinha apenas onze anos, viria a influenciar decisivamente o seu futuro. A versatilidade do intérprete advém em grande parte desta introdução precoce à complexidade de algumas linguagens do século XX.

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