Anais Nin – Símbolo da Literatura Erótica

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Anais Nin
Anais Nin

Anais Nin é um nome sobejamente conhecido da escrita mundial, mas é também um símbolo amplamente reconhecido da literatura erótica. Vamos fazer uma viagem ao mundo de Anais Nin.

Anais Nin nasceu em Neuilly, perto de Paris, no ano de 1903. Passou a sua infância em diversos locais da Europa, até ao momento em que o seu pai, Joaquin Nin, compositor espanhol, abandonou a família. Foi nessa altura, quando Anais Nin tinha apenas 11 anos, que a sua mãe os levou, a ela e aos seus dois irmãos, para a cidade de Nova Iorque. Essa viagem seria a fase na qual Anais Nin começaria a escrever o seu diário.

No ano de 1923, Anais Nin casa-se com Hugo Guiler, um homem com boa posição num banco internacional. Anais Nin passaria a ter uma vida confortável, com tudo aquilo com o qual qualquer mulher sonha. Um ano depois de se terem casado, Anais e Hugo mudam-se para Paris. Passando por diversos apartamentos, finalmente o casal encontrou uma casa ampla e bonita, embora Anais chegasse a viver por um tempo numa casa-barco.

Hugo e Anais abriram as portas da sua casa a diversos artistas, entre eles Henry Miller, com o qual Anais viveu um romance Deste romance é de realçar a existência de inúmeras cartas entre os dois amantes, que durante anos trocaram correspondência, revelando o teor desses mesmos registos factos importantes da relação que uniam Anais a Henry. A vida de Anais passaria, mais tarde, a estar dividida entre Nova Iorque e Los Angeles, entre Hugo e Rupert, um amante bem mais novo.

Por esta altura, e após ter começado a escrever no momento em que viajou com a sua mãe e irmãos para Nova Iorque, Anais passaria a ser reconhecida no âmbito da literatura. Os seus diários percorriam os olhos de todos, bem como as suas novelas e poesias, ambas num estilo surrealista e particularmente erótico. O erotismo que deixava transparecer nas suas palavras fascinava os artistas da época, muitos deles seus amigos, e a sua escrita oferecia também uma sensibilidade e percepção muito especial.

Cities of the Interior“, “Seduction of the Minotaur”, “House of Incest” ou “Delta of Venus: Erotica” foram alguns dos títulos que a tornaram famosa, títulos esses que se traduziam em novelas, relatando acontecimentos ‘especiais’ da vida dos intervenientes. Porém, o “Diário de Anais Nin” foi uma constante da sua vida. Começou a escrevê-lo aos 11 anos, altura em que viajou para Nova Iorque, e só o terminaria por altura da sua morte. Hoje, em qualquer livraria o “Diário de Anais Nin” continua a ser ainda bastante solicitado.

Ainda que começasse a escrever muito cedo, Anais dedicou-se à escrita erótica por volta de 1940, embora a escritora afirmasse que os contos que escrevia eram encomendados por um coleccionador. Do primeiro livro de Anais, um ensaio sobre o escritor inglês D. H. Lawrence, Anais passaria, algum tempo depois, a dedicar-se ao erotismo literário. De salientar que a passagem de Henry Miller na vida de Anais teve uma importância extrema, e apesar do relacionamento que mantinha com ele, consta-se também que a própria Anais esteve envolvida sexualmente com a mulher de Henry, June.

A história deste triângulo amorosa demorou bastante tempo, anos mesmo. Há mesmo quem se recorde de Henry Miller e de Anais Nin, não pelo espólio artístico que deixaram, mas sim pelo relacionamento que mantiverem, bem como pela vastidão de cartas que selavam a relação amorosa de ambos. Aliás, o filme “Henry e June“, que muito contribuiu para esta ideia básica a respeito destas duas figuras da arte e literatura, é baseado essencialmente na relação amorosa de ambos, e da mulher de Henry, June. Um filme que conta com a interpretação da portuguesa Maria de Medeiros, no papel de Anais Nin, realizado por Philip Kaufman, em 1990.

Anais Nin

A vida desta mulher não foi fácil! Só a partir de 1960 é que o trabalho de Anais Nin viria a ser considerado como algo de qualidade, pois até essa altura o turbilhão de novos talentos era tal que Anais Nin não conseguiu ‘chegar mais longe’. Ainda assim, é de realçar que a própria escrita da francesa alterou-se um pouco, tornou-se mais solta, viva, libertina, deixando transparecer sedução, erotismo e maturidade. Todavia, foram os seus diários, escritos desde os seus 11 anos, que contribuíram para o seu reconhecimento por toda a parte.

Uma mulher heroína para alguns, por ter exposto a sua sexualidade e intimidade sem pudor algum, mas também considerada uma mulher sem escrúpulos, a verdade é que Anais Nin cultivou em vida e em morte inúmeros leitores e aplausos. Faleceu em 1977, mas recebeu anos antes honras especiais do Colégio de Arte de Filadélfia, em 1973, e do Instituto Nacional de Artes, em 1974.

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