ISN – a missão de proteger

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Instituto de Socorros a Náufragos
Instituto de Socorros a Náufragos

Agora que começa oficialmente o Verão, a Mulher Portuguesa foi saber como funciona o ISN – Instituto de Socorros a Náufragos, onde é realizada a formação dos nadadores-salvadores, que fazem da segurança dos que gozam a praia, a sua missão.

A receber-nos, o tenente Nuno Leitão, e a primeira questão foi para a forma de organização do Instituto. “É um organismo público com fins humanitários que depende da Direcção Geral da Marinha” esclareceu Nuno Leitão. “Trata-se de uma direcção técnica que avalia as necessidades e empenhamentos que têm de existir a nível de praias e concessões e os meios necessários para garantir, da melhor maneira, a salvaguarda da vida humana“.

Para cumprir esta missão, todos os anos surgem novos projectos, novo material e implementos na formação dos nadadores-salvadores. Este ano o Instituto conta com 31 carrinhas todo-o-terreno, equipadas para socorrerem a qualquer situação, especialmente em praias não vigiadas.

Outra novidade para este ano são as motos de água que podem ser transportadas na mão pelo nadador-salvador, o que facilita a rapidez de apoio e ajuda nos problemas de correntes marítimas.

Mas as novidades não se ficam por aqui “também foi introduzida este ano uma mala de primeiros-socorros equipada com tudo, e um plano rígido, ou seja, uma maca com um sistema de imobilização total, porque temos vários casos, principalmente de jovens que ao mergulharem nas rochas batem com a cabeça e não se sabe à partida se há ou não lesões ao nível da espinal medula” expôs Nuno Leitão.

Ao nível das comunicações, os meios são idênticos aos do ano passado, cada carrinha tem o número do telemóvel na parte exterior e está sempre disponível o 112.

O factor principal de vigilância às praias é o elemento nadador-salvador. No sentido de melhorar as actuações em salvamentos é necessário investir no factor humano e por isso o Instituto está a proceder à reformulação do manual do nadador-salvador, ao mesmo tempo que o curso irá ser aumentado com a introdução do módulo de mergulho, “para permitir que possam mergulhar alguns metros em busca de pessoas em perigo. Isto porque nos casos de afogamento, os pulmões enchem-se de água, aumentando o peso corporal, e levando ao afundamento, ao contrário do que acontece nos casos de ataque cardíaco, em que as válvulas de irrigação fecham e o corpo flutua“.

O aumento do número de horas do curso, que custa 5mil escudos, é também uma questão laboral, na tentativa de fazer uma rentabilização dos formandos, evitando que sejam apenas contratados eventuais, e provendo-os com uma verdadeira profissionalização.

Segundo Nuno Leitão “a ideia é levar esses nadadores-salvadores a agir junto das escolas, com acções de formação e de alerta para os mais novos. As pessoas esquecem-se muitas vezes que quando fecha a época balnear continua a existir uma super estrutura que se mantém junto das populações, das escolas, dos infantários, universidades e centros sociais”.

Para esta época balnear estão previstas 96 acções de demonstração sobre salvamento para todo o país, com maior incidência nas praias com bandeira azul. Serão distribuídos panfletos e livros com jogos às crianças e concursos que oferecem braçadeiras, bóias, etc. “É uma maneira de chamar ao problema do salvamento os miúdos mais novos e depois serão eles a educar os próprios pais não os deixando infringir as regras de segurança.

Se as regras forem cumpridas não morre ninguém. Os acidentes dão-se sempre por falta de coerência e de cumprimento das regras de segurança, tal como acontece com os acidentes nas estradas, que resultam de irresponsabilidade das pessoas a conduzir. Não se fala aqui de tolerância Zero, não temos esse direito. Trabalhamos para o grande público e trabalhamos para o cidadão. E para tal estamos a arranjar mecanismos de sensibilização para os problemas que já existem” alerta.

É inevitável fazer a comparação com os meios portugueses e uma série que acompanha o Verão há alguns anos, “Marés Vivas“. Para Nuno Leitão, no entanto, não há comparação possível “primeiro que tudo, trata-se de uma história de amor em que tudo acaba bem. Connosco não acontece assim, temos de ter a flexibilidade mental de não penalizar as coisas que correram mal, mas aprender para que não voltem a correr mal. Essa é a nossa missão”.

Direcção Geral da Marinha

Em relação ao equipamento, as carrinhas forma entregues pela Mitsubishi, numa parceria com a Marinha, e as boias-torpedo, apenas entraram no quotidiano dos nadadores-salvadores após a aprovação por entidades internacionais, o mesmo acontecendo com qualquer tipo de material.

Antes da época balnear ter início, é necessário todo um trabalho do Instituto “de grande esforço e empenhamento do pessoal. Para quando abrir a época balnear estar tudo pronto”.

E os números já se fazem sentir, com três mortos esta época balnear, 2 em Carcavelos e 1 no Algarve, uma situação que Nuno Leitão considera grave “mas que parte inteiramente da conduta das pessoas, tanto ao nível dos cuidados dos adultos para com as crianças e para com a água. A nossa filosofia é que cada banhista tem de ser o seu próprio nadador-salvador. Formamos nadadores para vigiarem as praias, mas não podemos ter um para cada pessoa, num universo de 9 milhões de pessoas que frequentam as praias anualmente”.

No ano passado morreram 20 pessoas em praias não vigiadas e 6 em praias vigiadas, a maioria devido a ataque cardíaco, numa corrente de números que tem vindo a diminuir todos os anos “o que quer dizer que as pessoas estão a ficar mais conscientes dos perigos. O mar não é para ter medo, é para ter respeito”.

A aposta mais recente do Instituto liga-se às novas tecnologias, com a criação de uma página na Internet, pronta para o principio do próximo ano. “Pretendemos, fora da época balnear, chegar às escolas com informação alusiva aos cuidados de praia, com temas diversos e concursos. Ainda não temos patrocínio mas já sabemos exactamente aquilo que queremos fazer.”

Em relação à praia e aos seus perigos, Nuno Leitão deixa ainda um recado. “Os nadadores salvadores não são polícias, mas têm de se impor em relação às situações que se passam no mar e as pessoas começaram a ter um respeito diferente, mas ainda há casos extremos. Tentamos fazer o nosso melhor porque são vidas humanas que estão em jogo”.

O aviso para ter cuidado na praia está feito, cabe-lhe a si cumprir as normas da ISN e ensinar os seus filhos a fazê-lo, para gozar um Verão perfeito.

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