Adeus á grande fadista Amália Rodrigues

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Fadista Amália Rodrigues
Fadista Amália Rodrigues

A fadista Amália Rodrigues, a maior voz do fado e a mais célebre embaixatriz de Portugal, faleceu aos 79 anos de idade.

Morreu a fadista Amália Rodrigues

Em sequência da morte de Amália, o primeiro-ministro António Guterres já decretou três dias de luto nacional, realçando que há figuras que são símbolos de um povo, e Amália Rodrigues ficará na História de Portugal como um dos símbolos mais marcantes do povo português.

Ainda em sinal de luto, o PSD adiantou já que irá suspender toda a animação musical dos comícios até ao fim da campanha eleitoral.

De acordo com Lionilde de Jesus, a secretária da fadista, Amália foi encontrada já sem vida hoje de manhã. Encontrava-se ainda na cama e, para além de uma indisposição manifestada ontem à noite, não apresentava actualmente nenhum problema de saúde.

Amália da Piedade Rodrigues nasceu em Lisboa e cantou pela primeira vez em público em 1929, numa festa da Escola Primária que frequentava na Tapada da Ajuda. Trabalhou como bordadeira, operária e vendedora numa loja de recordações.

Estreou-se no Retiro da Severa em 1939, e Gravou pela primeira vez em Outubro de 1945, marcando o início de uma carreira brilhante que a transformou numa verdadeira embaixadora de Portugal em todo o mundo.

O corpo da fadista Amália Rodrigues sai sexta feira às 10 horas da basílica da Estrela para o cemitério dos prazeres.

Amália, um ano depois do seu falecimento

Amália Rodrigues, a musa do Fado, continua ainda a ser assunto eterno para os amantes do Fado. De voz forte mas sofrida, Amália partiu há exactamente um ano atrás.

De nome completo, Amália da Piedade Rodrigues, a diva do fado, nasceu junto ao bairro da Mouraria, em Lisboa. Vivendo a maior parte da sua infância com os avós maternos, Amália Rodrigues era proveniente de uma família com dificuldades económicas, onde os luxos não podiam abundar.

Até aos 18 anos, e depois de trabalhar como vendedora de fruta e empregada fabril, Amália desiste muitas vezes de seguir uma carreira como fadista profissional, por causa da falta de vontade da família e de terceiros. Já conceituada enquanto fadista amadora, é em 1939 que entra no circulo enquanto fadista profissional, actuando no Retiro da Severa. Fruto de um enorme êxito, Amália Rodrigues estaria lançada algum tempo depois.

Amália teve a oportunidade de cantar em inúmeras casas conceituadas de fado, vestida de negro e com o seu xaile característico, o que fazia com que a cumplicidade que mantinha com o público fosse muito íntima. Sobe aos palcos dos teatros com inúmeras actuações de destaque, e ao lado de grandes nomes da música da altura. Entra em revistas como atracção principal e exclusiva, tal como em diversos filmes, e o mito da voz cortante e inimitável de Amália corre o país inteiro.

Amália Rodrigues

Amália cantou, mais tarde, no Brasil, Suiça, Holanda, Itália, em Nova Iorque, Paris, México, Hollywood e em tantos outros locais de igual destaque. A voz do fado era transmitida de canto em canto, de país em país, de cultura em cultura. Amália conservava ainda com ela, mesmo depois de conhecer figuras de destaque mundial e de frequentar altas rodas sociais, um perfume de bairrismo muito peculiar.

Conservou sempre a simplicidade na sua postura e nas suas actuações, mesmo quando tinha motivos para expor um pouco de exibicionismo característico das grandes vedetas internacionais. Amália gostava de beber o seu vinho, fumar o seu cigarro e comer bem. Nunca negou nada a ninguém, e era vista pelo povo bairrista, de classe média, ou pelas grandes personalidades, exactamente da mesma forma e com a humildade que lhe era característica.

Muitos foram aqueles que a julgavam uma pessoa triste, ferida, magoada, com muitos silêncios e amarguras dentro de si. Conhecia muitas pessoas e tinha amigos em toda a parte e, embora Amália fosse uma mulher sempre de sorriso nos lábios e com uma expressão de alegria, revelava quase sempre um olhar triste. Foi essa a tristeza que Amália levou e que ficou associada à expressão do fado, em todos os cantos do mundo.

No ano de 1996 é atacada por uma doença grave e, dois anos mais tarde, viría a falecer o seu marido, César Seabra. Desde essa altura até à hora da sua morte, as aparições da Amália começaram a escassear cada vez mais. E, no dia 6 de Outubro de 1999, Amália Rodrigues parte do mundo dos mortais.

A mais valia que deixou da sua presença foram os seus fados emblemáticos, e a sua maneira de ser e estar. Citar alguns fados de Amália é injusto, pois estaríamos a esquecer outros, e todos eles são de igual relevância. Por isso, apenas recordemos Amália e deixemos as guitarras chorar de saudade.

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