Uma Páscoa sem desgostos e muitas alegrias

1328
Uma Páscoa sem desgostos
Uma Páscoa sem desgostos

A época da Páscoa devia ser uma altura de alegria e reencontro com a família, inundada de felicidade e pintada de harmonia. E, se nem sempre isso acontece, é exclusivamente por falha humana! Faça um esforço para ter uma Páscoa sem desgostos!

Uma Páscoa sem desgostos

Finalmente, a Páscoa! Não só pela época carismática em si, mas também pelos dias de férias (se é que se pode chamar de férias 3 dias) a Páscoa é uma das alturas aguardadas por muitos portugueses. Eu, não sou excepção!

Para além de saber que posso estar mais um dia a descansar (que a entidade patronal me desculpe), a verdade é que assim tive possibilidades de me deliciar com aqueles doces todos (e lá vão mais umas não sei quantas calorias), encontrar pessoas que não via há já algum tempo, e partir rumo ao meu/nosso Alentejo.

No meio de doces, ovos e coelhos de Páscoa, pontes antigas e estradas esburacadas, agentes da Brigada de Trânsito por cada local que passei, a Páscoa reuniu, ainda assim, momentos bem agradáveis, como aliás, manda a tradição!

As festividades da Páscoa aparentam ser simples, mas a realidade nua e crua é que já não goza totalmente destes adjectivos! O pandemónio começou logo pelo caminho que me vi obrigada a percorrer até chegar à pacata vila alentejana, onde vou permanecer até hoje. Até passar a cidade de Évora as coisas estavam mais ou menos.

Auto estrada boa, e um preço exorbitante a pagar à saída dela (claro, em Portugal ninguém dá nada a ninguém!), mas daí para a frente a minha aventura complicou-se. Primeiro porque o piso pelo qual a minha viatura circulou, ou melhor, a do meu progenitor, não é o melhor! Buracos matreiros, curvas e contra curvas, falta de sinalização, tudo isto para se chegar ao interior do Baixo Alentejo (quem diria!).

Mas o pior para mim agora foram as pontes. Sim, porque na minha memória, tal como na de todos os portugueses, está ainda a tragédia de Entre os Rios e, diga-se de passagem, que a aversão às pontes apoderou-se de mim e de todos nós, julgo eu. É normal, humano, e as falcatruas são tantas que já não se pode confiar em qualquer ponte! Ainda para mais quando as mesmas aparentam um estado que pode ser meramente ilusório para o nosso olhar.

Porém, vi-me confrontada com uma notícia do Jornal de Notícias que, embora não diminua o meu receio, sempre me permite fazer a mim, e a si também, alguma justiça por todos aqueles que circulam em estradas de Norte a Sul do país.

Dizia então a seguinte notícia, que passo a citar: ‘Caro leitor, se tem que percorrer estradas, pontes ou viadutos em más condições de conservação, não hesite: escreva uma carta, um e-mail, um fax, ou telefone para a linha verde “SOS estradas” (800205 059), que nós daremos a conhecer o seu caso. Recorde-se que a campanha “SOS estradas” que o JN iniciou não é feita contra ninguém, mas a favor de todos nós. Por isso, proteste, exerça o seu dever de cidadania’.

E mais nada, com esta se calaram as bocas que afirmam que somos um país de brandos costumes, neste caso, de brandas ações! Mas, e ainda que a iniciativa seja positiva, o que fazer para melhorar o estado das coisas? Escrever uma carta ao governo para daqui a 10, ou talvez 20 anos, remediarem a situação com um ‘tapetezinho’ de alcatrão que, pouco tempo depois, mostra ainda mais as saliências matreiras de estradas e pontes?

Além deste meu receio, perfeitamente natural (afinal tenho que passar por três pontes, uma delas centenária, ou quase a atingir esta meta, perto de Mourão), existiu ainda o perigo de a Brigada de Trânsito me mandar para a qualquer instante.

Como ter uma Páscoa sem desgostos

Bem, mas quanto a isto dou a minha mão à palmatória: é preciso travar os malucos que encontramos por essas estradas fora, muitos deles alcoolizados, outros com um nível de massa encefálica inferior à média, e muitos ainda sem possuírem aquele documento obrigatória por lei que denominaram por Carta de Condução.

E, esta é uma época em que os loucos do asfalto saem à rua! É vê-los passar a velocidades eloquentes, ultrapassando tudo e todos, sem medir as consequências dos seus actos e, em certas circunstâncias, já depois de uma refeição bem regada com sumo de uva ou, talvez, com um sumo de cevada bem fresco, porque o calor começa, felizmente, a fazer-se sentir.

A operação Páscoa 2001 termina na próxima terça-feira, dia 17 de Abril, e o policiamento nas estradas vai continuar a ser de tal ordem intenso (1100 efectivos diários e dois helicópteros) que o aconselhamos vivamente a não fazer muitas graças automobilísticas, até porque as consequências pagam-se bem caras. Para ir totalmente confiante da sua viatura faça uma revisão ao automóvel quando regressar novamente a casa, pois a viagem pode ter desgastado o carro.

E, as nossas estradas são tão boas que em nada favorecem a boa manutenção do automóvel, assim como a respectiva direção!

Agora, outra preocupação, esta particularmente feminina, da Páscoa: as calorias! Este problema, bem mais leve, diga-se de passagem, comparado com a sinistra gravidade dos anteriores. Os doces, ovos e coelhos são a perdição de qualquer pessoa nesta altura e, fazendo o calor que se tem estado a sentir, é natural que ainda marche um ou outro geladinho.

E a barriga a inchar, o peso a fazer-se sentir, e eu sem saber o que fazer de imediato! Bem, a solução é mesmo esperar que regresse destas mini férias para fazer uma daquelas dietas, do género terapia de choque, ir com frequência ao ginásio, dar no duro nas máquinas, que isto deve ir novamente ao sítio (digo eu!) Quase no culminar da Páscoa, o que interessa, mais do que meras calorias, é chegar a casa são e salvo (e olhe que isto não é exagero!).

Não é preciso ir com pressa, vá atento à estrada (de preferência não olhe apenas com um olho, mas sim com os dois, e bem abertos), cuidado com as ultrapassagens, as suas e as dos outros, e coloque de parte essa cerveja que tanto lhe está apetecer tomar.

A farra terminou para começar novamente a trabalhar no duro! Para trás ficaram os doces e o chocolate, as estradas esburacadas e as pontes (ainda bem!), e o dia de amanhã obriga a que volte à sua vida normal.

A Páscoa sem desgostos só pode ser atingida desta forma: sem excessos humanos e ciente de que, no ano que vem, voltará novamente a fazer a mesma viagem, sem problemas e com tudo a correr lindamente!

Um resto de Páscoa Feliz para si, e obviamente tenha uma Páscoa sem desgostos!

Cronista: Ana Amante

Classificação
A sua opinião
[Total: 0 Média: 0]