Crónica: Para todas as Mães

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Cronistas da MulherPortuguesa
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Ao longe uma voz chama por nós. Calma, doce e serena, acorda-nos à hora prevista. Mais um pouco, dizemos nós. E a voz insiste, melodiosa, afectuosa, límpida e cristalina. A hora de reiniciar um novo dia chegou, alheia à nossa vontade. E a nossa Mãe, ali ao nosso lado, a sorrir para nós…

Quem são as mães?

Criaturas de difícil definição. Magras, baixas, cheinhas, altas, morenas ou loiras, Elas são sempre Elas. Não há palavras ou imagens, músicas ou poemas, esculturas ou expressões, que consigam caracterizar fielmente o significado e o contributo de uma Mãe.

Aos filhos, as Mães oferecem tudo. A vida que actualmente se saboreia ou se quer esquecer em rasgos de tristeza, foi-nos dada por elas. Sorridente ou amarga, as sementes da nossa sobrevivência foram plantadas por elas e se hoje o nosso redor, não é aquilo que elas em preces e em sonhos silenciosos sonharam, não é por sua culpa mas sim, por causa dos infortúnios das rotas do mundo.

Desde muito cedo nos deram um rosto, um corpo, um nome e uma família. Desde esse mesmo momento, nos alimentaram, nos lavaram, nos guiaram, nos acariciaram, nos amaram. Deram-nos tudo, pelo simples prazer de ver surgir na nossa face, um sorriso sincero ou um abraço caloroso.

Nas noites em que a chuva brotava do céu negro e, nos instantes em que as lágrimas eram mais persistentes do que qualquer outra força externa, as nossas mães acolheram o nosso corpo desamparado, repleto de medo e domado para qualquer movimento de coragem. Mas no fundo, não existem mães. O que existe é a nossa Mãe que, quer se queira quer não, é a melhor Mãe do mundo.

E quando as mães sorriem de alegria, o seu interior pode chorar de mágoa. E quando se movimentam de energia, o seu corpo pode gritar por um momento de repouso. Mas nós, nem sempre percebemos isso. Mas nós, os filhos, seres desejosos de sonhos, procuramos sempre as nossas mães para uma mão, para uma ajuda, para um favor. E ainda assim, a Mãe do vizinho de cima, parece ser melhor que a nossa…

Os filhos são egoístas. Exigem o tudo da Mãe, quando o ventre que os trouxe ao mundo já lhes deu a vida, os olhos para vislumbrar, o tacto para sentir, o corpo e o coração para amar. O problema é que nem sempre conseguimos sair debaixo das saias da nossa mãe, tenhamos 20, 30 ou 40 anos. E ainda assim, julgamos que elas nos podiam dar mais…

Inevitavelmente, dá que pensar… As Mães dão-nos apoio, vida e amor, mas o que lhes damos nós? Possivelmente, retribuimos-lhe também muito, embora nunca o suficiente para pagar aquilo que fizeram por nós. Pode parecer injusto, mas não é! Como é então possível, pagar a vida que alguém nos deu? Como é possível pagar o corpo que alguém concebeu? Não é…

Por isso, e ainda que essa dívida seja vitalícia e intransmissível, neste Dia da Mãe faça-a sentir por 24 horas que seja, o quanto lhe está grato por tudo o que tem feito por si, e por aquilo que ainda há-de fazer… E para isso, basta um gesto de amor e de calor, sincero e caloroso, como qualquer Mãe merece…

Cronista da Mulher Portuguesa: Ana Amante

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