Crónica: Famosos por pouco tempo

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Cronistas da MulherPortuguesa
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A televisão tem estado a ser invadida por uma classe homogénea de pessoas que apenas têm um sonho, ser famosos, nem que para isso tenham que fazer as figuras mais ridículas alguma vez imagináveis.

Famosos por pouco tempo

Actualmente, acaba de emergir uma nova classe de pessoas com um único desejo: ter o seus 15 minutos de fama. Nestes casos propriamente ditos não se trata apenas de 15 minutos, pois estamos a falar de dias ou mesmo meses.

Ainda assim, o desejo de estar diante de uma câmara é tanto que, como diria o bom português, ‘tudo o que vem à rede é peixe’! ‘Big Brother’, ‘Acorrentados’, PopStars’, ‘O Bar da TV’, mais umas quantas concepções de quinta categoria, são o exemplo perfeito da forma como a câmara rege os nossos dias.

O ‘Big Brother’, enfim…Já quase tudo se disse, fora o que não se pode dizer, acerca deste concurso que faz a nossa Teresa Guilherme verter lágrimas.

Desde casamentos, cenas de pancadaria, sexo explícito, ou menos explícito, bacoradas como ‘orgias’, namoros acabados, ou comparações entre iogurtes e sexo, de tudo um pouco tem passado pelo programa da Endemol.

Enquanto isso, o público cola-se, literalmente falando, ao televisor, à espera de mais novidades e cenas ousadas de sexo. Sim, porque embora os portugueses falem em pudor, a verdade é que as audiências do ‘Big Brother’ subiram em flecha quando se começou a sentir o cheiro à essência do fruto proibido.

‘Os Acorrentados’, uma aposta do canal de Carnaxide, esteve na minha óptica muito aquém das expectativas. Primeiro porque não houve sexo(oh!), e depois porque as discussões não eram de um carisma tão aberrante como o são as da novela da vida real da TVI.

E, além do mais, aquelas correntes deixavam um pouco a desejar e davam um pouco mau jeito (digo eu, não sei!). O que deixa também bastante a desejar são as vozes das meninas do ‘PopStars’(em que praça é que elas vendiam peixe?)!

Algumas, com dotes vocais muito apurados, são colocadas de parte porque o corpinho não ajuda, e as vozes piores, verdadeiras canas rachadas, passam para a fase seguinte somente porque até têm ‘tudo no sítio’ (afinal, andam à procura de umas ‘Doce’ ou de umas ‘Baby’?).

É que só se assim podem vestir aquelas vestes que as destapam mais do que propriamente vestem! Claro que se encontra de tudo um pouco!

Há ainda aquelas que conseguem aliar o corpo à voz (raras, diga-se de passagem), mas que pecam um pouco por falta de carisma. E, como o júri é que sabe (será um prova para modelos ou cantoras?), quem sou eu para estar aqui a dizer estas minhas verdades pessoais!

‘O Bar da TV’ é mais um programa para a SIC. A estrear brevemente, a história é simples, sem correntes, aulas de voz, ou ‘órgias’, por enquanto. 12 pessoas a servir num bar, uma casa, e cujo único meio de subsistência são o dinheiro que fazem nesse bar. Claro que com câmaras ligadas 24 horas do dia! (este slogan das câmaras já está um pouco gasto. E que tal se tivessem mais imaginação?)

Esses seis homens e seis mulheres tiveram a sua aparição em público no programa de Carlos Cruz ‘Noites Marcianas’, na semana passada, e pelo que me constou este vai ser mais um programa no qual os seleccionados não fogem aos padrões habituais de quererem conquistar a fama, com uma ausência indescritível de massa encefálica.

A Rita Blanco é que viu as coisas um pouco a descambarem, mas já se sabe como é: em directo, tudo pode acontecer! (onde é que eu já ouvi esta fase?)

Toda esta dissertação sobre os programas que a nossa televisão exibe para chegarmos a uma conclusão. As pessoas hoje em dia querem fama a todo o custo!

Estão fartas de verem sempre as mesmas caras nas revistas dos vips, fartas de não saberem o que é dar um autógrafo ou de não sentirem a adrenalina de uma câmara a olhar para elas.

Para conseguirem esse estatuto, ainda que temporário, fazem as coisas mais absurdas que se possa imaginar. Habitualmente estão na casa dos vinte anos, vêm de todas as partes do país, estudam, ou têm uma profissão que não lhes preenche o ego, porque o seu sonho era mesmo ser actor/actriz ou entrar no mundo da televisão.

Por isso, o melhor é fecharem todos os institutos vocacionados para a área da televisão e ensino de teatro porque o futuro está nestes programas, pelo menos assim é a ideia de quem a eles concorre.

Vêm nesses concursos uma ponte para chegarem ao seu sonho (pobres ingénuos), e quando confrontados com a comunicação social até chegam a ter poses, ridículas, de vedetas. ‘O Bar da TV’ vai ser mais um desses exemplos, onde meninos e meninas vão em busca dos seus sonhos e da fama, à partida, já assegurada ainda que a mesma seja efémera.

A seleção dos candidatos é feita a partir de uma fórmula secreta entre as televisões, que eu ainda não percebi qual é, já que as criaturas que por lá passam são de uma falta de gosto impressionante. Porém, tenho que dizer a verdade: o povo português gosta!

O português delicia-se com a falta de cultura, com a escassa educação, o vocabulário degradante, as cenas picantes, os amores e desamores. Isto tudo porque muitos dos portugueses são o reflexo do que ali se apresenta, independentemente da idade, sexo, ou condição social.

Quer ser actriz de cinema? Entrar numa peça de teatro? Ser a Teresa Guilherme versão II? Então do que está à espera? Inscreva-se já num dos concursos das nossas televisões! É fácil, é barato, mas acredite que não dão milhões, nem a fama eterna!

Boa sorte, pois você pode ser mais uma das pessoas da mais recente classe homogénea que brotou nas televisão portuguesa: ‘Famosos por pouco tempo’.

E, por falar em famosos, onde anda o Zé Maria? Ah! Viram-no uns amigos meus, há coisa de duas ou três semanas, no bar ‘Bora Bora’, na Av. Almirante Reis. Com quem? Isso agora é segredo!

Cronista da Mulher Portuguesa: Ana Amante

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