Cimeira do Emprego: Uma família incompleta

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Cronistas da MulherPortuguesa
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Lisboa, acordou ao som de estratégias e adormeceu ao som de promessas. Começa assim a Cimeira do Emprego.
Podia ser o nome de um filme, ou quem sabe de uma exposição contemporânea, mas não é. Acreditem em mim, por favor! O que se passa é que Lisboa nos dias 23 e 24 do corrente mês, foi palco daquilo a que chamaram de “Cimeira do Emprego”, com a presença de Ministros e Chefes de Estado e, de Governo

Cimeira do Emprego

O problema não consistiu na presença emblemática e simbólica destes senhores, repletos de boas maneiras e educação, ostentando carros de luxo, mais propriamente limusines, desfilando pelas ruas cinzentas da capital.

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Presságio ou não o que é certo, é que a capital portuguesa, acordou nesses dias da dita e tão falada Cimeira, de cinzento carregado adivinhando a chuva, que não tardou a dar os seus laivos de existência.

O que está aqui em questão, não é a meteorologia ou o “socialmente correcto” destes nobres senhores, mas sim o motivo central desta “reunião europeia”. O embrião de toda esta agitação, denomina-se por uma palavra aterradora e, cada vez mais longe do nosso alcance: Emprego.

O crescimento do emprego em Portugal é uma utopia, dizem alguns, mas outros não se cansam de enaltecer o seu crescimento massivo. Fala-se de números e de percentagens, reveladoras de estatísticas positivas que, em tudo demonstram um crescimento do emprego. Mas, não é isso que o povo conta. E, como o povo tem sempre razão..

O objectivo da Cimeira Europeia pelo Emprego, é de criar condições para que o número de desempregados seja inferior, a partir de motivos e estratégias adequadas para esse efeito. Pelo menos, foi isto que se subentendeu de todo este alarido citadino.

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O nosso Primeiro Ministro, contava com a presença dos quinze inseparáveis para a fotografia da família europeia, mas até nestas coisas de política, as “amizades” não conseguem ser eternas.

Devido à presença anunciada do Chanceler Austríaco, Wolfgang Schuessel, o Primeiro Ministro Belga e o Presidente Francês, Jacques Chirac, discordaram de imediato de posar, para uma objectiva onde estivesse o Chanceler.

Guterres deve ter ficado desmoralizado, pois afinal a coesão dos países, que é outro dos pontos a debater nesta Cimeira para além das medidas estratégicas para aumentar o emprego, não é aquilo que tanto se apregoa por esses recantos políticos.

Outro dos motivos que desapontou António Guterres, foi o facto de Lisboa ter escolhido exatamente estes dois dias, para realizar inúmeras greves e manifestações, que em nada ajudaram ao curriculum vitae do nosso país. Certamente, foi uma casualidade a escolha dos dias 23 e 24 de Março do ano 2000.

O Ministro Ferro Rodrigues, numa entrevista concedida ao Diário de Notícias, afirmou que alcançar o “quase” pleno emprego era uma meta a atingir em 2010, se…as taxas de crescimento actuais mantiverem estes números.

São, sem dúvida muito números e percentagens para os portugueses e, pouco mais. De louvar, é o facto do ministro entender que a aposta no emprego, deve também ser feita às mulheres. Atitude nobre!

Lisboa, acordou ao som de estratégias e adormeceu ao som de promessas. Guterres sonhou com a fotografia de família, mas limitou-se à fotografia de grupo. Parece que até aos políticos, o azar persegue.

Em vez de ser à porta, persegue uma simples objectiva, que somente queria tornar eterno o momento, em que se colocou a possibilidade de um dia, em 2010 se alcançar quase o pleno emprego. Sonho ou Utopia? Eis a questão…

Cronista da Mulher Portuguesa: Ana Amante

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