As Crianças do planeta Terra

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Direitos das crianças
Direitos das crianças

As nossas crianças sofrem muito e muito pouco se faz para proteger, amparar e tutelar a infância. A insensibilidade dos adultos faz com que a infância se transforme em dor e sofrimento.

Na pobre e esquecida África, morrem milhares de crianças todos os dias de fome, são vendidas como mercadoria e trabalham como escravas em plantações de cacau. No Zaire elas trabalham na busca de diamantes e a AIDS as está levando embora sem piedade.

A Nigéria está a vender os seus meninos à escravidão e as suas meninas à prostituição. Ghana, Gabão e Togo não protegem e não poupam as suas crianças de imensos sofrimentos.

Em Israel elas morrem indo comer uma pizza, quando algum terrorista explode uma bomba em nome de um deus. Na Palestina elas morrem em suas casas bombardeadas por homens que usam a palavra represália. Em 44 países do nosso civilizado planeta, os homens usam crianças como soldados em suas sangrentas guerras.

No Egípto, Afeganistão e ex-jugoslávia elas perdem braços e pernas quando colocam o pé em uma mina terrestre que os homens colocaram para mutilar o inimigo.

Os países árabes valorizam e protegem somente os meninos. Como acontece na Índia, as famílias combinam precocemente seus casamentos no intento de livrar-se o mais rápido possível dos gastos que uma inútil menina lhes dá.

Na Índia, as meninas valem muito pouco. A tradição de pagar um dote ao futuro marido da menina faz com que as famílias pobres as vendam logo após o parto e quando não encontram comprador as matam. E apesar de adorarem tantos deuses, as crianças ainda não encontraram ninguém que as proteja da maldade humana. Elas são escravizadas nas fábricas que exportam tapetes para as lojas do mundo inteiro. Vivem como animais e não conhecem o significado da palavra infância.

No Nepal as crianças
vivem em sofrimento e conhecem a escravidão e o abandono.

Na China elas podem nascer somente com a permissão do governo e como os meninos são mais considerados, as famílias afogam as meninas que insistem em nascer. Afogando-as eles poderão tentar a sorte de ter um filho homen.

Na Rússia e nos países da ex-União Soviética, as máfias actuam destruindo a infância de milhões de crianças sem serem incomodadas pelas autoridades. Lá elas são actores e actrizes em filmes pornográficos que são vendidos nos países que chamamos de primeiro mundo. As máfias russas sequestram e raptam bebés para vender à casais inferteis da rica Europa. O tráfico de crianças do leste Europeu para trabalhar na prostituição na Europa é um mercado em expansão.

Na Ásia as crianças são vendidas pelos pais para pagar dívidas ou para bordéis que exploram a prostituição infantil. Na Tailândia e Vietnam, mais de 500 mil crianças vivem em condições miseráveis aprisionadas em jaulas esperando o próximo cliente europeu, americano ou japonês. Todos os anos, 250 mil homens viajam a estes países para usar crianças como depósito de seus espermas. Mais de 80% delas são portadoras do virus HIV e suas insensíveis famílias não as aceitam em casa após serem infectadas.

No Sudão as meninas são vendidas para trabalhar como escravas domésticas e no Paquistão elas são escravizadas nas fábricas de roupas e jóias. Na Birmânia elas trabalham mergulhando para encontrar pérolas. Em Bangladesh trabalham em fábricas de tecidos de algodão.

Não podemos ignorar a pobre e desesperada América Latina, onde o sofrimento das crianças é ignorado e já faz parte do quotidiano das grandes cidades. No Brasil, Perú e Venezuela, a prostituição infantil é desesperadora. Nestes países, os homens abandonam as suas pobres esposas, que sem recursos económicos abandonam seus filhos, criando o fenómeno que conhecemos como “meninos de rua”. Meninos que são rapidamente adoptados por traficantes de sexo e drogas das favelas.

Milhares de crianças indígenas pedem esmolas pelas calçadas das grandes cidades. Sem suas terras e sem sua cultura, são enganadas e usadas pelos brancos civilizados.

Homens provenientes dos Estados Unidos e Europa exploram sexualmente a pobreza e a fome das meninas desesperadas do nordeste brasileiro.

No Paraguai as meninas são escravizadas em bordéis que servem a camioneiros com a conivência e cegueira da policial local e na pobre e esfomeada Argentina, as crianças estao conhecendo o desespero do abandono e da escravidão infantil. Na Bolívia e Perú elas trabalham por míseros salários na mineração. Na Bolívia, Paraguai e Brasil crianças são raptadas e vendidas a casais de países ricos. E milhares de mães da América Latina choram e procuram desesperadas seus filhos sem jamais os encontrar. Foram vendidos às máfias de transplante de orgãos, a bordéis de pedófilos ou às máfias europeias da prostituição.

Na América Central, o índice de gravidez infantil è o mais alto de todo o planeta.

Mas não pense que as crianças sofrem somente nos países pobres. Nos EUA, todos os dias 3 crianças são mortas por violência doméstica. Na Finlândia, em torno de mil crianças ao ano sofrem violência sexual. Na Holanda, anualmente cinco mil crianças sofrem violências de todos os tipos. Na Alemanha, são 25 mil casos de violência contra as crianças ao ano. Na Itália, França e Inglaterra a situação é pior: 60 mil casos ao ano.

Em todos os países, em todas as cidades deste imenso planeta elas sofrem muito. Sofrem caladas a dor do incesto, quando suas almas e seus corpinhos são violentados por quem mais amam e confiam. Sofrem imensamente quando são alvo do egoísmo e da guerra no divórcio de seus pais. Sofrem em todo o planeta quando o pai ao se divorciar se divorcia também do filho, criando dor e trauma irreparáveis.

Os governantes dos países pobres que desrespeitam e abandonam completamente suas crianças, assinam tratados visando a protecção e o bem estar infantil. Mas na realidade estes homens insensíveis estão preocupados somente em manter a sua corte no poder. Assinam papéis que em poucos dias serão esquecidos em algum empoeirado arquivo.

A insensibilidade humana é enorme e as nossas crianças sofrem sem que suas dores e seus corpos sejam finalmente salvaguardados. O que fazemos pelas nossas crianças é muito pouco. Elas precisam de muito mais. Precisam de mais ajuda, respeito e amor.

Até quando veremos nossas crianças tratadas como animais? Até quando elas serão vendidas como escravas? Até quando as veremos morrer de fome? Até quando as veremos sem pernas e braços por causa da minas terrestres? Até quando as veremos mortas nas guerras? Até quando serão estupradas sem piedade?

Quando as nossas crianças poderão finalmente confiar em nós, insensíveis e cruéis adultos?

Tania Rocha (Escritora)

Lodi – Italia

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