Crónica: A grande irmã Teresa Guilherme

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Cronistas da MulherPortuguesa
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A voz e o rosto feminino do concurso Big Brother é presença habitual todas as terças-feiras à noite. Das escovas de dentes do passado para o Big Brother: Teresa Guilherme.

Teresa Guilherme

Hoje, pensei bastante sobre aquilo que iría escrever. As sucessivas manifestações de violência e assaltos sucedem-se (ainda ontem assisti a uma, quando o condutor de um autocarro foi agredido por um jovem negro).

À incompetência dos tribunais e dos agentes de autoridade também já nos habituámos (no caso anterior que referi os agentes da autoridade nem mostraram interesse), por isso decidi escrever sobre uma coisa mais carismática e suave, mas que anda na boca do povo.

Não, não é sobre o Big Brother! Mas sim, sobre a pessoa que dá a voz e rosto ao programa: Teresa Guilherme. Conhecem? Não? Mas, ‘isso também não interessa nada…’

Teresa Guilherme, a mulher que comanda cá de fora a casa do Big Brother, é uma figura que os portugueses se habituaram a ver no pequeno écran. De estatura média, pele morena, cabelo claro e dentes salientes (as verdades são para ser ditas, e cada um é como é), Teresa Guilherme torna este concurso num seguimento de coisas que parecem nunca interessar nada.

Faz sempre questão em esboçar um sorriso (regras do jogo ou a necessidade de simpatia do público?) e raramente se engana (o teleponto também está logo ali, mas é preciso realçar o seu profissionalismo), excluindo as alturas em que solta estridentes gargalhadas provocadas pelas piadas demonstrativas de falta de cultura do Telmo, do excesso de cinismo, ainda que subtil, do Mário, ou da ampla extensão de falta de audição do Zé Maria. Bem, ‘mas isso também não interessa nada….’

Teresa Guilherme é uma mulher dotada de um largo conhecimento da língua portuguesa, e faz sempre questão de deixar isso bem claro. Enaltecendo a hipotética ausência de cultura de alguns concorrentes, gosta sempre de deixar bem claro o significado de palavras como ‘caricato’, mas esquece-se que palavras como ‘populaça’ também estão conectadas com um lado prejurativo.

Se faz tanta questão em afirmar que caricato é ridículo, ( ok, essa já percebemos há muito tempo) também lhe convinha não se esquecer que o termo utilizado em determinado programa, referindo-se às pessoas que estavam fora do estúdio, não é o mais correcto. Bem, ‘mas isso também não interessa nada…’

Após ter feito um enorme êxito como apresentadora de um programa onde as escovas de dentes faziam as honras da casa, Teresa Guilherme mergulhou nesta aventura da ‘novela da vida real’. Sem dúvida que o seu papel é fundamental e que, enquanto fio condutor do programa, desempenha a função quase na perfeição. Todavia, existem determinadas observações que são um pouco desnecessárias, bem como o tom com que as mesmas são feitas.

Transborda a ironia, o excesso de hipocrisia, o divertir-se à custa da cara das pessoas convidadas e dos próprios concorrentes. Teresa Guilherme é uma apresentadora e não uma comediante. Bem, ‘mas isso também não interessa nada…’

O visual é também importante para uma apresentadora de concurso, ainda para mais, sendo Teresa Guilherme a voz e o rosto do programa televisivo com maior audiência em Portugal. Por isso, a nossa apresentadora (agora desamparada, e sem o Manuel Luis Goucha) opta por tons fortes e vistosos para sobressair os escassos canudos dos seus cabelos acastanhados, a cair para um falso alourado.

Sim, a Teresa Guilherme não é dada a muitos acessórios ou adornos por aí além, talvez para não se confirmar que aquilo que recebe por apresentar o Big Brother é realmente uma quantia bem satisfatória.

O Big Brother segue o seu rumo em busca de um vencedor, mas Teresa Guilherme, que ao princípio parecia nutrir uma grande simpatia pelo Mário, vira-se agora um pouco para o Zé Maria, não sem antes confessar em público que Marco era um dos seus favoritos.

Um pouco complicada e confusa a apresentadora, para quem as coisas parecem nunca interessar nada. Outro pormenor! A nossa estimada apresentadora, que tanto percebe de português, tem o inglês um pouco enferrujado.

É que Big Brother lê-se com um tom mais forte na primeira sílaba, e não com a mesma acentuação para ambas. Um mero problema de dicção ou estaremos perante um simples sinal de cansaço? Estranho! É que assim parece que o cansaço lhe bateu à porta desde o primeiro programa…’Ai que disparate, meus queridos! Mas deixem lá porque isso também não interessa nada…’

Cronista da Mulher Portuguesa: Ana Amante

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