O insucesso escolar

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Muitas são as crianças que apresentam quadros de insucesso escolar, podendo este resultar de inúmeros factores.

Quantos são os adolescentes e jovens que vivenciam o insucesso escolar e são muitas vezes acusados de não estudar ou de não se interessarem pela escola. E quantos são os pais que consideram os seus filhos crianças nervosas que apresentam perturbações durante o sono ou sintomas físicos como dores de cabeça sem estar associadas a uma causa específica. A dislexia pode ser uma das causas do insucesso escolar, na medida em que mais de 70% da população escolar com dificuldades de aprendizagem sofre de dislexia.

A avaliação de um conjunto de aptidões básicas, necessárias à aprendizagem escolar da leitura, escrita e cálculo e um diagnóstico precoce, no caso da dislexia, são fundamentais para proteger crianças e pais no que se refere ao insucesso escolar.

Dislexia é uma perturbação na leitura que afecta pessoas com inteligência considerada normal e que não apresentam perturbações sensoriais ou neurológicas. Sabia que grandes nomes como Albert Einstein; Agatha Christie; Leonardo Da Vinci; Tom Cruise; Robin Williams sofrem de dislexia?

Mas se é verdade que é possível viver com dislexia também é verdade que a dislexia é uma das principais causas do insucesso escolar, dos atrasos e recuos na aprendizagem e dos problemas emocionais graves que comprometem o futuro das crianças e jovens com dislexia. Embora a dislexia seja uma dificuldade que acompanha a pessoa ao longo de toda a sua vida, quando diagnosticada e intervencionada precocemente é possível compensar as dificuldades de crianças e jovens portadores de dislexia e contribuir para o sucesso na aprendizagem.

Uma criança com dislexia apresenta sintomas como: não compreende o que lê; lê devagar e de forma incorrecta; tem dificuldade em dividir palavras em silabas; não consegue ler palavras simples e monossilábicas; tem dificuldades em memorizar ou não consegue resolver problemas de matemática.

Com que idade é possível diagnosticar uma criança com dislexia? É possível detectar a presença da dislexia desde cedo, logo no início do 2º ano de escolaridade momento em que a leitura de textos é regularmente apresentada às crianças. Mas, a partir daí, é possível fazer um diagnóstico em qualquer idade. Quando é diagnosticada em adulto permite que a pessoa perceba o porquê da ansiedade sentida em momentos cruciais da sua vida e possa determinar novas metas para o futuro.

O rastreio dos pré-requisitos para a entrada no 1º ciclo vai avaliar um conjunto de aptidões básicas, necessárias à aprendizagem escolar da leitura, escrita e cálculo. São avaliadas áreas tais como a compreensão verbal, a aptidão numérica e a aptidão perceptivo-visual.

A entrada na escola é um marco importante na vida das crianças e dos seus familiares. Representa o assumir de novas regras, deveres e responsabilidades. A criança passa de uma fase fortemente marcada pela realização de actividades da exclusiva responsabilidade da educadora de infância, para um momento da vida em que lhe começa a ser exigido que aprenda a ler, escrever e contar de uma forma natural.

No entanto para que a criança consiga responder a esta nova exigência tem de estar preparada. A criança tem de ter competências linguísticas, perceptivas, cognitivas e motoras adequadas e necessárias a essa aprendizagem. Quantos educadores não questionam se as crianças estão preparadas para enfrentar este novo desafio?

Todas as crianças têm o seu ritmo de desenvolvimento, no entanto nesta fase é importante garantir que a criança está pronta para iniciar este novo processo de aprendizagem. É por essa razão que esta avaliação é de extrema importância, na medida em que identifica áreas onde poderão existir algumas falhas, sendo necessário estimular a criança antes de enfrentar o novo desafio. Esta estimulação vai facilitar a aprendizagem das novas aquisições assim como vai preservar a saúde emocional da criança, facilitando o percurso escolar.

As dificuldades de aprendizagem vão gerar ansiedade e falta de confiança e o insucesso escolar vai levar a novos insucessos, desta forma é fundamental ter a certeza que este primeiro passo é dado de uma forma correta e confiante.

Quem deve fazer esta avaliação? Todas as crianças entre os 5 e os 6 anos que vão dar entrada no 1º ano de escolaridade para que possam ser identificadas as áreas nas quais poderá ser necessária alguma intervenção.

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