Crianças em casa sózinhas, redobre a preocupação

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Aprender na escola, brincar com os amigos e chegar a casa. Este é o ritual de milhares de crianças em todo o mundo.

A imagem familiar de algumas décadas atrás em que as crianças chegavam da escola e tinham a mãe presente para lhes servir o lanche, já é coisa do passado. Hoje em dia são as crianças que têm de se desenvencilhar, com consequências que podem ser perigosas.

No entanto, o regresso ao lar pode não ser tão pacífico como à primeira vista parece. É que a criança vai passar algumas horas completamente por sua conta e risco, sem a presença de um dos pais ou de um adulto para a proteger.

E esta proteção não se relaciona apenas com possíveis acidentes domésticos, mas também com aspectos como o tempo que passa frente à televisão, a solidão que tem de enfrentar e as companhias que pode escolher para lhe fazer companhia.

Vejamos um caso: André sabe que quando chegar a casa vai ficar sozinho. Na escola os miúdos importunam-no por ter óculos e então decide juntar duas coisas. Convida alguns desses rapazes para irem lá a casa lanchar, convencido que assim ganhará a sua amizade. Estes não se fazem rogados e apenas quando os pais começam a notar a falta de diversos objectos e de comida é que André se decide a contar a história.

A solidão que muitas crianças enfrentam face a este panorama, leva-as a procurar a sua própria solução. E se uns optam por ver televisão, outros preferem as brincadeiras nas ruas, com companhias nem sempre desejadas e em espaços que podem colocar em perigo a sua segurança.

A situação é ditada pela força das circunstâncias, porque os pais precisam de trabalhar para pagar todos os encargos decorrentes de ter uma família e esta, ou o seu conceito, acaba por ser esquecido ou relegado para segundo plano. E como em quase tudo, é a criança que acaba por sofrer as consequências, sendo órfão de pais presentes.

As formas de responderem a esta situação passam por fazerem cada vez mais asneiras e criar problemas de forma a serem notadas pelos pais ou entrarem em depressão, que se traduz em tristeza e insucesso escolar.

Muitos pais optam pela solução de deixar tarefas estipuladas e pequenos bilhetes com as instruções. Mas este processo acaba por ser mais negativo do que pensam, porque a criança sente-se controlada mas desfasada do apoio de que necessita.

A juntar a tudo isto, são os pais que depois de chegarem a casa optam por uma atitude desligada e distante em relação aos filhos. Podem ser pais corretos no campo funcional (nunca deixar acabar os cereais que ele gosta, pagar a tempo o colégio, saber o peso exato) mas no campo emocional perdem-se e deixam a criança por sua conta e risco.

E esta é mais uma situação em que a criança perde valores. Quando um dos progenitores nunca está presente (morte ou separação) a criança idealiza o pai/mãe ideal e concebe dele a ideia de que se estivesse presente o protegeria e brincaria com ela.

Mas quando lida diariamente com os pais e estes não lhe prestam a atenção que deseja, o desgosto é maior porque se apercebe que é uma peça que está a mais na engrenagem do casamento.Sentir que os pais não respondem aos seus apelos é o pior sentimento que uma criança pode sentir.

Fim de semana: Não deixe a criança em casa sozinha

Se a situação ideal é a de que a criança possa contar com a presença dos pais nem sempre é possível, estes devem compensá-la, minimizando os problemas. Não vale a pena ficar a remoer as culpas ou entrar em pânico.

Acima de tudo o mais importante é não esquecer que a criança está à espera de atenção e amparo, e por isso tem de lhe dar sempre algum do seu tempo por dia, conversando com ela sobre a escola e ajudando-a a resolver os problemas, contando-lhe alguns aspectos interessantes do seu dia e acima de tudo brincando com ele, sempre de forma genuína, porque ela vai sentir se estiver a fazer “frete” e ainda vai ficar mais magoada.

Sempre que possível deixe alguém em casa para receber os seus filhos ou inscreva-os em ateliers de tempos livres, aulas de música ou algum desporto, de forma a ocupar-lhe os tempos que seriam passados frente ao televisor e permitir-lhe estar sob vigilância e em segurança.

Juntar um grupo de miúdos da vizinhança pode também ajudar, especialmente se houver alguma mãe que não se importe de os receber em casa enquanto fazem os trabalhos escolares.

Se o seu filho tem mesmo de ficar em casa sozinho, nunca antes dos seis anos de idade, entre em contacto telefónico com ele para que não se sinta abandonado e deixe-lhe o seu número para que ele possa ligar se necessitar. E lembre-se que um problema que para si pode parecer de pouca monta, para ele será muito grave, pelo que o deve sempre ouvir com atenção.

Fazer o papel de pais presentes quando as obrigações da vida impõem uma separação é algo de muito difícil, mas que tem de ser alcançado para permitir o crescimento saudável e equilibrado da criança e da família. E para tal basta um pequeno esforço.

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