A evolução do termo pornografia ao logo dos tempos

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Pornografia
Pornografia

Pornografia é o termo utilizado para a representação de cenas de sexo, através de imagens ou literatura e que actualmente está muito na moda, trazido de novo à ribalta através da Internet.

A arqueologia revelou que em muitas das paredes dos templos pagãos cananitas, destruídos pelos israelitas, existiam desenhos de órgãos sexuais masculinos e femininos, sendo essas as formas mais antigas de pornografia conhecidas.

Pornografia ao logo dos tempos

O termo pornografia reduzido à sua raiz etimológica significa ‘escrever sobre prostitutas’ tendo sido pela primeira vez utilizado num panfleto de Restif de la Brettone sobre a prostituição pública com o título ‘Le Pornographe’, editado em 1769 e rapidamente passou a ser distinguido como um género de erotismo que merecia ser reprimido.

Por volta de 1750, o libertinismo dizia respeito tanto ao corpo (pornografia) quanto ao espírito (filosofia). Os leitores esperavam que os livros de sexo fossem um meio de atacar tanto a Igreja como a Monarquia e as privações que as duas impunham.

Muitos livros de sexo, nas vésperas da Revolução Francesa, serviam como crítica social, como é o caso de ‘Correspondance d’Eulalie’ (Correspondência de Eulalie, em 1784) e após este acontecimento, a pornografia não poupou os ataques à aristocracia, ao clero e à monarquia.

Mas depois de politizada, caiu na trivialidade de obras como ‘Les Quarante Maniéres de Foutre’ (As 40 Maneiras de F…), um manual de sexo que se assemelha a um livro de receitas culinárias. O século termina com Marquês de Sade, saudado por alguns como o profeta da vanguarda moderna.

Nos séculos 19 e 20, Baudelaire e Bataille recuperaram o género encontrando novas formas de tornar o sexo digno de pensamento, mas a industrialização e a produção em série desenvolvidas em nosso século, tornaram a pornografia num fenómeno de consumo de massas.

Convencionada a dar ao leitor o papel de voyeur do relato de uma experiência erótica, a literatura pornográfica do começo da era moderna, não se distinguia como um género distinto aos olhos dos contemporâneos.

Pertencia a uma categoria geral, denominada ‘filosófica’ e esta era a forma usada pelos editores e livreiros setecentistas para designar a sua mercadoria ilegal, fosse ela religiosa ou obscena.

Com o advento da fotografia e, mais tarde do cinema, a pornografia deixou de ser uma arte da escrita para passar a servir a voyeurs, que assim acediam a prazeres onde apenas tinham de se preocupar em observar.

A Internet veio a revolucionar ainda mais o assunto, colocando na ordem do dia os temas da pornografia infantil e reacendendo a discussão sobre a possível censura dos assuntos tratados (censura já levada a cabo pela Igreja em relação aos livros).

Uma estatística de 1995 revelou que os americanos gastavam mais em pornografia do que em Coca-Cola. Até países antigamente fechados como a China, assistiram em 1993 a uma enxurrada de material pornográfico.

No entanto, existe o outro lado da pornografia em que, na maioria das vezes, a mulher aparece apenas como um objecto sexual e que aceita tudo o que pode acontecer-lhe ou procura esse tipo de situações. Se num filme, uma mulher que está prestes a ser violada diz ‘não’ mas que depois acaba por aceitar e até demonstrar prazer nesse acto, está a passar a mensagem de que qualquer mulher que seja violada terá o mesmo comportamento.

Estudos de especialistas americanos mostram que existe uma estreita relação entre pornografia e a prática de crimes sexuais, e afirmam que 82% dos encarcerados por crimes sexuais contra crianças e adolescentes admitiram que eram consumidores regulares de material pornográfico.

Outro aspecto a ter em conta com a pornografia é a que diz respeito às crianças, a mais combatida na Internet. Imagens, venda de material pornográfico e mesmo sites onde pode conversar acerca do assunto são alvo de críticas por parte de pais e utilizadores.

A pornografia tem sido o exemplo clássico ligado à censura, através de poemas ou textos eróticos proibidos pela religião ao longo dos anos, hoje em dia considerados obras de arte e de autores consagrados.

Para muitos, a Playboy é uma revista pornográfica. Para outros, não. Salvador Dalí pode ser considerado como um pornógrafo? Ou os seus quadros mais ousados são maravilhosas obras de arte? A definição depende do ponto de vista de cada um.

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