Rainha Dona Maria I de Portugal – A piedosa

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Dona Maria I - A piedosa
Dona Maria I - A piedosa

Dona Maria I, por graça de Deus Rainha de Portugal e dos Algarves daquém e dalém mar, África, senhora da Guiné e da Conquista e navegação e comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia.

A primeira mulher a herdar o trono de Portugal, foi fruto de um casamento de conveniência que uniu Mariana Vitória, filha dos reis espanhóis, e princesa austríaca, com D. José, no ano de 1729, numa boda realizada em Elvas. Ela tinha apenas onze anos e ele 16. É com essa idade que Mariana dá à luz pela primeira vez. O casal teve quatro filhas, sem nenhum herdeiro masculino.

No dia 17 de Dezembro nasceu Maria Francisca, futura D. Maria I, num parto fácil e que levou a que os sinos tocassem durante três dias. Á frente dos destinos do reino estava D. João V, pai de D. José, que vem a subir ao trono em 1750, com 36 anos.

Como ministro, escolhe Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal, que se viria a tornar o verdadeiro senhor de Portugal.

Apenas com três anos de idade, a princesa Maria já recitava versos e cedo aprendeu castelhano, francês e latim. Teve lições de equitação com o famoso marquês de Marialva.

Dona Maria I – Rainha de Portugal

A 13 de Maio de 1777, Dona Maria I é aclamada rainha de Portugal, com 43 anos de idade. D. Maria era uma devota da igreja, muito mais que a sua mãe e detestava os excessos.

Proibiu que as mulheres pisassem os palcos, no palácio e fora dele, sendo os papéis femininos interpretados pelos castratti.

O seu primeiro acto como rainha, no dia seguinte à morte do pai, foi soltar os presos políticos e fazer regressar os exilados e desterrados, vítimas da política do marquês de Pombal. O prisioneiro mais idoso contava com 80 anos e 20 de cativeiro. Cerca de oitocentos pessoas foram postas em liberdade, num estado andrajoso e debilitado. Entre eles contavam-se padres, fidalgos e gente do povo.

O passo seguinte foi afastar o marquês de Pombal, após este ter estado à frente dos destinos de Portugal durante vinte anos. Este terá tentado afastá-la do trono, não permitindo que assistisse aos Conselhos de Estado e mantendo-a fora dos assuntos do reino.

Pretendia ainda que o herdeiro fosse o neto, D. José, o primeiro filho de Dona Maria I. Mas este morreu ainda novo, de varíola, porque a mãe, nos seus caprichos de devota, não permitiu que lhe fosse ministrada a vacina recém-descoberta.

Dona Maria I era considerada como uma mulher insignificante, sem grandes atractivos físicos, de olhos pequenos e grande nariz, mas realizou grandes reformas no sistema económico do país e na educação.

A ela cabe a abertura da Casa Pia, a cargo de Pina Manique. Pagou também os quinze anos de salários em atraso dos empregados do palácio e dos soldados.

Na sua devoção, em 1782 envia para o Santo Sepulcro, em Jerusalém, uma lâmpada de ouro que custou ao reino 2 600 reis. Opositora do luxo e da depravação dos reinados anteriores, gastou quantias exorbitantes em obras religiosas, música sacra e festas religiosas.

O marido foi D. Pedro III, tio e uma figura particularmente feia e pouco inteligente, segundo as crónicas da época. Visitava conventos e falava com padres e bispos. A sua maior acção foi mandar edificar o palácio de Queluz.

O casamento durou 26 anos, com seis filhos, dos quais apenas sobreviveram D. Mariana, rainha de Espanha e o futuro D. João VI, que veio a casar com D. Carlota Joaquina, princesa espanhola.

A D. Maria I deve Portugal a Academia Real das Ciências e a Biblioteca Nacional. A segurança das ruas e a sua iluminação ficou a cargo de Pina Manique, como intendente da polícia. No entanto, os presos passaram a ser tratados mais humanamente, e ordenou que nenhum criminoso ficasse mais de cinco dias no castigo do segredo, mas por outro lado condenou à morte o herói do Brasil, Tiradentes, o que lhe valeu a fama de impiedosa por aquelas paragens.

Com a morte dos seus filhos, D. José e D. Mariana e a tomada da Bastilha em França, apoderou-se dela uma enorme tristeza e uma doença mental, possivelmente hereditária. É louca que embarca para o Brasil, aquando das invasões francesas, onde morre com 82 anos de idade. O seu corpo repousa na Basílica da Estrela, por ela mandada edificar entre 1779-1790.

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