A magia de voar: Amélia Earhart

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Amélia Earhart
Amélia Earhart

O que é um facto é que Amélia Earhart deixou a sua marca na história recente da humanidade e como muitas outras figuras, deixou-nos demasiado cedo.

Amélia Earhart

Nasceu a 24 de Julho de 1897, na casa dos avós em Atchison, Kansas. A sua mãe, Amy Earhardt decidiu fazer o parto em casa dos pais devido a um problema que teve durante a gravidez. O pai, Edwin, advogado particular, continuou a exercer na cidade de Kansas.

O avô era uma das mais proeminentes figuras da cidade e das mais abastadas, pelo que ela e a irmã, Muriel, nascida dois anos e meio depois, foram criadas com todo o luxo e carinho possível e estudaram em colégios particulares, pagos pelo avô, que não tinha em grande conta o genro, uma vez que este não conseguia providenciar às necessidades da família.

Falhando no seu trabalho como advogado, Edwin começou a trabalhar nos escritórios dos caminhos-de-ferro de Rock Island, no Iowa, para onde se mudou com a mulher, deixando as filhas a cargo dos avós.

Amélia tinha 10 anos quando viu o primeiro avião, numa feira de Iowa e comentou que se tratava de “uma coisa ferrugenta e nada interessante”. Apenas uma década depois é que Amélia se interessaria a sério pela aviação.

No ano de 1909, o pai foi promovido, e deu-se uma melhoria na vida da família, mas que apenas serviu para a desintegração desta, por problemas alcoólicos de Edwin.

Em 1914, Amy e as filhas saem de casa e vão viver com amigos para Chicago. A vida luxuosa tinha acabado e de uma família respeitada na sociedade, passaram a ser faladas e dignas de pena. Mas Amy conseguiu sustentar as filhas com um pequeno fundo de maneio e enviá-las para bons colégios, para terminarem a sua educação. Amélia decidiu então seguir a profissão de enfermeira, como a irmã, e serviu como voluntária no Exército, até ao Armistício de 1918.

Em 1919 foi estudar para a Universidade da Columbia, mas em 1920 decidiu largar os estudos e ir viver com os pais, recentemente reunidos, na Califórnia. Alguns meses depois acompanhou o pai a um festival aéreo e aí nasceu a paixão que iria durar toda a vida e causar a sua morte.

No dia seguinte a ter visto os aviões no ar, uma figura alta e magra, de cabelos claros e armada de um capacete e de luvas, fez a sua primeira viagem, sobrevoando Los Angeles. Pouco tempo depois começou com lições particulares de pilotagem com uma outra aviadora temerária, Anita “Neta” Snook, num avião restaurado, baptizado como “O Canário” com o qual teve vários acidentes, mas que nunca a fizeram desistir do propósito de ser aviadora.

Em Outubro de 1922 teve o seu primeiro recorde de voo em altitude, alcançando 14.000 pés. Após este recorde, vendeu o avião e comprou um carro, com o qual fez a travessia até Boston, uma façanha naqueles tempos, acompanhada pela mãe.

No ano de 1925 começou a trabalhar como estagiária na Denison House e acabou por passar a efectiva. Juntou-se também ao Boston Chapter, da Associação Nacional de Aeronáutica, onde promoveu voos especialmente para mulheres.

Na noite de 27 de Abril de 1926, um telefonema mudou a sua vida para sempre. O Capitão H.H. Railey, que ela não conhecia pessoalmente, fez-lhe uma simples pergunta: “Quer ser a primeira mulher a fazer a travessia do Atlântico?”

E assim começou a carreira desta aviadora, que pertenceu a uma das duas equipas que conseguiram vencer o trajecto “Atlântico Norte” na direcção da Terra Nova – Irlanda, em 1928, onde outras onze falharam, a bordo do hidroavião Friendship, com Lou Gordon e Bill Stoltz.

Nesse mesmo ano descolou de Boston e pousou na baía de Trépasses, na Terra Nova, de onde alcançou a Irlanda, em vez do País de Gales, como estava previsto. Desta vez sozinha, tentou o mesmo, a 22 de Maio de 1932, com um Lockheed Veja e apesar de uma avaria no altímetro e um violenta tempestade durante a noite , passou com êxito a costa irlandesa.

Em 1937, apesar da proibição do governo americano, partiu para sobrevoar o Pacífico, dos EUA ao Hawai, numa travessia que tinha tirado a vida a outros três americanos.

Decidiu, no mesmo ano, dar a volta ao mundo. Mas o azar rondava já as asas de Amélia.

Percorridos 37 mil kilometros, com o navegador Fred Nooman, descolou no dia 13 de Julho da Nova Guiné em direcção ao atol de Howland, numa etapa única de 4200 km. A sua última mensagem para a pista de Howland, onde a esperavam foi emitida perto da hora prevista para a chegada: “Não tenho mais que trinta minutos de gasolina, e não vejo terra”. Na mesma altura, o cruzador inglês Achilles recebeu um SOS.

Nada mais se ouviu. E Amélia Mary Earhart desapareceu no céu, deixando atrás de si muitas perguntas sem resposta e um mar de suposições. Foi dito que teria aterrado numa ilha ocupada pelos japoneses, onde morrera no cativeiro, que teria casado com um nativo de uma ilha do Pacífico Sul ou que seria uma espia ao serviço dos Estados Unidos da América e como tal teria sido abatida e capturada.

O que é um facto é que Amélia Earhart deixou a sua marca na história recente da humanidade e como muitas outras figuras, deixou-nos demasiado cedo.

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