Alice Machado: Uma escritora de sucesso

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Alice Machado
Alice Machado

Natural de Trás-os-Montes, Alice Machado partiu ainda muito nova para França, local onde ainda continua a viver. Das encostas íngremes do Norte, saiu uma adolescente com 15 anos, para hoje ser uma mestre das palavras. A entrevista é com… Alice Machado.

“Antes de escrever tenho que ter uma sensação, um toque na alma que me desperte, que me sirva de guia. A inspiração vem daí(…)”. É assim que surgem os livros de Alice Machado.

Alice Machado

Esta escritora residente em França, tem já no seu curriculum obras de extrema importância das quais destacamos, “O Vale dos Heróis”, primeiro romance a ser publicado em Portugal, mas o segundo da escritora.

Desde um aniversário da sua mãe, quando Alice Machado tinha ainda nove anos, que se recorda de ter começado a escrever, pequenas poesias e textos. Segundo a escritora, possivelmente se nunca tivesse abandonado o nosso país, nunca teria começado a escrever: “O choque da ruptura foi tão forte que só as palavras, podiam conter a dor da separação, levar-me mais longe, arrancar de mim o sofrimento(…)”.

No seu primeiro romance, Alice Machado não resistiu e baseou-se no cenário português, antes da Revolução de Abril, que romperia com a ditadura em vigor. O livro “A L’Ombre des Montagnes Oubliées”, fala das dúvidas e dissabores da sociedade.

“Alice tem sete anos, quer compreender o mundo em que vive, a injustiça, as guerras coloniais, numa aldeia do Norte.” Interrogações interiores, que se mantêm no decorrer de todo o livro.

No livro “O Vale dos Heróis”, o primeiro em Portugal, a história retrata um menino, Gabriel, que vive na luta constante para manter as marcas históricas do local onde reside: Vale de Foz Coa. É a dualidade entre o progresso e o passado e, Alice Machado declara que, “De uma certa maneira o Gabriel também faz parte de mim, do meu passado nas montanhas do Norte de Portugal, os meus sonhos de criança”.

Confrontada com o papel das mulheres a escritora afirma: “Em Trás-os-Montes, vivi sempre num universo feito pelos homens e para os homens, onde a maior parte das mulheres eram humilhadas, rodeadas de filhos, pisadas pelo homem(…).

Isso revoltava-me.” Considerando a mulher psicologicamente mais forte que o homem, Alice Machado, sempre foi fascinada por uma mulher em particular: a Padeira de Aljubarrota.

Saudades de Portugal, tem muitas. Quando se fala em português, Alice recorda: “É como se voltasse a ser criança, nos braços da minha mãe(…), é encontrar histórias que as minhas avós me contavam(…), e também o nosso fado. Mesmo as cores do nosso céu, tão diferente dos outros céus”.

Alice Machado aprecia muito ler Eça de Queiróz, Aquilino Ribeiro, Camões, Florbela Espanca, Fernado Pessoa, Marguerite Duras, Oscar Wilde, Nikos Kazantzaki, entre tantos outros nomes da literatura nacional e internacional. Logo, as palavras são muito importantes para si: “São fragmentos de pensamento, viagens, luzes de alma, sonhos(…)”

Um excerto do livro “Vale dos Heróis”, com o qual Alice Machado contempla os nossos visitantes é: “Os Heróis fazem parte do Sonho da Criação, Gabriel. São um pouco a imagem dos homens que desenharam nas rochas do nosso vale e que, mesmo depois da morte, continuam vivos…”.

Pratica Yoga e Karate, ouve música e visita exposições. Alice Machado, declara ter ainda muitos sonhos… Mas um deles, seria sem dúvida, “Visitar Goa”. Congratulada com a medalha de honra do Parlamento Português atribuída por Jorge Sampaio, como prova da nobreza do seu trabalho, Alice Machado marca o seu lugar no universo da literatura.

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