Crónica: O Ping-Pong das autárquicas

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Cronistas da MulherPortuguesa
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Hoje pode ser o dia em que começa um novo ciclo para Lisboa, ou então a continuação do período anterior. Não me cabe a mim julgar os candidatos às autárquicas, mas esta campanha tem sido um ping pong de acusações.

O Ping-Pong das autárquicas

Nunca compreendi muito bem porque é que os políticos são assim. Em vez de darem a conhecer às pessoas os seus projectos, limitam-se a criticar os mandatos anteriores, o erro x, o deslize y, aquela vez em que, há 5 anos atrás, disse “aquilo” e agora diz “isto”.

Falam demais os candidatos à Câmara Municipal de Lisboa, mas dizem muito pouco. Criticam ainda mais, mas apresentam poucas soluções ou, quando o fazem, limitam-se a vaguear por ideologias utópicas e completamente impossíveis de serem adaptadas à realidade.

Nuno Garcia, Santana Lopes, Paulo Portas, Miguel Portas, e João Soares, da coligação “Amar Lisboa”, são os protagonistas desta corrida à Câmara Municipal de Lisboa, que se avizinha bastante renhida para dois candidatos: João Soares e Pedro Santana Lopes.

As sondagens não são passam disso mesmo, meras sondagens, mas a verdade é que podem ser o espelho mais fiel do futuro de Lisboa. Pedro Santana Lopes tem vindo a subir, João Soares a descer, e a luta pela pódio parece ser um mistério difícil de desvendar.

Porém, o empate entre dos dois mantém-se! Só logo mais se poderão ter certezas, mas a verdade é que todos os candidatos se mostram optimistas, mesmo aqueles que, à partida, deviam ter consciência da sua humilhante derrota.

A abstenção parece ser ainda um problema, por isso os candidatos não se cansam de apelar ao voto. Os jovens são aqueles que menos votam, talvez porque desde muito cedo deixaram de acreditar nas falsas afirmações de quem promete, mas que no fim acaba por nunca cumprir.

Já há algum tempo na Câmara Municipal de Lisboa, a coligação PS/CDU parece estar a ser realmente abalada pelo homem que sempre sonhou, e continuará a sonhar, com a liderança do partido laranja. Nas ruas é visível a forte presença do candidato Santana Lopes, mas há ainda quem pareça estar bastante satisfeito com João Soares e receia “trocá-lo” por alguém que, pelo menos no seu partido, nunca conseguiu levar avante as suas ideologias.

Todavia, há ainda que analisar outra vertente: o poder de persuasão e as próprias defesas de João Soares face aos ataques dos seus opositores, principalmente de Santana Lopes, deixa muito a desejar. O debate transmitido pela SIC entre os dois candidatos foi prova disso: Santana atacava e Soares ria-se, à procura dos argumentos que lhe faltavam, simplesmente por não os possuir.

No entanto, a persuasão, o poder comunicativo ou a capacidade de argumento não são tudo para garantir a vitória. Paulo Portas, por exemplo, conhecido por ser um efervescente beijoqueiro por onde quer que passe, é o modelo do orador determinado, sempre com palavras acessíveis a todos e facilmente descodificáveis, com uma entoação sedutora, mas que parece não ter conseguido convencer o eleitorado para a vitória, isto segundo as sondagens.

Nem os beijos, os abraços, ou a indignação que parece provir da sua pessoa, quando se encontra com pessoas, e em lugares, mais desfavorecidos socialmente, moveu os lisboetas para lhe dar um voto de confiança. E, já disse alguém, que o povo nunca se engana!

O Bloco de Esquerda, Miguel Portas, ou o MRPP, Garcia Pereira, parecem rondar apenas os 1 % de votos, segundo as sondagens, que é como quem diz foram derrotados ainda pelas sondagens para depois confirmarem essa probabilidade com os resultados de logo à noite.

O problema das autárquicas é que muitas pessoas continuam ainda a ver a pessoa, como se esta fosse a cor do partido no qual é filiado. Por isso, vai ser difícil encontrar um comunista a votar no Santana Lopes, ou um militante do PP a colocar a cruz na coligação “Amar Lisboa”.

Ainda assim, e embora possa ser complicado, Santana Lopes representa quase um fora da lei no PSD, alguém que defendeu sempre os seus ideais, mesmo que estes fossem opostos aos de muitas personalidades laranjas. Por isso, foi “persona non grata” em muitas ocasiões, e teve problemas no seio do partido em determinados momentos. Talvez por isso, comunistas, socialistas, ou mesmo adeptos do PP, o encarem como um membro laranja diferente dos restantes!

De João Soares já muito se tem dito: Lisboa evoluiu em algumas coisas, por isso é que os lisboetas o colocarem à frente da Câmara mais do que uma vez, mas os problemas na capital continuam ainda a ser em larga escala.

Certo é que esses problemas devem ser referidos nas campanhas, mas não se deve fazer destes, praticamente, o conteúdo do programa autárquico. Afinal, durante o mandado vão fazer o quê? Criticar os antecessores?

João Soares tem também figuras importantes a apoiá-lo, nomes de reconhecimento nacional que pesam sempre no momento do voto. Estou-me a recordar de Mário Soares e de Álvaro Cunhal, marcos importantes para os dois partidos mais antigos de esquerda.

Aliás, o apoio de Álvaro Cunhal a João Soares foi como que uma senha para que todos os comunistas dessem o voto à coligação, e foi também o impulso a muitas pessoas de esquerda que, mesmo não tendo preferências políticas, vêm em Cunhal um marco importante para a história, não só do PCP, como da democracia. Quanto ao apoio de Mário Soares, julgo que não há muito a comentar: era perfeitamente previsível!

Estas eleições para a Câmara Municipal de Lisboa têm estado a ser particularmente competitivas. Nota-se um empenho ímpar dos candidatos e uma necessidade de ganhar um lugar por Lisboa.

Cada um com a sua estratégia, uns mais convincentes que outros, uns mais beijoqueiros e charmosos que os demais, uns mais risonhos que os restantes, a verdade é que até se conhecerem os resultados o suspense será grande.

Amanhã, Lisboa terá um novo patrono ou continuará exactamente com a mesma imagem de há alguns anos a esta parte! Prognósticos…só mesmo quando se souberem os resultados!

Cronista Mulher Portuguesa: Ana Amante

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