Crónica: Afinal o mundo não acabou

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Cronistas da MulherPortuguesa
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Devo começar por dizer que esta crónica está a ser escrita no dia 31 de Dezembro, ou seja, ainda não chegou ao ano 2000. Trata-se de um texto carregado de tensão pré-milenar, essencialmente causada pela ameaça Y2K: o bug!

O mundo não acabou

Quanto mais não seja, a ameaça de que o dito bicho poderá frustrar o trabalho que estou a ter neste momento e devorar este e muitos outros textos antes que cheguem ao seu destino: o leitor.

No entanto, se está neste momento a ler-me, é sinal de que o bug, afinal, não passava de um bicharoco inofensivo e, pelos vistos, não fez das suas. Tanto o conteúdo dos computadores pessoais – neste caso o meu – como a integridade das telecomunicações sobreviveram à ameaça e deitaram a língua de fora aos mais cépticos engenheiros.

E se está, realmente, a ler-me, então é sinal de que o mundo também não acabou – independentemente do bug que, caso actuasse em larga escala, seria o fim do mundo apenas para os informáticos e cibernautas. O facto de ainda estarmos por cá talvez seja uma grande frustração para as mentes mais apocalípticas…

Talvez o Paco Rabanne ainda vá a tempo de recuperar parte do império de que se desfez com medo do grande Armageddon. Pois é, como vêm, não havia motivo para tanto, afinal cá estamos, mais lixo, menos lixo, e tudo indica que vamos continuar, a menos que antes do ano 3000 exista mais alguma data simbolicamente associada ao fim do mundo.

Uma espécie de plano B para o caso de o plano A – A de Apocalipse – falhar na data prevista, o que, pelos vistos, aconteceu.

Contudo, é provável que haja ainda quem não esteja totalmente dentro do ano 2000 (não contando com a maioria não-cristã da população mundial, para quem o ano 2000 ou já passou ou ainda está para vir).

Há quem traga ainda uma ressaca do século passado, que impede a consciência de se aperceber que já saiu de 1999. Nada que Guronsan e água mineral não acabem por resolver.

No entanto, perde-se a memória da grande festa que tivemos o privilégio de viver: a entrada em simultâneo num novo século e num novo milénio. Só daqui a mil anos é que isto se repete, e infelizmente o álcool não contribui para nos conservar vivos até lá.

Com bug ou sem ele, a ressacar ou talvez não, com tantos loucos no mundo e apesar do clima tenebroso, que este seja o melhor milénio de sempre!

Cronista da Mulher Portuguesa: Patrícia Esteves Nunes

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