Crónica: Ò da Guarda !!

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Cronistas da MulherPortuguesa
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É o que qualquer pessoa pode gritar quando realmente necessita de um polícia. Mas nem sempre a chegada destes lhe vai resolver o problema. O melhor mesmo é ir gritando: Ó da guarda!!

Ó da guarda!!

A ideia para esta crónica surgiu-me ontem à noite, mas deve andar na mente de todas as pessoas que já alguma vez foram vítimas de uma injustiça ou assistiram a algo onde a polícia, mesmo chamada a intervir , não o fez consoante os desejos de cada um.

Por um lado, compreendo que algo daquilo que podemos encarar como inactividade das forças policiais se fique a dever às leis que estão mais do lado dos ladrões e outros que tais, permitindo aberrações do género das que ilibaram Pedro Caldeira de todas as acusações ou fizeram prescrever o caso do AquaParque, ou ainda dos juizes que permitem que delinquentes apanhados em flagrante pela Polícia sejam colocados em liberdade algumas horas depois.

Por outro lado não posso compreender porque é que em certas situações, estas forças da ordem pura e simplesmente não queiram actuar como o previsto. E voltamos à noite de ontem. Resido numa zona perto de um bairro de habitação social, e em algumas áreas habitado apenas por pessoas de etnia cigana. Ontem, por qualquer motivo, havia uma reunião nessa rua e os senhores entenderam por bem colocar os carros, carrinhas e afins a ocuparem toda a estrada, estacionando sem reparar que iriam cortar a circulação.

Resultado, ao viajar no autocarro, o motorista avisou os passageiros que teria de fazer um desvio porque não podia passar por ali. Às reclamações destes respondeu simplesmente que, três horas atrás havia prevenido a polícia mas esta nada fizera até àquela altura.

Resultado, os passageiros que pagaram o seu transporte, viram-se obrigados a um desvio forçado porque a polícia não esteve para intervir naquele caso. No entanto, todos os condutores sabem bem que à menor transgressão de estacionamento verão brilhar no pára-brisas o fiel bilhetinho que lhes indica a multa passada.

Mas como este, posso indicar outros exemplos que nada têm a ver com automóveis mas são bem mais graves. Passavam poucos minutos das três horas da manhã, quando um barulho de vidros partidos me alertou para um assalto num estabelecimento perto da minha casa. Enquanto alguém assistia e tirava os dados dos assaltantes, fiz o que qualquer cidadão preocupado deve fazer: avisei a polícia.

Cinquenta minutos depois – nada. Em fúria liguei de novo para a esquadra e a resposta foi que, pasme-se: não havia carros disponíveis!! Sem mais comentários.

Infelizmente, estes não são casos isolados e qualquer dia nem mesmo poderemos gritar Ó da guarda porque esta pode vir a estar ocupada a limpar os bastões com bolor por falta de uso.

Cronista da Mulher Portuguesa: Maria do Carmo Torres

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