Eu Estava Primeiro!

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Esperava calmamente a minha vez de entrar no bolíde quando uma senhora sem ser de modas, se alambassa à minha frente e de outras pessoas…

Ali estava eu, na paragem do autocarro, num fim de um dia bastante frio. E eis que chega o tão esperado autocarro (que com estas coisas da Carris nunca se sabe). Esperava calmamente a minha vez de entrar no bolíde quando uma senhora (chamo-lhe assim para não ter de colocar aqui aqueles curiosos símbolos que os desenhos da Disney costumam ostentar) sem ser de modas, se alambassa à minha frente e de outras pessoas. E quando alguém ainda lhe ousou enviar uma boca, levou com um daqueles olhares tipo: ‘Mas o que é que queres, ó pacóvio?’

Por mais que puxe pela memória, raramente me lembro de locais onde prolifere mais a má-educação, a falta de vista e a surdez profunda do que nas paragens dos autocarros.

Não falo apenas das que ficam perto das escolas e em que os meninos portugueses bem comportados aproveitam para fazer mosh sobre os que estão à frente e de quem tem de os aturar, mas também de senhoras (sim, são mesmo elas as piores) que parecem usar os olhos apenas como mostradores de rímel, eye-liner, sombras e lápis, produtos em que carregam de tal forma que ficam com a visão nublada.

Na lista constam ainda as pessoas de mais idade que se aproveitam disso para passar à frente de todos e depois acusam graves problemas de surdez quando confrontadas pela situação, dando mesmo péssimos exemplos de cidadania aos jovens rebentos de que, por vezes, se fazem acompanhar.

Também já tenho visto mães babadas e babosas que levam os amáveis rebentos até às paragens e, sorridentes, se colocam estrategicamente à frente e os vêem subir sem respeitar nada nem ninguém.

A minha sugestão vai para a comercialização de uns óculos (da moda, claro) com uns pequenos retrovisores para que se possa ver o que está atrás e uns pequenos holofotes (estes bem mais importantes) para ver o que está à frente.

Mas afinal anda tudo bêbado ou com uma grosseira falta de vista? A mim, pelo menos sempre me ensinaram que se deve respeitar SEMPRE quem está à minha frente, seja no supermercado, nos serviços públicos e em especial nas paragens. Parece-me que um dia, quando tiver de ensinar os meus filhos, terei de tirar um curso de má-educação para que eles não fiquem prejudicados e percam o lugar no autocarro para uma pessoa que tenha acabado de chegar. Afinal, cada vez mais estamos no mundo do ‘desenrasquem-se!’.

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