Pop Art de David McCarthy

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Pop Art de David McCarthy da Editorial Presença

Pop Art

Pop Art é um título da Editorial Presença, que chega até nós pelas mãos do autor David McCarthy para todos os interessados em movimentos de arte contemporânea, trata-se duma abordagem ao mundo da Pop Art em que os artistas reproduzem o quotidiano óbvio, não reinterpretado, não filtrado, apenas confirmado na repetição mais ou menos fiel, e inspiram-se na sociedade de consumo, nos seus símbolos e ritos quotidianos.

No início dos anos 60, em pleno século XX, o furor dos expressionistas abstractos que dominara a cena do decénio anterior, extingue-se de repente. Em vez de grandes telas cobertas raivosamente de tinta, surgem imagens retiradas do mundo popular, desde a banda desenhada até aos géneros alimentícios vendidos nos supermercados.

Passa-se, portanto, da exibição da complexa interioridade do artista para a reprodução do quotidiano óbvio, não reinterpretado, não filtrado, apenas confirmado na repetição mais ou menos fiel.

Ainda antes desta tendência se afirmar nos E.U.A, já os artistas ingleses se inspiram na sociedade de consumo, nos seus símbolos e ritos quotidianos, e, em 1952, forma-se, no seio do Institute of Contemporary Art de Londres, o Independent Group, constituído por artistas, arquitectos e críticos.

Em 1956, Ridlard Hamilton (1922) figura, ao lado de Peter Blake (1932), David Hockney (1937) e Allen Jones (1937), entre os principais representantes de pop art inglesa. A sua colagem intitulada Just what is it that makes todays homes so different, so appealing?, que pretende questionar a originalidade das casas modernas, mostra a sala de estar de um apartamento repleto, ou melhor, a abarrotar de produtos da sociedade de consurno: o gravador, a televisão, o aspirador, e mesmo a pin up e o culturista, que segura um gigantesco chupa-chupa Pop.

O sen5e 0{ humor de Hamilton é requintadamente inglês; enquanto os artistas pop americanos recorrem a uma linguagem mais directa, por vezes mesmo brutal, os ingleses recorrem a processos subtis e provocatórios.

As referências ao sexo e ao erotismo também são mais sarcásticas nas obras dos artistas britânicos: em Hatstand, Table/ Chair (1969), Allen Jones utiliza manequins femininos idênticos colocados em diferentes poses, para denunciar a condição de mulher-objecto, as perversões sado-masoquistas e o kitsch potencialmente presente em todas as práticas quotidianas.

Nos E.U.A. Andy Warhol (1928 -1987) repete a imagem de um produto sempre presente na I despensa de qualquer famftia americana média, as latas de sopas Campbell, ou alinha caixas de I detergente Brillo, como se estivessem na prateleira de um supermercado, sem revelar qualquer ironia, I mas reflectindo apenas os gostos e os hábitos alimentares predominantes na sociedade americana do I seu tempo.

É com o mesmo desencanto que Warhol olha para um objecto ou para uma personagem I famosa, consumida através da imprensa ou da televisão como um produto comestível. Um aspecto I mais lúdico caracteriza as obras de Roy Uchtenstein (1923-1997), que reproduz, ampliando-os, excertos de banda desenhada: os heróis e as heroínas, retirados do contexto original, surgem como figuras muito mais improváveis.

Corno improváveis acabam por ser os objectos supra-dimensionados de Claes Oldenburg (1929): um interruptor construído em material mole, uma colher de pedreiro monumental, hambúrgueres, tortas e alimentos vários em matéria plástica e de cores berrantes.

Os nus de Tom Wesselman (1931) provocam efeitos paródicos: uns põem em evidência os seios, a púbis e os lábios; outros reproduzem maliciosamente as pin up dos cartazes publicitários.

Apesar das diferentes origens, ao longo de toda uma década, a Pop foi um dos movimentos centrais I da arte britânica e americana, impondo várias personalidades como artistas de 1ª categoria, afectando directamente, em todo o mundo, o curso da arte subsequente e reconfigurando o nosso entendimento da cultura do século xx.

A Pop Art evitou deliberadamente as severas criticas de algumas ~ manifestações do modernismo, em prol de uma arte que era tanto visual como verbal, figurativa e abstracta, criação e apropriação, arte manual e produção em massa, irónica e sincera, complexa e dinâmica como o momento, e como os artistas que lhe deram vida.

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