Portugueses insatisfeitos com centros de saúde

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Esperas intermináveis pelas consultas, falta de informação sobre os serviços disponíveis e a forma de marcar as consultas, impossibilidade de escolher o médico de família, mau funcionamento dos serviços administrativos? Eis as Portugueses insatisfeitos com centros de saúdeprincipais queixas de quase 5 mil utentes dos centros de saúde inquiridos pela DECO/PRO TESTE.

(TESTE SAÚDE n.º 48 – Abril/Maio de 2004 – páginas 9 a 13)

Esperas intermináveis pelas consultas, falta de informação sobre os serviços disponíveis e a forma de marcar as consultas, impossibilidade de escolher o médico de família, mau funcionamento dos serviços administrativos… Eis as principais queixas de quase 5 mil utentes dos centros de saúde inquiridos pela DECO/PRO TESTE e divulgadas na edição de Abril da revista TESTE SAÚDE.

Segundo aquela revista da DECO, quase um terço dos inquiridos espera, pelo menos, um mês por uma consulta com o médico de família. Uma eternidade, sobretudo, quando comparamos os dados com os de Espanha, onde um estudo similar revela que a maioria consegue marcar a consulta de um dia para o outro. Entre nós, são as regiões do Norte e do Algarve que mais sofrem com este problema.

Nas consultas da especialidade (ortopedia, dermatologia, etc.), as listas de espera parecem ser ainda maiores, já que 60% dos portugueses afirmam esperar, no mínimo, um mês para serem atendidos. O caso mais flagrante é o dos algarvios: metade dos utentes diz-se obrigada a aguardar mais de dois meses.

Chegado o dia da consulta, o martírio continua. Cerca de um quarto dos utentes permanece, pelo menos, duas horas na sala de espera, antes de ser atendido pelo médico de família. O mesmo acontece a um em cada cinco inquiridos, nas consultas da especialidade. Os algarvios são, de novo, os utentes a quem é exigida mais paciência.

Se o médico de família enviar o doente para uma consulta hospitalar, a situação complica-se: um em cada cinco portugueses refere esperar, no mínimo, dois meses por uma consulta pedida com urgência. Se a situação não for urgente, metade dos utentes esperam, pelo menos, dois meses.

Com estes resultados, refere a TESTE SAÚDE, não é de estranhar que os utentes se mostrem insatisfeitos com o funcionamento do centro de saúde, sobretudo ao nível dos tempos de espera. Mas não só. A forma de marcar as consultas também levanta problemas: um em cada três utentes diz que tem de deslocar-se pessoalmente ao centro de saúde para efectuar a marcação, já que nem sequer é permitido fazê-lo por telefone.

A competência e eficiência dos serviços administrativos e o atendimento telefónico são outros aspectos que merecem nota negativa.

Ao nível da informação prestada pelo centro de saúde, os utentes também se revelam insatisfeitos, sobretudo porque desconhecem a forma de marcar as consultas, os serviços disponíveis e a possibilidade de escolher o médico de família. Os algarvios são, mais uma vez, os que se mostram mais descontentes.

O médico de família foi o que mereceu a avaliação menos severa dos utentes, embora os níveis de satisfação se fiquem pelos mínimos aceitáveis. As pessoas que tiveram a possibilidade de escolher o médico de família mostram-se bastante mais satisfeitas do que as restantes. A nível geral, a pontualidade do médico e o tempo da consulta são os aspectos que merecem maiores reparos.

O estudo da DECO/PRO TESTE revela ainda que os portugueses recorrem mais aos serviços de saúde públicos. As grandes excepções são as consultas especializadas, onde predominam os privados. Certamente, porque os serviços públicos não dão uma resposta eficaz, em tempo útil. As consultas ao dentista assumem particular destaque, sendo menos de 9% os inquiridos que recorrem ao Serviço Nacional de Saúde para tratar da saúde da boca.

Perante os resultados deste inquérito aos utentes, a DECO/PRO TESTE considera que os centros de saúde têm de entrar urgentemente em tratamentos intensivos, para poderem dar resposta às reais necessidades da população. Os utentes exigem, por isso:

¡ uma resposta rápida aos seus problemas de saúde. É conhecido o problema da falta de médicos no Serviço Nacional de Saúde, que tende a agravar-se nos próximos tempos. Então porquê tanta dificuldade em abrir novos cursos de medicina? É indispensável que o Governo tenha coragem política para resolver o problema de uma vez por todas;

¡ a integração de mais especialidades, como a estomatologia, e exames de diagnóstico (RX, ecografia, etc.) nos centros de saúde. Além de desentupir os hospitais e reservá-los para situações mais graves, esta medida beneficiaria quem reside a muitos quilómetros dos hospitais;

¡ melhor organização dos serviços e maior flexibilização na marcação das consultas, para que as salas de espera não estejam sempre apinhadas de gente. É inaceitável, por exemplo, que ainda haja centros de saúde a não aceitar marcações pelo telefone ou a reservar apenas um dia por semana ou por mês para marcar as consultas;

¡ mais informação sobre os serviços disponíveis no centro de saúde, a forma de marcar as consultas e a possibilidade de escolher o médico de família. Ter, de vez em quando, um folheto com estas informações na caixa do correio aumentaria a satisfação dos utentes;

¡ mais atenção do médico de família e maior envolvimento dos pacientes nas decisões que dizem respeito à sua saúde.

DECO/PRO TESTE (www.deco.proteste.pt)

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