Gente feliz com lágrimas, um filme português a não perder

2026
Gente feliz com lágrimas
Gente feliz com lágrimas

Gente feliz com lágrimas, a adaptação do livro de João de Melo pela mão de José Medeiros promete trazer até à televisão portuguesa um dos melhores momentos de sempre no que respeita a séries televisivas.

Gente feliz com lágrimas

Foram precisos dez anos à espera de apoios para montar e filmar o romance de João de Melo, ‘Gente feliz com lágrimas’, um livro acerca da condição humana, em especial numa área portuguesa tão esquecida como os Açores sempre foram.

O livro, e agora o filme, conta a história de uma família açoriana que vive as últimas décadas de um Portugal em mudança e que sofre a solidão e a pobreza desse povo, quase sempre sem deixar perder a esperança.

Foi apenas em Setembro que José Medeiros conseguiu iniciar as filmagens da série televisiva que terá a duração de cinco episódios, após sucessivos adiamentos. As primeiras filmagens tiveram lugar na Ribeira Funda, em S. Miguel e depois a equipa irá seguir para Lisboa e depois para o Canadá. As filmagens nos Açores retratam a infância dos personagens e têm contando com a participação de muitos dos naturais da ilha.

Esta iniciativa marca ainda o regresso da RTP Açores às grandes produções televisivas. A opção do realizador foi dar uma visão muito sua do romance, para o qual conta com as participações de cerca de 50 actores, alguns já uma presença permanente no seu trabalho.

Os protagonistas são Miguel Guilherme e Ana Padrão, que encarnam Nuno Miguel e Marta, as personagens principais do romance. Ruy de Carvalho, Leandro Vale, Adelaide João, Natália Marcelino, Belarmino Ramos e José Rui Martins são outros dos actores que participam na produção. A série poderá estar nos ecráns portugueses em Setembro de 2001, estando também prevista uma montagem para versão de telefilme.

Com percursos semelhantes em alguns aspectos, João de Melo e José Medeiros são ambos açorianos que procuraram a fortuna no Continente.

O realizador de ‘Xailes Negros’ e ’Mau tempo no canal’, José Medeiros, nasceu em Vila Franca do Campo, Açores, a 8 de Dezembro de 1951. Em 1976 entrou para os quadros da RTP Lisboa, onde trabalhou alguns anos e regressou depois aos Açores, em meados dos anos 80 para continuar a carreira de realizador na RTP – Açores.

Destes trabalhos televisivos destacam-se em 1986 os ‘Xailes Negros’, em 1987 a ‘Balada do Atlântico’, em 1989 ‘O Barco e o Sonho’, em 1992 ‘Mau Tempo no Canal’, em 1995 ‘O Feiticeiro do Vento’, em 1996 o ‘Pepe Fotógrafo e as Valsas do Mundo’ e em 1998 ‘7 Cidades’.

Para além da faceta de realizador José Medeiros tem mantido uma actividade regular como músico e participou como autor e intérprete em vários projectos discográficos, como por exemplo ‘Caminhos’ de Dulce Pontes, ‘Alma’ dos Ala dos Namorados, ‘Encontros’ de João Loio e ‘Voz e Guitarras’ de vários artistas.

João de Melo nasceu em Achadinha, Ilha de S. Miguel em 1949. Aos 11 anos, deixou a sua ilha natal para prosseguir os estudos no continente, como aluno interno do Seminário dos Dominicanos, que abandona em 1967, passando a viver em Lisboa. No Diário Popular publica o seu primeiro conto aos 18 anos e a partir de então publicará contos, crítica literária e poemas em diversos periódicos de Lisboa e dos Açores. A obra de João de Melo prende-se muito especialmente com os retratos traçados sobre as vivência das comunidades rurais dos Açores.

Uma produção que vem provar que em Portugal, e nas ilhas, também se sabe fazer cinema.

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