A arte da sedução

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Seduzir, utilizando um termo mais correcto, é algo intuitivo, impulsivo e cada qual tem as suas próprias armas e meios.

A palavra engate é cada vez mais utilizada no decorrer dos tempos modernos. Os nossos amigos, ao falar-se da noite de Sábado que, terminou dentro de um automóvel com os vidros estranhamente embaciados, prontificam-se automaticamente a exibir o seu troféu carnal: “Engatei uma miúda na discoteca e, só não saí também com a amiga, porque tinha que me levantar cedo no dia seguinte!”. Isto é real, acontece todos os dias, todas as noites e a toda a hora. O mais bizarro desta situação é que o chamado “engate” não tem regras, limites ou um manual exclusivo para essse efeito.

Seduzir, utilizando um termo mais correcto, é algo intuitivo, impulsivo e cada qual tem as suas próprias armas e meios. Lógico, que não se chega perto de alguém e se diz: “Vou-te engatar!”. Há toda uma componente por trás de tudo isto: são os olhares intensos, a forma como cada um se movimenta, a postura, os gestos, os copos que descadaramente são oferecidos, sem se perceber de imediato qual o verdadeiro motivo. Este processo acumula um conjunto de sinais, que se forem correctamente entendidos, facilmente permitirão alcançar a “presa” escolhida.

Tudo acontece como se de um jogo se tratasse, cujo principal objectivo é ganhar um momento agradável com a outra pessoa. Esta linguagem universal precisa ser decifrada, ou seja, tem que existir uma comunicação corporal que no preciso instante possibilite um evoluir dos acontecimentos. Mas atenção… se num restaurante alguém nos observa demasiadamente, pode ser por estar a observar a nossa camisola branca suja de molho chinês ou por achar ridículo que tenhamos vestido um casaco de cabedal, em pleno mês de Agosto. Isto para demostrar que o olhar demorado por si só, não revela o interesse de seduzir, podendo ter várias interpretações que não interessam para o tema em causa.

Não se aprende a seduzir com o amigo ou o vizinho. Isso é algo que nasce connosco, faz parte da nossa natureza impulsiva, do nosso lado instintivo e por vezes predador. As mulheres, utilizam muitas vezes posturas típicas, que se traduzem por estar a seduzir: enaltecer o peito, mexer em demasia as ancas, sorrir de forma mais espontânea exibindo estrondosas gargalhadas de forma a cativar a atenção, o olhar de relance ou fixamente, o cruzar de pernas, o tocar no pescoço. Para muitos homens e mulheres, este processo sedutivo é algo que tem um período limitado, ou seja não há interesse em prolongar a relação entre ambos. Trata-se apenas de um teste para definir as suas qualidades, um desafio, um exercício de forma a preencher o seu ego.

A arte do engate tem, normalmente, os mesmos panos de fundo: bares, discotecas, restaurantes, e todo o tipo de festas. A noite, é a perfeita aliada para estes jogos de sedução e, se tiver como cúmplice um pouco de álcool…melhor ainda! Mas, estudos demonstraram que é a mulher quem comanda a situação, senão vejamos: num bar com uma luz amena, um homem aborda uma mulher, sózinha ao canto do balcão, depois de a ter estado a estudar durante 30 minutos. Bebem-se dois, três copos, dançam-se duas, três músicas, volta-se para o balcão e bebe-se mais um copo. O homem tenta atacar e a mulher faz-se despercebida. Sorri. Dança uma vez mais e o homem ferve de inquietação…O jogo prossegue. Mas, quem o comanda? A mulher! Está nas mãos delas envolver-se ou não, ir mais além ou retirar-se com classe e requinte.

A palestra está dada e os conhecimentos expostos. Há que seduzir e deixar-se seduzir, ou então, permanecer no seu canto, alheia a estes jogos de “engate”. Cada um tem a oportunidade de decidir por si, ir mais além… ou manter-se fora deste jogo típico das sociedades modernas. Saiba decidir por si, racional ou irracionalmente, como preferir…

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