Tz´u-hsi, a Imperatriz Dragão

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Tz´u-hsi, a imperatriz dragão
Tz´u-hsi, a imperatriz dragão

Os antigos chineses acreditavam que o nascimento de uma rapariga apenas trazia azar para a família e isso mesmo está escrito no ‘Livro de Odes’: ‘quando o recém-nascido é uma rapariga, ela não precisa de um colchão mais suave que um simples tijolo’ foi neste contexto que nasceu Tz´u-hsi.

Tz´u-hsi

O choro de uma menina no dia 29 de Novembro de 1835 não fez ninguém pensar que se tratasse de uma criança especial, que viria a provar à sua família que havia muitas vantagens em ter nascido rapariga.

Seria a mulher que reinaria sobre os destinos da China Imperial por mais de meio século, e que ficaria conhecida como Imperatriz Tz’u-hsi, a Rainha Viúva ou a Senhora Dragão, (em parte devido ao talher (pauzinhos) que usou enquanto viveu no palácio, de ouro puro com dois dragões gravados).

Hui Cheng, mantinha um cargo hereditário como capitão no exército dos Oito e era tido como um homem falhado, que até à data da morte não tinha conseguido nem mesmo uma subida de posto. Era também conhecido pela sua má sorte nas mesas de jogo e pelas visitas aos bordéis.

Acerca da mãe de Tz’u-hsi absolutamente nada é conhecido, embora existam registos que a apresentam como ‘uma grande senhora de muitas habilidades e enorme bom senso, elegante e distinguida mesmo entre os membros do seu clã, sempre notada pela sua inteligência’. Outro biógrafo garante que a mãe de Tz’u-hsi era de uma enorme beleza e muito bem preservada na meia idade.

O nascimento de Tz’u-hsi é apontado como tendo acontecido em Pequim, mas não existem relatos fidedignos acerca do assunto. O seu nome de baptismo foi Yehonala ou Yehenara.

Curiosa acerca do mundo dos adultos, não conseguia parar sossegada e portar-se como as outras raparigas da sua idade. Era conhecida pelas suas mudanças de humor e por se meter em alguns sarilhos, o que lhe valeu a alcunha de ‘pequena Chao’.

Como primogénita, sentia-se maltratada, negligenciada e mal-amada, e passou a adolescência criando os véus e as máscaras que escondiam uma inteligente mas infeliz rapariga. Como milhares de raparigas antes dela, também foi submetida à operação que lhe reduziu os pés ao tamanho mínimo, o que a fazia caminhar com suposta graça e calma.

Tinha apenas 14 anos quando foi nomeada como candidata a concubina, o que era uma honra para ela e também uma hipótese de escapar à miséria familiar. Rezam algumas histórias que Tz’u-hsi terá enganado a comissão de escolha das candidatas a concubinas, que teriam de ser virgens. Como não era, terá subornado a mulher que a examinara com um par de brincos de jade.

Ao alcançar os 16 anos, foi escolhida para ser concubina e aos 18 anos tinha completado a aprendizagem necessária para se tornar uma concubina real do imperador Hsien-feng.

No palácio, a paixão do Imperador por Tz’u-hsi não aconteceu de imediato e ela teve de esperar cerca de dois anos para ser chamada à cama real, o que aconteceu quando tinha vinte anos de idade e se tinha tornado uma verdadeira beldade. Mas quando passou a ser a preferida do Imperador, tornou-se também o centro de intrigas e invejas.

A Imperatriz Tz´u-hsi

A sua subida ao poder ocorreu após ter dado à luz o primeiro filho Tsai Chun em 1856, que viria a ser conhecido como Imperador Tung Chih. Como recompensa por ter dado um herdeiro ao trono, foi promovida de concubina a consorte, e segunda em prestígio depois da Imperatriz oficial, tendo sido dado o título de ‘I Kuei Fei’ (Concubina de Virtude Feminina).

Com a morte do Imperador é Tung Chih que sobe ao trono em 1861 com a idade de seis anos sendo Tz’u-hsi a regente que governava em seu nome, em conjunto com outra consorte do falecido Imperador e um irmão deste.

O poder Tz’u-hsi cresceu à medida que o tempo passava, e mesmo depois do filho estar crescido, foi Tz’u-hsi quem continuou a reinar. Quando T’ung-chih morreu em 1875, ela arranjou as coisas de forma a que lhe sucedesse o seu neto de três anos de idade, Kuang Hsü, embora isto fosse contra as leis de sucessão da China.

A outra consorte do Imperador e Tz’u-hsi continuaram como regentes de Kuang Hsü até à morte da outra mulher, para a qual existem suspeitas de que tenha sido assassinada, e Tz’u-hsi manteve-se como única regente até 1889, quando o imperador atingiu a maioridade.

Entre 1889 e 1898 a Imperatriz manteve-se algo escondida das atividades da corte, mas após a guerra sino-japonesa de 1894-95, quando Kuang Hsü tentou introduzir novas reformas na China, a Imperatriz Dragão saiu do seu recolhimento e impediu-o.

Em 1899 deu o seu apoio aos que combatiam na Rebelião Boxer, mas a China foi derrotada pelas tropas estrangeiras e a Imperatriz foi forçada a aceitar os termos dos invasores. Em 1902 voltou à ribalta para tentar apoiar as reformas às quais se tinha oposto anteriormente.

Um dos seus últimos actos foi o envenenamento de Kuang Hsü, a quem sucedeu uma criança de dois anos de idade, Xuantong que viria a ser o último imperador da China. Tz’u-hsi morreu a 15 de Novembro de 1908, ainda como Imperatriz.

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