Fernando Pessoa, o poeta fingidor português

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Fernando Pessoa
Fernando Pessoa

O poeta é um fingidor, finge tão completamente, que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente. Assim escrevia Fernando Pessoa.

De nome Fernando António Nogueira Pessoa, nasce em Lisboa, a 13 de Junho de 1888, filho de Joaquim Seabra Pessoa e de Maria Madalena Pinheiro Nogueira. É no n.º 4, 4º Esq., do Largo de S. Carlos que se ouve o primeiro choro daquele que iria colocar em palavras as lágrimas da vida.

Neto de um militar e de um jurisconsulto, Fernando Pessoa define a sua ascendência como “um misto de fidalgos e de judeus”, numa nota autobiográfica elaborada a 30 de Março de 1933.

Ambos os pais eram pessoas cultas e com preocupações intelectuais. O pai chegou a ser critico musical do Diário de Notícias.

Após a morte do marido, em 1893 devido à tuberculose, Maria Madalena vê-se obrigada a vender a casa, mudando-se para outra mais pequena, o que interrompe uma infância feliz, agravada pela morte do irmão mais novo de Fernando Pessoa, um ano depois.

Fernando Pessoa

A primeira quadra dedica-a à mãe, escrita em 26 de Julho de 1895, ano do segundo casamento desta com João Miguel Rosa, de quem vem a ter mais cinco filhos, cônsul interino em Durban, África do Sul.

É ali que Fernando Pessoa faz os estudos primários e secundários no convento West Street e no liceu de Durban, sempre com boas classificações. Ganhou o prémio Queen Victoria Memorial, entre 899 participantes, atribuído a um ensaio escolar. Apesar do sucesso escolar, foi sempre um aluno tímido e introspectivo.

Leitor de todas as obras que lhe passam pelas mãos, inicia o seu perfil de poeta aos 13 anos de idade, e cria alguns heterónimos, esboços dos que viriam a surgir mais tarde, como Chevalier de Pas, Alexander Search,Charles Robert Anon, H.M.F. Lecher A.A. Crosse.

Em 1905 volta a Portugal, depois de recusar a matrícula na Universidade do Cabo, e matricula-se no Curso Superior de Letras, onde nem chegou a completar um ano lectivo. Em Lisboa hospeda-se em casa de uma tia.

Com outras aspirações, envereda pelo negócio e funda a Empresa Íbis – Tipografia Editora – Oficinas a Vapor, mas que fecha alguns meses depois. Para ganhar a vida, inicia a sua carreira de tradutor com trabalhos de correspondência comercial estrangeira, que lhe garantiram o sustento.

Passa então a dedicar-se por completo à poesia, inspirado por Antero de Quental, Guerra Junqueiro, Cesário Verde, Almeida Garrett, António Nobre.

A partir de 1912 colabora na revista “A Águia” e conhece Mário de Sá-Carneiro e José Almada Negreiros, que publicam em 1915 os dois únicos números da revista “Orpheu”.

No campo sentimental

No campo dos amores, é em 1920 que conhece Ofélia Queirós, a quem dedica as “Cartas de Amor”. Os outros trabalhos, além das participações em revistas como “Portugal Futurista”, “Contemporânea”, “Athena” e “Presença”, é o próprio autor a salientar, na nota biográfica já referida, as suas obras preferidas: “O que, de livros ou folhetos, considera como válido, é o seguinte: “35 Sonnets” (em inglês), 1918; “English Poems I-II” e “English Poems III”(em inglês também), 1922, e o livro “Mensagem”, 1933, premiado pelo Secretariado de Propaganda Nacional, na categoria “Poema””.

Na política

Na política é um ferrenho anticomunista, anti-socialista e anti-reaccionário, defendendo o sistema monárquico para Portugal, apesar de considerar “completamente inviável para Portugal”, para além de se auto-proclamar “Partidário de um nacionalismo místico, de onde seja abolida a infiltração católica-romana, criando-se, se possível for, um sebastianismo novo, que a substitua espiritualmente, se é que no catolicismo português houve alguma vez espiritualidade.

Nacionalista que se guia por este lema: Tudo pela Humanidade; nada contra a Nação”.

Os heterónimos de Fernando Pessoa

Para além de se dedicar à poesia, o mundo do esoterismo fascinou-o desde sempre, tendo mesmo criado cartas zodiacais para os seus heterónimos, personagens distintas, e que mais fizeram realçar a sua característica puramente Geminiana.

Alberto Caeiro

Alberto Caeiro é um espírito bucólico, nascido em Lisboa em 1889, mas criando no campo. Morreu em 1915, de tuberculose (tal como o pai), e nunca teve acesso à educação, nem a qualquer tipo de profissão.

Álvaro de Campos

Álvaro de Campos é o homem da vida moderna, dos maquinismos, do stress, diria Fernando Pessoa, se já conhece-se o termo. Nasce em 1890, engenheiro, por isso sempre cantando as sensações do modernismo, da mecânica e do fabril, embora para o final da obra caia no tédio e na interrogação sobre o absurdo da existência.

Ricardo Reis

Ricardo Reis foi outro dos mais estudados heterónimos, este dedicado mais ao lado político e aristocrático. Em toda a sua obra, Fernando Pessoa utilizou 27 nomes, entre heterónimos e pseudónimos, num total de 27 mil textos.

A solidão ocupou os últimos anos do poeta, algo comum a toda aquela geração. As perturbações psicológicas a par com o excesso de álcool, levaram a uma crise hepática que provocou a morte a Fernando Pessoa, no dia 30 de Novembro de 1935, no Hospital de S. Luís dos Franceses, onde fora internado. O seu corpo repousa, tal como Camões, no Mosteiro dos Jerónimos.

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