A evolução do feminismo

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Feminista
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Não queremos poder sobre os homens, mas sim sobre nós próprias… O direito de ser tratada como igual, ou mesmo como um ser humano foi conquistado a pulso. Não fora algumas mulheres-coragem, hoje em dia não podia ir votar, ou abster-se desse direito, não poderia exercer cargos públicos e talvez nem soubesse ler. Pode acreditar nisto?

Na Grécia, a mulher ocupava uma posição semelhante à dos escravos e tinha como principal função a reprodução, além da responsabilidade de criar os filhos, fiar e alimentar a família. Eram excluídas do mundo do pensamento, mas já faziam ouvir a sua voz. Em 195 d.C., as mulheres dirigiam-se ao Senado Romano, protestando contra sua exclusão no uso do transporte público e contra a obrigatoriedade de andarem a pé.

Durante a Idade Média muitas mulheres assumiam os negócios da família, devido ao afastamento dos homens, nas guerras ou em longas viagens. Mas depressa começou a tristemente célebre “caça às bruxas”. Por cada dez bruxas assassinadas e torturadas, contava-se um bruxo, uma perseguição à natureza feminina, que se exacerbou no século XVI e é parte da herança de silêncio da mulher.

No período renascentista, a volta da legislação romana fez com que houvesse uma redução dos direitos civis das mulheres, nomeadamente no que respeita a heranças e na representação perante a justiça.

Nos Estados Unidos, a luta pela libertação fez do princípio básico da igualdade a primeira expressão de sua Declaração de Independência: “Todos os homens foram criados iguais”. Na França, no período da revolução, a mulher continua a não ver os direitos conquistados estenderem-se ao seu sexo.

É neste período que o movimento feminista adquire características de acção política, na luta pelos direitos de cidadania, com um discurso próprio visando a autenticidade da luta da mulher. As activistas revolucionárias de França, vão às assembleias, protestam contra as leis que visam submeter o sexo feminino ao domínio masculino e reivindicam a mudança da legislação sobre o casamento, que dava ao marido direitos absolutos sobre o corpo e os bens da mulher.

A inglesa Mary Wollstonecraft, defensora do princípio de direitos naturais do indivíduo, destaca-se como uma das mais relevantes vozes da história do Feminismo, levando suas ideias de libertação às últimas consequências.

No século XIX a mão-de-obra feminina enfrenta jornadas de trabalho de 14, 16 e até 18 horas e baixos salários. O argumento usado: a mulher necessita de menos trabalho e salário, já que deve ter um homem que a sustentasse.

Através de uma luta constante, as mulheres trabalhadoras, romperam o silêncio e projectaram as reivindicações na esfera pública. Em 1910, no Congresso de Copenhaga é proclamado o Dia Internacional da Mulher, comemorado a 8 de Março, data escolhida em 1857, por operárias de uma fábrica têxtil de Nova Iorque para se manifestaram na exigência de melhores condições de trabalho, salários iguais, dez horas de trabalho e creches para os filhos. Na marcha pela cidade, muitas foram presas e feridas pela polícia. Um ano antes, em Portugal, é constituída a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, presidida por Ana de Castro Osório, escritora.

As duas guerras mundiais fizeram voltar a mulher ao mundo do trabalho, apesar da remuneração ser mais baixa, o que veio a provocar a hostilidade dos trabalhadores masculinos, pela baixa do nível salarial geral.

A década de sessenta iria marcar indelevelmente o feminismo.

O primeiro passo partiu da psicóloga americana Betty Friedan, que em 1963 publicou o livro A mística feminina e três anos depois fundou a Organização Nacional das Mulheres. O livro inspirou o movimento feminista, levando as donas de casa a trocar o lar pela realização profissional e independência financeira. A organização estimulou as simpatizantes a queimar soutiens em praça pública, numa tentativa de simbolizar o rompimento com a hegemonia masculina na sociedade.

Em Portugal, a tarde de 13 de Janeiro de 1975 foi diferente. O parque Eduardo VII serviria para o encontro de 15 a 20 mulheres, algumas em trajes alegóricos, em cujo programa estava incluída a queima de objectos do lar. Mas um jornal anunciou em lugar do encontro, uma sessão de strip-tease, o que levou uma multidão masculina ao local, e a manifestação contra o poder dos homens acabou em agressões e tentativas de violação.

O feminismo é a luta pelo verdadeiro lugar da mulher na sociedade e não o desprezo total pelo seu papel de mulher, como muitas vozes apresentaram e continuam a apresentar este movimento. Talvez se ele se camuflasse sob a máscara de reuniões de venda de plásticos ou cosméticos, não apresenta-se a ameaça que parece representar, ainda hoje, para muita gente. No entanto, pode ter sido devido a este movimento que hoje se encontra frente ao computador, a ler este texto.

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