Agatha Christie – a rainha do crime

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Agatha Christie
Agatha Christie

Mãe de personagens tão célebres como Hercule Poirot e Miss Marple, Agatha Christie foi uma das autoras mais célebres de todos os tempos.

Escreveu quase uma centena de livros e conquistou milhões de leitores em todo o mundo. A divulgação e o volume de vendas das suas obras são comparáveis apenas à Bíblia e às peças de William Shakespeare.

Agatha Christie

Não demorou muito até que fosse baptizada de “Rainha do Crime”, e apesar de ser uma dócil e pacata dona de casa, a sua criatividade chegava a ser diabólica. Para Agatha Christie, sem dúvida que o crime compensou.

Agatha Mary Clarissa Miller, nasceu em 1890, em “berço de ouro”, na cidade de Torquay, em Inglaterra. Ainda jovem, ambicionava ser cantora lírica e dedicava-se com afinco ao estudo da música. As primeiras teclas que conheceu antes da máquina de escrever foram as do piano, que começou a tocar desde muito cedo.

Certo dia, sofrendo de uma forte constipação, a jovem Agatha seguiu o conselho da mãe e começou a escrever um conto, para se entreter enquanto não recuperava.

E assim descobriu o extraordinário talento que a transformaria numa das mais célebres autoras de todos os tempos. Inspirada pelas obras de Edgar Allan Poe e Sir Arthur Conan Doyle (o pai de Sherlock Holmes), optou pelo estilo policial, que a transformaria então na “Rainha do Crime”.

Personagens como o brilhante belga Hercule Poirot, a simpática e espertalhona Miss Marple ou a excêntrica e divertida escritora Ariadne Oliver habitam no imaginário de milhões de pessoas em todo o mundo e ocupam lugar de destaque entre os mais célebres personagens de ficção.

Em 1914, à beira da primeira Guerra Mundial, Agatha Miller torna-se então Agatha Christie, ao casar-se com o coronel Archibald Christie, da Royal Flying Corps. Quando o marido segue para França ao serviço da Rainha, Agatha emprega-se como farmacêutica no hospital de Torquay, trabalho esse que se lhe revelou valioso graças ao conhecimento que adquiriu sobre venenos.

Para conseguir lidar com o stress da guerra, Agatha Christie começou a escrever nas horas vagas. Incentivada pela irmã, Madge Miller, começou a sua primeira grande história policial: “O misterioso caso de Styles”. E foi logo nesta primeira obra que se deparou com o desafio de criar um detective.

Nem mais do que Hercule Poirot, o pequeno belga de cabeça oval, com as suas fantásticas “celulazinhas cinzentas”, um ego bastante insuflado, um bigode que se tornou histórico e uma preocupação doentia com pormenores, simetrias, arrumação e outras meticulosidades. Poirot tornou-se, sem sombra de dúvida, o mais célebre e carismático dos personagens de Agatha Christie.

A autora rejeita, logo à partida, as grandes cenas de violência. Todos os crimes que descreve são discretos, envoltos em mistério. Um golpe seco, um único tiro ou um envenenamento subtil são os recursos geralmente adoptados pelos criminosos que cria.

Os cenários são sempre tipicamente ingleses, tranquilos, cheios de charme e estilo. Os personagens, por seu lado, são todos tão simpáticos educados e normais que se tornam, logo à partida, potencialmente suspeitos.

O “Misterioso caso de Styles” foi inicialmente recusado pelas editoras e, quando a própria autora já se havia esquecido dele, recebeu uma proposta para que o publicasse.

Assim fez e, apesar de ter vendido apenas 2 mil exemplares, serviu de incentivo para todas as obras que se seguiram, para além de ter sido uma contribuição valiosa para resolver a crise financeira em que a família Christie caiu, depois da guerra.

Seguiram-se então mais histórias de crime e espionagem, protagonizados por Miss Marple, Ariadne Oliver, Parker Pyne, o casal Tommy e Tuppence, o Super intendente Battle e muitos outros. Não tardou muito para que tanto a autora como os seus livros se tornassem sobejamente conhecidos do público inglês.

O divórcio de Agatha Christie

No âmbito da sua vida pessoal, as coisas não corriam tão bem para Agatha Christie. O seu prestígio enquanto escritora tornara-se maior que o do seu marido, enquanto coronel. Archibald Christie ressentiu-se com isso e, perante o envolvimento da esposa com os seus enredos brilhantes, acabou por arranjar uma amante, Tessa Niles, que veio pouco tempo depois a admitir publicamente, ao mesmo tempo que pedia o divórcio.

Perante esta situação de que nunca havia desconfiado a escritora passa a ser ela própria protagonista de um mistério que até hoje nunca foi desvendado. Apanhada de surpresa pelo adultério do marido e sofrendo a recente perda da mãe, Agatha Christie entra em desespero e pura e simplesmente desaparece.

De um dia para o outro o seu desaparecimento tornou-se destaque de todos os jornais e logo surgiu uma incontrolável onda de especulação a seu respeito. Pouco depois, o seu carro foi encontrado à beira de um lago, com a porta aberta, levantando de imediato a suspeita de rapto, assassínio ou suicídio.

Mais de 15 mil voluntários procederam a uma busca minuciosa, que se revelou infrutífera. O último livro que a autora publicara fora “O assassinato de Roger Ackroyd”, que tivera tanto sucesso como polémica; daí que as suspeitas passaram a recair sobre um golpe publicitário por parte da autora, para promover ainda mais o livro.

Ao fim de duas semanas, o gerente de um hotel em Harrogate comunicou à polícia que se encontrava, entres os seus hóspedes, uma mulher muito parecida com as fotografias da escritora que entretanto haviam sido publicadas em todos os jornais.

A polícia encontrou então a escritora, hospedada em Harrogate, sob o nome de Tessa Nile o nome da amante do marido.

A explicação dada na altura fora de que Agatha Christie tinha sido vítima de um esgotamento nervoso e uma consequente crise de amnésia. A escritora recusou-se a fazer quaisquer comentários, e até hoje não se sabe ao certo o que se passou.

Fez-se até um filme “Agatha” – a respeito deste mistério. O implacável cerco da imprensa durante estes dias deixou na escritora uma total aversão por jornalistas, que manteria para o resto da vida.

Divorciada do coronel Christie, Agatha viaja para o Médio Oriente onde conhece o arqueólogo inglês Max Mallowan, com quem acaba por casar-se e com quem vive feliz quase 50 anos. Agatha passou a acompanhar o marido em praticamente todas as expedições, ficando a conhecer vários cantos do planeta.

Estas viagens serviram de inspiração a algumas das suas mais célebres histórias, passadas em locais exóticos. Exemplos disso foram o sucesso de “Morte no Nilo”, “Crime no Expresso do Oriente” ou “Morte entre as ruínas”.

Depois do mistério do seu desaparecimento, ninguém acreditou que Agatha Christie voltasse a ter sucesso como escritora. No entanto, aconteceu o oposto.

Os seus livros foram sendo cada vez mais vendidos e a autora foi acumulando uma avultada fortuna. Só durante a II Guerra Mundial quando voltou ao serviço como farmacêutica abrandou temporariamente a sua produção literária.

Muitas das suas histórias foram adaptadas ao teatro e ao cinema. Trataram-se, na maioria das vezes, de produções milionárias, com elencos de luxo.

No entanto, Agatha nunca gostou de tais adaptações. As únicas excepções foram os filmes “Crime no Expresso do Oriente” e “Testemunha de acusação”, que considerou bem conseguidos.

Apesar de todo o sucesso da sua obra, e apesar da fortuna que acumulou, Agatha Christie acabou por morrer, em 1976, aos 86 de idade, com a frustração de nunca ter sido reconhecida pelas suas obras não-policiais.

Sob o pseudónimo de Mary Westmacott, publicou seis romances que nunca conseguiram sucesso junto do público que, desde sempre e até aos dias de hoje, continua a preferir as histórias da “Rainha do crime”.

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