Heloísa Apolónia, Ecologista e Deputada

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Heloísa Apolónia
Heloísa Apolónia

Alertar para os problemas ambientais é um dos objectivos do partido ‘Os Verdes’ do qual Heloísa Apolónia é deputada. A Mulher Portuguesa quis conhecer um pouco melhor esta mulher que divide o seu interesse entre a política, a ecologia e a família. Alertar para os problemas ambientais é um dos objectivos do partido ‘Os Verdes’ do qual Heloísa Apolónia é deputada. A Mulher Portuguesa quis conhecer um pouco melhor esta mulher que divide o seu interesse entre a política, a ecologia e a família.

Heloísa Augusta Baião de Brito Apolónia é uma das duas deputadas com assento parlamentar na Assembleia da República em representação do Partido Ecologista ‘Os Verdes’. Nascida a 26 de Junho de 1969, depressa se interessou pelos aspectos da defesa do ambiente e pela particularidade de um partido ecologista na Assembleia da República, o que a levou a trocar a profissão de advogada pela política.

‘O meu interesse para com ‘Os Verdes’ começou de alguns anos a esta parte, porque tinha alguns amigos ecologistas e comecei a participar em certas iniciativas. Acho que os objectivos e a ideologia têm tudo a ver comigo. Comecei a intensificar a minha participação política na Assembleia Municipal da Moita, onde fiz dois mandatos e depois surgiu a possibilidade de me candidatar à Assembleia em lugar não elegível pela lista da CDU pelos Verdes. A determinada altura, os Verdes decidiram fazer uma campanha nacional sobre os resíduos tóxicos com a problemática da incineração e nessa altura substitui a deputada Maria Martins durante 45 dias na que foi a minha primeira participação nesta casa.’

A Assembleia da República continua a ser um espaço de homens

Mas a experiência como deputada pode ser muito desgastante: ‘Como mãe é muito difícil esta vida na Assembleia, até porque tenho duas crianças ainda pequenas e que nesta fase requerem uma atenção mais específica. Tenho a sorte de ter a grande ajuda do pai, que é uma pessoa muito responsável, mas que como profissional liberal leva a que seja por vezes difícil conciliarmos a nossa vida. E às vezes estou aqui e a olhar para o relógio a saber que tenho de ir buscar a menina ao infantário e o Plenário nunca mais acaba ou que marcaram uma reunião para a noite e como é que vou fazer para conciliar as coisas, o que se torna um pouco aflitivo.

Claro que foi uma escolha minha, mas de facto a Assembleia poderia facilitar mais este tipo de situações e digo isto porque tenho falado com outras deputadas que enfrentam o mesmo problema e como as mulheres acompanham mais a vida dos filhos que os homens, acabam por sofrer mais este tipo de pressões.

Creio que a Assembleia da República continua a ser um espaço fundamentalmente para os homens. E o ritmo da Assembleia tem muito a ver com isso. Mas as mulheres têm assumido o seu lugar de uma forma interessante e hoje a Assembleia, apesar de apresentar uma percentagem feminina mínima que deve rondar os 13 a 14%, apresenta também uma tendência para aumentar o número de mulheres e isso é uma responsabilidade dos partidos. Por parte do Verdes damos uma contribuição importante porque temos um grupo parlamentar unicamente composto de mulheres.

As mulheres estão mais preocupadas com o ambiente.

A questão que surge face a esta participação feminina num partido ecologista é se esta tem a ver com a maior consciencialização das mulheres face ao ambiente e aos seus problemas. A resposta da deputada é rápida:

‘As mulheres têm uma consciência ecologista muito forte, não sei se tem a ver com o facto de poderem dar vida e por isso se preocuparem com o ambiente, mas ao longo dos tempos tem-se verificado que essa preocupação ecológica é mais forte, até pela preocupação com o futuro dos filhos e com aquilo que pode envolver uma melhor qualidade de vida.

O ambiente continua a ser considerado apenas como um sector da política

Deputada pelo círculo de Setúbal, está mais consciente dos problemas desta zona: ‘Setúbal tem uma particularidade muito importante que é ser uma zona industrial e com grandes problema ambientais e ao mesmo tempo é o distrito do país que tem mais áreas protegidas.

A nível nacional vamos muito mal porque o ambiente continua a ser considerado como um sector da política mas precisa de ser encarado com horizontalidade e tocar as mais diversas áreas, desde a educação, porque não se faz educação ambiental em Portugal à área da saúde, onde temos o exemplo dos resíduos hospitalares.

Por outro lado o ambiente continua a ser relevado para segundo plano face aos interesses economicistas. A questão da co-incineração é um exemplo flagrante, porque segundo os próprios dados do Ministério do Ambiente iria resolver apenas 1% do problemas dos resíduos industriais em Portugal e apenas a 10% dos resíduos perigosos. Sobre isto o Governo não se pronuncia limitando-se a debruçar-se sobre o que, na minha perspectiva, está na base da cedência aos lobys das cimenteiras.

Outro exemplo é a indústria da celulose, em que o eucalipto continua a invadir Portugal cada vez mais intensamente, numa cedência clara a este tipo de indústria, quando na perspectiva ecologista uma floresta de uso múltiplo enriquece muito mais o país.’

Mas nem tudo vai mal nesta área, até porque a nível nacional várias são as associações que se debruçam sobre os problemas ambientais: ‘Todas as associações de ambiente são extremamente importantes ao nível da pressão e da informação ao público. Temos um conjunto muito vasto no nosso país o que significa que as pessoas hoje tem uma consciência muito maior sobre estas questões e mesmo as associações nacionais funcionam muito direccionadas para os núcleos regionais.

O trabalho dos Verdes ao nível da Assembleia da República também tem sido muito importante porque têm trazido a lume assuntos que, quer ao nível de propostas legislativas, quer ao nível de propostas de debate, se não fosse este partido não se realizariam.’

E terminámos a entrevista com um desejo por parte de Heloísa Apolónia: ‘Gostaria que as futuras gerações tivessem uma consciência ambiental completamente diferente e que se apercebessem que o seu pequeno contributo é muito importante para a conservação do futuro.

A escola deveria ter um papel fundamental para incutir essa responsabilidade ambiental e social em todas as crianças. Infelizmente isso não é feito ou varia um pouco com a sensibilidade de cada professor, pelo que deveria haver uma orientação clara por parte do Ministério da Educação para incutir esse sentido de responsabilidade cívica em todas as crianças.’ Um pedido para um novo milénio que agora principia.

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