Crónica: Os Cifrões dos nossos Políticos

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Cronistas da MulherPortuguesa
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Quem ousar dizer que os políticos ganham pouco é porque, certamente, não tem noção do valor do salário mínimo nacional e das dificuldades económicas às quais os portugueses são submetidos. Viva o luxo!

Os Cifrões dos nossos Políticos

Cursos de Engenharia, Medicina ou Direito? Para quê? Nada disso! Cheguei à conclusão que nada dessas áreas rendem, a não ser que se trabalhe desenfreadamente, o mesmo que ser-se político no nosso país. Após ter constatado números exorbitantes de cifrões, brevemente passarão a euros, que entram mensalmente no bolso dos nossos políticos também eu queria ser política, deputada, o que quer que fosse, só para ao fim do mês sorrir de satisfação com o saldo da minha conta bancária.

Pensando bem, e mesmo com todas as responsabilidades inerentes aos cargos, até que podia ser interessante: ao menos viajava muito, aparecia na televisão, mesmo que fosse a dizer as maiores barbaridades do mundo, e podia mentir sem que com isso me transformasse em Pinóquio, versão feminina, lógico.

A mais alta remuneração do Estado, segundo o Portugal Diário, cabe ao Presidente da República recebendo ao fim do mês a módica quantia de 1346 contos, mais 538 mil euros para despesas de representação. Assim, está provado que representar Portugal é uma boa fonte de rendimento, mas só para os senhores da política porque para os outros as coisas não funcionam bem assim!

O nosso Primeiro Ministro já recebe um pouco menos, mas também não é por isso que a vida lhe corre mal financeiramente: 1010 contos mensais, mais 400 mil euros para despesas referentes ao cargo. Os secretários de Estado recebem uns “míseros” 807 euros ao fim do mês, mas em relação a despesas não podem gastar mais que 350 contos em cada 30 dias. (Os valores dos salários são ilíquidos!)

Perante a realidade dos factos é caso para se dizer “Coitados dos senhores políticos. Recebem tão mal!”. A avalanche de pessoas interessadas no meio político é, de facto, ampla, mas até à data, embora soubesse que no final do mês o valor devia ser bem sorridente, nunca pensei que fosse acrescido por estas pequenas benesses políticas, que é como quem diz, estes pequenos bónus. E agora, pergunto eu, digam-me quantas famílias em Portugal nunca tiveram este valor mensal na sua conta?

É impossível determinar, mas é possível afirmar também que, de acordo com estes números, os políticos não ganham mal. No entanto, e comparado com os rendimentos mensais de alguns empresários, estes valores ficam aquém das expectativas. Afinal, quem comanda o país?

Os presidentes da câmara de Lisboa e Porto, e ainda segundo o Portugal Diário, recebem 740 contos mensais e adicionam a este valor mais 220 mil escudos relativos a despesas de representação. Mas, se falarmos do presidente de uma Junta com 20 mil pessoas o valor ao fim do mês é de 336 euros, enquanto que o de uma freguesia com menos de cinco mil só mete ao bolso 215 euros.

Digamos que para governar uma determinada população, mesmo que a mesma seja considerada pequena, como uma inferior a 5000 pessoas, a verdade é que os 215 contos me parecem um pouco escassos. Se pensarmos nos rendimentos dos empresários do futebol ou dos jogadores, constatamos que este valor é em muito superado. E, aliás, basta ser um “pseudo” Luís Figo no futebol para que o salário seja superior a alguns dos nossos governantes!

O que mais me intrigou, ou melhor, aquilo com o qual soltei uma valente gargalhada foi o facto do Portugal Diário referir que os nossos deputados recebem 4.000 euros por mês, além dos valores acima referidos, para pagarem o passe social. Lógico que já se está mesmo a ver o Dr. Durão Barroso a mostrar o passe ao motorista, Edite Estrela à espera na fila do autocarro, Paulo Portas, numa carruagem do Metro, em pé, esmagado, ou Carlos Carvalhas, sorridente, com a sua pronúncia característica, a dizer o “Bom Dia” aos passageiros do eléctrico.

Poupem-me! Estes 4.000 euros são uma verdadeira aberração financeira, e não fazem qualquer sentido. Então e os Volvos ou Mercedes nos quais desfilam diariamente? É para andar neles que lhes dão o dinheiro para o passe social? Nesse caso, podem dar-mo a mim também e assim troco a TST, a RN e a Caris por um Volvo ou Mercedes, como o dos nossos deputados e altas patentes da Assembleia da República.

Vamos lá ser sinceros: analisando o salário dos deputados, do Presidente da República ou do Primeiro Ministro, ficamos com a ideia que os valores são bastante satisfatórios.

E até o são, mas não o serão, certamente, se os compararmos com os rendimentos de outros empresários ou individualidades de profissões diversas, que pouco ou nada fazem pelo país, mas que continuam a engordar a sua conta bancária.

Há aqui um problema de complexa resolução, que alguém vai ter que resolver, mas que não compete ao cidadão comum encontrar a resposta apropriada. E, nem adianta muito matutarmos nisto, porque o dinheiro entra é nas contas deles e não nas nossas.

Ainda que alguns políticos o possam merecer, atenção que é apenas uma parcela restrita deles, a maioria deles talvez fosse mais útil na Praça da Ribeira ou no Cais do Sodré a vender flores. Sim, porque sempre é mais fácil acreditar que o peixe é bom e as flores bonitas, porque estamos a vê-los à nossa frente, do que em promessas fantasmas cujo local de nascimento é o mesmo que o da sua morte, isto é, a folha de papel!

Aliás, julgo mesmo que os jornais deviam começar a ter uma secção de classificados com políticos à “venda”: duvido é que houvesse tipografias suficientes e alguém para os comprar!

Cronista da Mulher Portuguesa: Ana Amante

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