Natal Virtual, a sua crónica natalícia

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Crónica: Natal virtual - o homo consumus
Crónica: Natal virtual - o Homo Consumus

Como se já não bastasse o consumismo desenfreado e a total e completa exploração comercial de um feriado religioso, chegou agora também o Natal Virtual…

Natal Virtual

A internet surgiu para mudar as nossas vidas. E a mudança não pára nunca, acontece sem limites ou fronteiras e reflecte-se em cada vez mais detalhes do nosso dia-a-dia. Já deixou de exercer aquele fascínio da novidade, passou a fazer parte da nossa vida tal como o telefone, a televisão ou a bica depois do almoço. E nós deixamos, calmamente, que a net ocupe, de uma forma ou outra, cada milímetro dos nossos dias.

Não deve ser assim. Já que a internet não tem limites, sejamos nós a impô-los. E o Natal é uma excelente altura para começarmos a tratar disso. É que graças à invasão da net, aquela que é provavelmente a época mais familiar, mais solidária e festiva do ano, está a tornar-se de tal forma impessoal e mecânica que daqui a nada passa a ser apenas mais um feriado.

Como se já não bastasse o consumismo desenfreado e a total e completa exploração comercial de um feriado religioso, agora servimo-nos da net para o tornar ainda mais frio e impessoal. As prendas de Natal já nem sequer trazem consigo o toque pessoal de quem as oferece, muitas vezes são escolhidas na montra virtual de um site, através de um nome e número de referência, embrulhadas numa linha de montagem e enviadas pelo correio mesmo a tempo de serem entregues a correr, normalmente na própria véspera de Natal, entre dois musicais que passam na TV e que nós não podemos perder.

Esta “virtualização” nota-se mais ainda quando pensamos nos tradicionais cartões de Natal. Enviamos um único e-mail a dizer “Feliz Natal e Próspero Ano Novo” para todos os endereços que temos na agenda (e eles são tantos que nem sabemos ao certo quem está ou não incluído) e pronto, achamos que já serviu para mostrar que nos lembrámos de desejar as boas festas àquelas pessoas.

Só que esse e-mail não está cheio de renas, presentes e flocos de neve, não toca música quando o abrimos, não tem a marca da nossa caligrafia e não dá para pôr em cima da lareira ao pé das velas perfumadas e das fotografias de família.

Vamos aprender a tirar partido da internet na medida certa, e vamos até aos correios comprar uns postais, escrevê-los à mão, a pensar especialmente em cada destinatário. Vamos aos sites comerciais fazer compras para nós, e deixemos algumas horas para procurar nas lojas reais o presente certo para cada uma das outras pessoas que merecem a nossa atenção este Natal.

Cronista da Mulher Portuguesa: Patricia Esteves Nunes

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