Crónica: Like a Virgin

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Crónica da Mulher Portuguesa
Crónica da Mulher Portuguesa

Like a Virgin, em nome de um valor perdido ou mera estratégia de vendas, esta foi a música que correu os quatro cantos do mundo, e que podia assentar que nem uma luva à situação vivida na Grã-Bretanha.

Like a Virgin

Madonna cantou-a como ninguém. Com roupas mais ousadas, transparentes e de renda, que em nada apelavam à virgindade, a canção Like a Virgin tornou-se famosa pelo mundo inteiro. Em nome de um valor perdido ou mera estratégia de vendas, esta foi a música que correu os quatro cantos do mundo, e que podia assentar que nem uma luva à situação vivida na Grã-Bretanha.

É que as meninas não são nada púdicas, e o desejo acaba sempre por falar mais alto do que a razão. Like a Virgin jamais regressará aos Tops Britânicos…

A situação é indomável! Assim julga o governo, assim o pensam os pais, e assim o faz parecer as frequentes deslocações aos Centros de Saúde. Na Grã-Bretanha as jovens seguem à risca aquele provérbio muito célebre ‘O fruto proibido é o mais apetecido’.

Fazem-no com vontade, como manda a lei do corpo e do desejo, mas fazem-no sem o mínimo culto ao racional (também quem é que num momento destes consegue pensar no que quer que seja?).

O problema aqui é que o Governo Britânico lançou uma campanha para as jovens pensarem e refletirem muito bem antes do acto sexual, de maneira a reduzir o número das 7.700 jovens que se deslocam aos Centros de Saúde para abortar. Com idades inferiores aos 16 anos, as estatísticas vêm revelar que na Grã-Bretanha a vida sexual é iniciada ainda antes desta idade e sem qualquer precaução.

Esta campanha do Governo não é má lembrada, mas qualquer um é capaz de soltar quatro ou cinco vocábulos do tipo: “Pensem bem antes da iniciarem a vida sexual”. Que ridículo! Como se quando as pessoas estão envolvidas o demasiado pensassem no que quer que fosse!

Imaginemos a situação: dois jovens, rapaz e rapariga, ambos de dezasseis anos, vão até um bar. A noite desdobra o seu manto, e eis que a bebida começa a pesar e a falar mais alto. Mais um copo aqui e outro acolá, e depois alguém surge com um ‘charrinho’ (sim, aquela coisa que dizem fazer rir).

Momentos depois, já totalmente embriagados e bem ‘fumados’, não há ‘razão’ ou valor moral que resista à tentação. Não se choquem os pais com o que digo, pois as coisas passam-se mesmo assim. Fase seguinte, o acto sexual, fase final, a gravidez!

Claro que no meu tempo isto não era nada assim, no tempo dos meus pais quase não se saía à rua (e aí é que se podia sair, porque eram raros os assaltos e as violações), e no tempo dos meus avós eles nem sabia o que era um preservativo.

Hoje, o acesso ao sexo é muito maior. Vêmo-lo em filmes, na publicidade, em livros, por onde quer que passemos ou que entremos. A informação é muita e variada, ainda para mais com as doenças que há para aí, mas o problema é a adolescência em si mesma.

O prazer do risco, de fazer o que só aos adultos é permitido, experimentar coisas novas, nem que seja para contar e gabar-se aos amigos.

É tudo uma questão de liberdade! O primeiro passo tem que partir dos jovens, e apelar aos valores de Like a Virgin não leva a lugar algum. Deve sim ser feita a sensibilização para o uso de um método contraceptivo, não só por causa dos riscos de uma gravidez indesejada, como também devido às doenças sexualmente transmissíveis.

Puxar para a ribalta valores morais não adianta, porque se os jovens quiserem fazerem-no. Não têm problemas nenhuns em ir além dos limites estipulados, pois a adolescência é isso mesmo: transgredir as regras.

Afinal, quem os vai proibir? Os pais que estão no trabalho, ou em casa, descansados, a dormir? As manchetes dos jornais e os slogans de uma campanha que soa a autoridade? Nada disto os toca, ou sequer os fará parar cinco minutos para pensar. A questão é muito mais complexa, e passa pelo íntimo e conduta de vida de cada adolescente.

Sabem o que significa para eles a música Like a Virgin? Algo ausente do contexto da actual sociedade e que está fora de moda, e a virgindade é também uma das tais coisas, entre outras, que há muito está guardada no baú do passado…

Cronista da Mulher Portuguesa: Ana Amante

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