Paulo Coelho: O Sucesso nas Palavras

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Paulo Coelho: O Sucesso nas Palavras
Paulo Coelho: O Sucesso nas Palavras

Paulo Coelho: O Sucesso nas Palavras

Dramaturgo, director teatral, hippie e famoso letrista, encontrou nas palavras que povoam os seus livros, o caminho para o sucesso. Nascido no Rio de Janeiro em 1947, participa semanalmente com uma coluna para o jornal, O Globo, um dos jornais mais conhecidos do Rio de Janeiro. Um dos autores contemporâneos mais lidos dos nossos dias, tem um nome: Paulo Coelho.

Na lista de best-sellers brasileiros, encontramos o retrato do percurso para o Caminho de Santiago, em “O Diário de um Mago”, lançado em 1987. Um livro recheado de espiritualidade, de viagens a antigas lendas, de magia para se percorrer um longo caminho, que é no fundo algo comum a todos nós. Um livro onde a certeza de que alcançaremos o nosso sonho, é algo perfeitamente real e possível. “Um milagre tinha acontecido- o milagre de transformar aquilo que se faz naquilo que se crê”, in “Diário de um Mago”.

A publicação do “Alquimista” acontece um ano depois, tornando-se uma verdadeira celebridade nacional no Brasil. A crítica literária fez-se de imediato ouvir, comparando-o com Richard Bach, em “Fernão Capelo Gaivota”. De simbologia marcante, “O Alquimista”, retrata o sonho de um rapaz, onde o tema central é um tesouro oculto, guardado nas Pirâmides do Egipto.

Deparando-se com inúmeros obstáculos, o rapaz terá que aprender a escutar a sua voz interior, e aprender a decifrar os sinais de Deus, penetrando na Alma do Mundo, que é o no fundo o seu e, o nosso valioso tesouro. Uma viagem marcada pela riqueza oculta que possuímos, o encontro com a alma e o nosso interior. A certeza inegável de que todas as pessoas precisam de descobrir e viver a sua lenda pessoal, indo de encontro ao seu próprio destino. “Escuta o teu coração(…)Ele conhece todas as coisas. Porque onde ele estiver, é onde estará o teu tesouro”, no “O Alquimista”.

Publicados nos cinco continentes, em mais de cem países e em quarenta e três idiomas, os livros de Paulo Coelho, demonstram um enorme vigor e espiritualidade em toda a sua escrita. Em Agosto de 1990, foi lançado “Brida”, seguido de “As valquírias”, em 1992 e de “Na margem do Rio Piedra eu sentei e chorei” (1994). Uma história na qual o coração fala mais alto, do que todas as vozes racionais. O inevitável reencontro de dois namorados, onze anos depois, quando as suas vidas seguiram estradas demasiadamente opostas. Usando uma escrita simples e corrente, Paulo Coelho utiliza a linguagem do coração. Um livro no qual se inscreve, o testemunho transparente das regras que guiam a alma e a esperança. “Naquele minuto de beijo estavam anos de buscas, de desilusões, de sonhos impossíveis”, in “Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei”.

No mesmo ano, em 1994, surge “Maktub”, abrindo caminho para que dois anos depois, nascesse “O Monte cinco”. Uma narração rica, que tem como personagem principal o Profeta Elias que, ao abandonar Israel, envolve-se numa guerra à qual não pertence. O apelo à paz e harmonia, preenchem este livro.”Uns poucos rabiscos resumiam todo o motivo das estrelas continuarem nos céus, e dos homens caminharem pela terra.”, in “O Monte Cinco”.

“Manual do guerreiro da luz” é a obra que marca o ano de 1997, até chegarmos a “Veronika decide morrer”, lançado em 1998, no Brasil. O livro aborda a história de uma jovem perfeitamente normal, com sonhos, desejos, que gosta de sair e de se divertir. Mas, Veronika não é feliz. A sua vida necessita de algo mais. Por esse mesmo motivo, ela decide morrer, numa manhã de Novembro. Os enormes contrastes explícitos num livro coberto de dualidades: a solidão e a tortura, a fantasia e o sonho, viver e desistir. Comenta-se que a história, foi inspirada na sua própria experiência pessoal, quando esteve na Clinica Psiquiátrica Dr. Eiras. Paulo Coelho, declara mesmo que, “a partir do momento em que você é louco, tudo é permitido. Comecei a duvidar da minha sanidade”. Em Julho do corrente ano, poderemos ter acesso a este mundo de desilusão, na busca irreversível da paz, encontrada na morte.

O libertar das amarras internas, solta-se através das palavras, que repousam subtilmente no berço da loucura. A escrita de Paulo Coelho é realmente simbólica, dotada de um brilho invisível e de uma contagiante aura de beleza. Todo e qualquer livro deste escritor, proporciona-nos uma viagem mental por mundos imaginários, mas que facilmente se aplicam à esfera do real. A insatisfação, os sonhos, o quebrar da rotina, a busca desenfreada do destino, o apelo à sensibilidade e espiritualidade, marcam eficazmente todas as obras deste escritor de sucesso, que estará em Lisboa, de 19 a 22 de Julho, partindo neste último dia para o Porto.

Paulo Coelho, já recebeu destacados prémios e menções internacionais, entre eles o Prémio de Autor do Ano (Austrália,1993) e o Grand Prix des Lectrices d’elle (França, 1995). Confrontado acerca do seu sucesso, respondeu a alguém:”(…) Escrevo para mim mesmo, tentando responder a algumas perguntas ao longo da vida. Sei que, quanto mais próximo estiver da minha alma, mais próximo estarei daquilo a que Jung chamou de “Alma do Mundo”. Escute o silêncio do seu íntimo, e encontre a “Alma do Mundo”, com ou sem…o escritor Paulo Coelho.

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