Chegaram as Praxes

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Chegaram as Praxes
Chegaram as Praxes

Chegaram as Praxes

O mês de Outubro abre as suas portas paralelamente á entrada de novos estudantes no ensino superior. De alunos da secundária passam a caloiros, e de caloiros a doutores. As praxes estão á espera destes novatos!

Outubro é marcado pela abertura da maioria dos institutos superiores portugueses, privados, públicos, politécnicos, que anseiam pela chegada dos seus novos residentes. A tradição ainda é o que era e são muitos os que se vêm obrigados a passar pelo ritual da “praxe”. Tradição incrementada há muito, embora em determinada altura fosse suspensa, a praxe deve ter como intuito familiarizar o novo aluno, caloiro, com o mundo universitário. Isenta de abusos, exageros nas brincadeiras, ou humilhações, a praxe é o primeiro contacto que os alunos têm com a vida universitária.

A tradição mantém-se ainda um pouco por todo o país e, apesar de ter sido proibida durante algum tempo, a verdade é que a partir de 1980 a prática deste ritual voltaria em força! Raros são os institutos superiores que não atribuem uma atenção especial a esta altura, preparando meticulosamente a recepção aos caloiros. Há que pensar nas brincadeiras, cantigas, pequenas “mentiras” referentes ao curso e aos professores, as simulações de aulas, pinturas, adereços vários, organizar almoços e jantares, festas e muita diversão, para que o aluno se sinta inserido nesse mundo totalmente diferente que é a universidade.

As regras que regem o código de praxe nas instituições superiores são semelhantes entre si, embora com pequenas alterações. Infelizmente, a altura das praxes regista sempre alguns abusos por parte dos referidos “doutores” que, em muitos casos, não conseguem distinguir a diferença entre a palavra brincadeira e humilhação, entre a diversão e falta de respeito. Ao contrário daquilo que muitas pessoas julgam, as praxes não se destinam a humilhar os caloiros, e nem se regem apenas em pintar rostos, braços e todos os centímetros de pele à mostra. Trata-se de um convívio saudável que deve ser encarado como tal por universitários e caloiros!

O período das praxes é também assinalado pela eleição do Mister e Miss Caloira de cada ano, podendo cada instituição realizar mil e uma actividades referentes a esta fase que coincide com o início do ano lectivo universitário. Basta, para isso, ter muita imaginação e não ultrapassar determinados limites! Muitas festas e diversão marcam estes momentos inesquecíveis que terminam com o famoso “Tribunal de Praxe”, no qual os caloiros mais “mal comportados” são levados à presença dos veteranos a fim de serem “castigados” e de acatarem a sua sentença de praxe. No final das praxes tudo termina bem, e a participação saudável de ambos os lados, caloiros e “doutores”, vai permitir muitos conhecimentos e amizades.

Não esquecer a importância do padrinho/madrinha ou do baptismo! O caloiro escolhe alguém para o guiar na vida académica, e solicita ao doutor/doutora a sua “protecção”. Ao padrinho/madrinha compete apoiar o(a) jovem universitário(a), ajudá-lo, e esclarecer todas as dúvidas de foro académico. Em muitos casos, a paixão e o amor pairam no ar na altura das praxes, e muitos relacionamentos têm o seu início nesta fase divertida e inesquecível na vida do estudante.

Aceitar com bom espírito as brincadeiras é a forma ideal do estudante se integrar no meio onde durante alguns anos vai estar a concluir o curso. De realçar, isto se o seu filho, irmão, primo, ou sobrinho, entrou este ano para a universidade, que é conveniente não ir com roupas novas para a altura das praxes. Algumas brincadeiras, e mesmo as pinturas, podem fazer estragos na roupa de difícil reparação. Daí que, a roupa deve ser o mais velha possível, por forma a prevenir alguns dissabores.

Aceitar a praxe simboliza, por si só, uma abertura ao espírito académico e a vontade em conhecer novas pessoas, confraternizar, e deixar-se levar por essa incursão no mundo académico que os doutores prepararam para os novos alunos. Todavia, há que compreender limites, não aceitar humilhações, e não acatar determinadas “ordens” que prevêem a chacota geral. Brincar é uma coisa bem diferente de humilhar! Estes anos vão ser os melhores anos da vida dos bacharéis, licenciados, mestres ou Doutores, e por isso há que os aproveitar da melhor forma. Daqui a alguns anos, quando se recordam aqueles tempos de praxe, farra, festa, exames e orais, acredite que desejamos todos, ardentemente, que o relógio do tempo volte atrás. Por isso, caloiros, aproveitem bem!!!

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