Parto au naturel ou a necessidade de uma epidural

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Parto au naturel ou a necessidade de uma epidural
Parto au naturel ou a necessidade de uma epidural

É a epidural fundamental? Dores e mais dores… Esta é a ideia que nos vem à cabeça quando ouvimos a palavra PARTO. Se há pessoas que conseguem enfrentar a situação de ânimo leve, outras há que desenvolvem um medo desmedido.

Felizmente existe a epidural, pensamos nós. Mas será que esta anestesia é sempre necessária? Não será mais saudável um parto natural?

Mas afinal o que é a epidural?

As opiniões dividem-se…
Aplicada pela primeira vez em 1901, a epidural só começou a ser aplicada com sucesso a partir de 1921. Hoje podemos falar de vários tipos de epidural. A mais comum, e aquela que é administrada às mulheres em trabalho de parto, é a lombar.

Esta consiste na injecção, na região lombar, de um agente anestésico ou da sua combinação com outro narcótico ou anti-hipertensivo.

Resultado: após 20 a 30 minutos, deixamos de “sentir” a parte inferior do corpo, ao mesmo tempo que qualquer sensação de dor é eliminada ou reduzida.

Uma benção para as parturientes, permitindo-lhes participar no parto com o mínimo de dor possível. Estudos mais recentes procuram, no entanto, demonstrar que nem tudo é um mar de rosas…

Ao lado da ideia da segurança, surgem agora teorias de que as drogas usadas na epidural lombar podem, com efeito, afectar o bebé.

Mas de que drogas é que estamos a falar?

Nas epidurais são usados, em geral, três anestésicos derivados da Caína, capazes de bloquear os impulsos nervosos e de anestesiar as veias sanguíneas.

Como actua esta anestesia?

Os seus nomes: bupivacaína, cloroprocaína e lidocaína.

A esta receita podem-se juntar outras drogas para prolongar os efeitos da anestesia, como alguns derivados do ópio, ou para neutralizar os efeitos negativos das oscilações da pressão arterial.

A segurança e eficácia da sua administração dependem da técnica usada, das precauções tomadas e da dosagem apropriada. Esta última varia, sobretudo, com o peso corporal da mulher.

Ora como esta pesa, em média, 20 vezes mais que o seu bebé, é normal que exista a possibilidade do feto receber uma overdose.

Através da placenta, a anestesia chega então ao bebé, podendo mesmo causar vários graus de intoxicação maternal, fetal ou neonatal.

Entre os seus possíveis efeitos negativos podemos encontrar: hipertensão, retenção urinária, incontinência, paralisia das extremidades inferiores, dores de cabeça ou reacções alérgicas.

Em situações mais extremas, a epidural apresenta riscos de provocar traumas, paragem cardíaca, intoxicação do sistema central nervoso ou mesmo a morte.

Há ainda quem estabeleça uma relação entre a epidural e algumas deficiências motoras do recém-nascido… Mas, apesar de todos estes estudos, muito ainda há para fazer… As provas têm de ser mais claras.

O que é certo é que a epidural implica maiores custos – outras intervenções, drogas adicionais, forceps ou administração contínua de oxigénio podem servir de complemento à anestesia.

Tantos riscos… Mas como ultrapassar a dor?

Relaxar é a palavra de ordem…
Como mamíferos que somos, o nosso instinto leva-nos a procurar um sítio escuro, calmo e, acima de tudo, seguro. Um ninho, diríamos… Mas nem sempre isso é possível – basta vermos o ambiente de confusão dos hospitais, com muitas pessoas e luz a mais.

Assim, é inevitável que o stress se instale e com ele vem, nem mais nem menos, que a dor… Mas como?

No útero, dois grupos de músculos opostos puxam para o seu lado: um provoca o parto e o outro contraria-o, caso a mãe se sinta insegura ou com medo.

Resultado? Uma verdadeira dor provocada pela luta entre estes dois músculos poderosos.

A futura mãe precisa de estar relaxada

Daí que um ambiente de relaxamento emocional, físico e mental seja essencial. E, claro, saber enfrentar os medos e os receios de cabeça erguida.

Nem sempre é fácil, como é óbvio… Mas a dor também pode vir de coisas tão simples como proibir a parturiente de andar ou mesmo de mudar de posição…

Neste caso, é importante que a mulher siga os seus próprios instintos – a liberdade de movimentos pode, por exemplo, ajudar à rotação do bebé e contribuir para um parto mais rápido.

Mais: algumas intervenções médicas durante o parto, além de desnecessárias, podem aumentar a dor. No fundo, estamos a interferir com um processo natural. Se tudo está a correr bem, porquê recorrer a este tipo de intervenções?

Falemos ainda da alimentação e do exercício físico

Sim, também eles podem ajudar a diminuir e a melhor suportar as dores de parto.

Um útero que não receba uma alimentação adequada pode, muito bem, tornar-se fraco e não responder de forma eficaz na hora H.

A falta de hidratos de carbono ou de água, por exemplo, pode contribuir para uma baixa pressão arterial ou para a desidratação. E isto vale mesmo para quando a mulher entra em trabalho de parto – se tanto a mãe como o bebé se encontram bem, nada a impede de comer algo ligeiro!

Durante a gravidez, uma boa ideia é praticar exercício físico de forma regular – ganha-se força, resistência e, muito importante, aprende-se a respirar. Desta maneira, o seu corpo vai estar melhor preparado para o que der e vier…

Resumindo:

  • pratique uma alimentação equilibrada e adequada durante o período de gravidez;
  • faça exercício físico, pelo menos três vezes por semana, mediante aprovação médica;
  • pratique várias técnicas de relaxamento todos os dias;
  • escolha um médico em quem confie.

Estas são algumas dicas que a podem ajudar a evitar a epidural e a optar por um parto natural…

Mas não pense que estamos aqui a apontar o dedo a todas as mulheres que optaram por uma epidural… Não é nada disso.

O que pretendemos demonstrar é que existem outras alternativas e que, no fundo, cabe a cada mulher escolher aquela que mais lhe convém. Quando falamos de partos mais complicados, por exemplo, não há nada como recorrer a toda a tecnologia disponível.

O que é importante, é que tenha em conta os prós e os contras de cada método e que, de forma consciente e segura, tome a sua posição.

Hoje em dia, em cerca de 90% dos partos é administrada uma epidural. Mas nem sempre tem de ser assim…

Fale com o seu médico, com as suas amigas, com o seu marido… Por outras palavras, obtenha todo o tipo de informação – só assim poderá ter a certeza de que o caminho que escolheu é o melhor para si e para o seu bebé.

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