Quantas pessoas sobredotadas terá na sua família?

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Criança sobredotada

A questão dos sobredotados é essencial para um país. Quando se utiliza a palavra sobredotado, não é como sinónimo de génio, uma vez que esses são cada vez mais raros numa era de globalização, em que a informação circula entre equipas formadas por elementos de diferentes continentes. Além disso, a especialização que os tempos modernos exigem impedem que surjam génios multifacetados como Leonardo Da Vinci, por exemplo.

Sobredotada é apenas a designação geral para pessoas que apresentam capacidades acima da média em relação à sua faixa etária.

Os humanos têm demonstrado ao longo da sua história capacidades variadas que possuem ou que as circunstâncias fazem sobressair. A necessidade é a mãe do engenho, lá diz o ditado. Deste modo, a capacidade de resistir inventando formas de sobreviver às intempéries, de procurar e de se adaptar a novos ambientes, de criar o fogo, a roda, o papel e a imprensa foram aparecendo cada vez menos espaçados no tempo.

A capacidade de arriscar no desconhecido mar de mil tormentas, de contactar civilizações estranhas, de experimentar novos sabores e de transmitir essas novas descobertas, levou a que se o ser humano questionasse filosoficamente a sua existência, a sua proveniência, o ambiente que o rodeia adquirindo assim um vasto conhecimento que tentou difundir pelas gerações indouras.

Terá sido uma certa “vaidade” em ter tantos conhecimentos adquiridos na 1ª pessoa ou através de terceiros, que levou a que um grupo relativamente reduzido de pessoas possuisse a “sabedoria”. Com o advento da democratização essa sabedoria (entenda-se, um conhecimento vasto de factos passados) passou a ser sinónimo de “inteligência” com tendência para que todos tivessem acesso a esse saber.

Neste século XXI, todavia, a vertiginosa e atribulada evolução da história do homem, pôs em questão a “inteligência”. Tantas foram as questões e problemas a solucionar nestes últimos cem anos que várias capacidades foram sendo necessárias para os ultrapassar, sendo por isso tão ou mais valorizadas que a “inteligência cognitiva”, isto é a aquisição, reprodução de factos e a associação adaptativa a novas situações. Esta inteligência tornou-se apenas numa das muitas inteligências, reconhecidas hoje em dia. Guilford, nos anos 50 apresentou a sua teoria de inteligências múltiplas e quem não conhece as 7 inteligências de Gardner?

Será a inteligência hereditária?

Lewis Terman procurou verificar esta hipótese, sem grande sucesso excepto no que se refere ao facto de que um pai como figura dominante e ambicioso com elevadas expectativas, podia ser determinante no sucesso escolar do seu filho. Claro que, no início do século, as circunstâncias sociais e familiares eram diferentes das existentes nos dias de hoje, mas a influência dos pais ainda hoje é fundamental e essencial.

Os mais recentes estudos bio-genéticos apontam para uma forte componente genética na sobredotação. Contudo, o ambiente circundante pode estimular, ou “adormercer”, ou ainda tornar mais visíveis ou não, as capacidades das crianças. Pode também “desorientar”, originando disfunções. Os pais são, naturalmente,os primeiros a notar as características das crianças e é sobre os pais que recai por inteiro a responsabilidade do desenvolvimento mais harmonioso da personalidade e das capacidades da criança.

Tende-se a responsabilizar a escola ou as instituições frequentadas pela criança, uma vez que a criança passa grande parte do seu tempo na escola. Parece-nos errado. Quem é responsável pela saúde física da criança? Os hospitais, os pediatras? Os pais sabem que têm de ir verificando o desenvolvimento físico dos filhos. Por que não incutir nos pais essa mesma responsabilidade em relação ao desenvolvimento da personalidade, das capacidades e do equilíbrio psicológico?

A escola deveria voltar a ser o local de instrução e não o substituto de tudo na vida da criança. Não é justo, nem é correcto. Se hoje se reprovam práticas da inquisição como desumanas (que enquadradas na época faziam todo o sentido e apenas atingiam alguns elementos da sociedade), que dirão de nós, as futuras gerações ao constatarem que obrigamos todos os indivíduos, desde a mais tenra idade, a passar 1/3 (um terço) da sua vida dentro de quatro paredes? Ainda por cima sujeitos ao frio e a todo o tipo de agressões e ou abandonos (emocionais, sociais, intelectuais) vivendo entre estranhos que mudam frequentemente?!!?

Os pais são responsáveis pelos filhos que fizeram nascer. Não podem entrar em pânico quando as escolas fecham. Devem saber incutir-lhes os princípios necessários de educação, tal como acontece de forma sistemática com o acompanhamento do seu desenvolvimento físico. Do mesmo modo devem reconhecer as capacidades dos filhos e procurar o seu correcto desenvolvimento.

Dra. Manuela DaSilva
CPCIL

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