Ford T – o carro do século

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Ford T - o carro do século
Ford T - o carro do século

Andava a pouco mais de 60 km/h, desconfortável e apenas com duas velocidades – contudo tornou-se um clássico da indústria automóvel e foi a primeira experiência de produção em linha.

Henry Ford era um jovem agricultor do estado de Michigan. Nasceu em 1853 e veio a tornar-se um dos maiores industriais do século XX. Tudo por causa de um carro: O Ford modelo T.

O jovem Henry Ford adorava as máquinas agrícolas – mas não propriamente a agricultura – e foi por isso que, aos 16 anos, se tornou aprendiz de engenharia numa cidade próxima de Detroit, começando a trabalhar com motores a vapor e, mais tarde, com motores a gasolina. Aos 30 anos de idade tinha a seu cargo uma central eléctrica e fazia pequenas experiências com os motores que sonhava vir a adaptar a um veículo desenhado por si.

Em 1896 havia construído um carro de 4 rodas, com chassis de madeira e um motor que havia construído com base em desenhos. Três anos mais tarde produzia um segundo carro, começando a tornar-se conhecido. Apesar de ter recebido apoio financeiro, o negócio não foi um sucesso.

O fracasso não se deveu a nenhuma falha de Henry Ford, portanto continuou o seu trabalho de design de automóveis, desta vez empenhado num modelo de corrida, com um motor de 8 litros de capacidade e apenas 2 cilindros. Em Outubro de 1901, aquele era considerado o carro mais veloz da América, atingindo uma velocidade de – imagine-se! – 73.7 km/h. O sucesso deste veículo trouxe para a ribalta o nome de Ford e foi fácil conseguir novo apoio financeiro, desta vez para um empreendimento de nome: Ford Motor Company.

Os primeiros Ford’s eram veículos simples mas fiáveis, baptizados por ordem alfabética começando pelo Modelo A. Em 1908, a geração de Fords atinge o Modelo T, e nasce uma verdadeira lenda da indústria automóvel.

Quando surgiu, era vendido por $850 (o que hoje em dia equivale a 170 contos), uma soma que não existia em todos os bolsos, portanto o seu principal atractivo não era, de forma alguma, o preço. As características que, logo à partida, faziam deste modelo um carro especial eram o peso reduzido, a potência, a simplicidade e, acima de tudo, a robustez e durabilidade.

Numa época em que as estradas eram poucas e más, e eram raros os conhecedores de mecânica automóvel capazes de fazer reparações, o Ford Modelo T era capaz de circular nos terrenos mais agrestes e para as reparações pouco mais era necessário do que ferramentas vulgares de ferreiro. Para além disso, o motor e a transmissão eram tão simples que a manutenção do carro não representava qualquer problema.

Se estas características já bastavam para fazer do Modelo T um sucesso, foi a iniciativa e o método de produção de Henry Ford que o tornaram no carro de maior sucesso do primeiro quarto do século XX. Em 1910, Ford mudou o seu centro de produção da zona central de Detriot para uma fábrica nova em Highland Park, numa zona campestre nos arredores da cidade. Foi então que teve condições para pôr na prática o seu ideal de produção, tornando-se o inventor do conceito de produção em linha – uma ideia que não tardaria a conquistar o universo industrial nas mais diversas áreas. Baseava-se em quatro princípios: Perfeição, continuidade, sistema e velocidade.

A ideia de perfeição pretendia que cada peça fosse fabricada de maneira idêntica, de forma a permitir um encaixe perfeito e reparação imediata através da simples produção de peças de substituição. A continuidade fazia parte do conceito de produção em linha na medida em que mantinha um movimento constante de produção o fluxo de carros produzidos não parava. O sistema cobria todos os aspectos da produção, desde a entrega das peças na linha de montagem até à facturação dos cheques dos clientes – tudo era parte de um detalhado processo sistemático. Finalmente, a velocidade era a chave essencial a todo o processo: mais velocidade significava maior produção, mais clientes e mais lucro. Era segundo essa regra que Henry Ford vivia.

No entanto Henry Ford não queria todos os lucros para si. Criado numa família muito unida, numa zona rural, sabia dar valor ao trabalho e fazia questão que os outros também lucrassem com o seu sucesso. Os seus trabalhadores eram dos mais bem pagos de Detroit. Em 1914, por exemplo, 10 milhões de dólares do lucro da companhia foram distribuidos pelos trabalhadores.

Também os clientes de Ford vieram tirar partido do lucro da empresa, uma vez que a eficácia da produção do Modelo T permitiu baixar os preços e, em 1925, o automóvel que começou por custar $850 era agora vendido por $260. Nesta altura já haviam sido vendidos 2 milhões de automóveis Modelo T.

O Modelo T – the Tin Lizzie como era chamado – era um carro desconfortável, custava a pegar e, graças à sua pouco usual caixa de duas velocidades por vezes comportava-se de forma inesperada. No entanto, mais de 15 milhões foram vendidos, pondo a América a andar de carro.

Em Dezembro de 1999, competindo com 4 outros automóveis escolhidos pelo público, o Ford Modelo T foi eleito – com uma larga margem de votos – o carro do século.

Ford T (1908-1927)

2900 c.c.

Velocidade máxima: 68 km/h

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