Agressividade Canina

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Quando o cão deixa de ser o melhor amigo do homem…

Muitas têm sido, recentemente, as histórias de ataques de cães a adultos e a crianças. Criadores de um lado, veterinários do outro, não há quem não defenda a sua posição.

A pergunta que anda no ar é, basicamente, esta: serão determinadas raças, por natureza, agressivas ou são os próprios donos e criadores os responsáveis por estes ataques?

As opiniões diferem muito…

O que não nos podemos esquecer é de que o cão já foi, em tempos, um animal selvagem que vivia em matilhas e que caçava para se alimentar. E foi, graças à vontade do Homem, que as diferentes raças foram sendo “moldadas” de acordo com as suas necessidades…

Os cães de luta foram seleccionados, exactamente, para atacarem de forma rápida, inesperada e para responderem ao menor dos estímulos.

Já os cães de guarda foram treinados para manifestarem a sua agressividade, não deixando que estranhos se aproximem dos locais ou pessoas que defendem.

Também podemos falar dos cães de caça, de pastoreio, de companhia ou dos cães que ajudam a guiar os cegos. A lista não tem fim… Mas estes milhares de anos de evolução que não podem ser apagados de um dia para o outro… Por mais que o Homem tente controlar a situação, a verdade é que existe sempre algo que foge das suas mãos.

A agressividade é um desses casos. Dentro de que contextos se pode manifestar?

Destacamos seis situações…

Lúdico

Saltar, morder, perseguir… Todos nós já assistimos a cenas deste tipo. Elas podem-nos parecer por vezes crueis, mas a verdade é que é assim que os cães mais novos brincam uns com os outros.

Este tipo de jogos ajudam os filhotes a prepararem-se para futuros encontros que, por sua vez, vão determinar a sua dominância ou a sua submissão.

Social

Tal como o Homem, também os animais têm o sentido da hierarquia social. Neste caso, os cães também estabelecem diferentes laços hierárquicos (de dominância ou de submissão) com a pessoa ou família a que pertencem. Assim, convém ser o proprietário a ditar as regras, a adoptar um lugar hierarquicamente superior ao do animal. E isto porque é a partir da sua atitude que o cão consegue definir a sua posição social dentro da relação.

Claro que existem raças, ou mesmo cães, que manifestam maior tendência para serem eles a dominar a situação. Estes sinais podem ser visíveis desde a sua infância e podem passar por:

perseguir os filhotes na ninhada;

ficar de pé sobre o companheiro ou andar em círculos à sua volta;

apoiar as patas da frente no dorso do companheiro;

empurrar com o ombro ou coxa;

urinar sobre um outro cão ou pessoa;

rosnar, beliscar e morder;

esconder comida ou brinquedos;

impedir acesso ou passagem;

ficar acima da pessoa.

Estas são apenas atitudes que podem ser, ou não, indicadoras de dominância. Hoje já existem alguns testes capazes de responder, com maior exactidão, a esta pergunta.

Territorial

Cada animal tem o seu próprio espaço, o qual chega a defender com unhas e dentes quando se vê ameaçado. A ideia de território varia muito, de acordo com as circunstâncias: pode ser a zona da casa onde dorme, bem como um recanto do jardim onde passeia.

Predatório

Como animal omnívoro, o cão encontra o seu alimento caçando. Ora, para sobreviver, a luta e a agressividade são fundamentais.

Assim o dita a lei da natureza…

Para caçar, o animal adopta uma série de comportamentos: perseguição, ataque e mordedura. Tudo termina quando a presa já está completamente subjugada ou quando o estímulo deixa de ser suficientemente forte.

O ataque é iniciado sem qualquer aviso, sendo dirigido a tudo o que possa provocar este comportamento – por exemplo, pessoas e objectos em movimento. Assim, lembre-se que todo o cão é um potencial caçador. Este comportamento varia com a raça, com o temperamento individual e com a maneira como foi criado.

Defesa pessoal

Todos nós temos tendência para nos defendermos, de uma maneira ou de outra, de eventuais ameaças. Também os cães sentem essa necessidade face ao medo, à dor ou à necessidade de posse.

O grau de agressividade pode ser controlado através de um condicionamento adequado.

Instinto maternal

Como o próprio nome indica, as fêmeas lactantes sabem como e quando proteger a sua ninhada.

Existem, então, uma série de estímulos que podem desencadear uma agressão por parte de um cão. Vejamos alguns exemplos:

aborrecer o animal (acordar, empurrá-lo, etc.);

aproximar-se da comida, da pessoa favorita, do seu espaço territorial;

colocar ou tirar a guia;

repreender física e/ou verbalmente;

ficar de pé ao lado ou sobre o cão;

encontro em passagens estreitas;

encarar o animal de frente.

Como reagir?

Convém estar atento a todos os sinais que o cão transmite – alguns deles são posturas clássicas que nos indicam que o ataque está eminente.

Exemplos?

Mostrar os dentes, pêlo eriçado, abanar apenas a ponta da cauda, orelhas erectas e contacto visual prolongado.

O proprietário de um cão deve, antes de tudo, identificar as situações que podem estar na origem de eventuais ataques. De seguida, é importante modificar atitudes incitatórias e dessensibilizar o animal através de uma aprendizagem adequada.

Esse condicionamento pode passar pelo treino para a obediência, pela inversão da dominância e por um contacto mais estreito com o dono. Existem, hoje em dia, outros processos como o recurso à castração (quando ainda muito novos) ou a vários tipos de fármacos.

Ser dono de um cão não implica, simplesmente, levar o animal até à rua ou dar-lhe de comer. Cada proprietário deve ter consciência de que o cão, tal como qualquer outro animal, é capaz de ser agressivo.

Manter uma vigilância contínua é fundamental para se evitarem situações mais graves, como a recente onda de ataques.

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