Ballet Gulbenkian estreia Charmes em Barcelona
De 26 a 30 de Setembro em Barcelona, e entre 3 e 5 de Outubro em Valência, o Ballet Gulbenkian apresenta em estreia mundial uma coreografia do catalão Cesc Gelabert, a par de outras duas criações da Companhia, ambas merecedoras de indiscutível agrado por parte do público.
O Ballet Gulbenkian inicia no próximo dia 26 de Setembro uma série de seis espectáculos no Gran Teatro del Liceu em Barcelona, uma das principais salas espanholas, com uma notável programação de música e dança. Depois de um incêndio ocorrido em 1994, o Gran Teatre del Liceu foi reconstruído mantendo as zonas não afectadas, e construindo de raiz um edifício novo, dotado com um palco equipado com a mais moderna tecnologia.
Prolongar-se-ão até 30 de Setembro as actuações do Ballet Gulbenkian em Barcelona. Daí viajará para Valência onde se apresentará nos dias 3, 4 e 5 de Outubro, no Teatro Principal daquela cidade na costa leste espanhola.
Em termos de repertório, o grande destaque vai para Charmes, coreografia do catalão Cesc Gelabert, criada especialmente para ser estreada a nível mundial no Gran Teatre del Liceu. Gelabert desenvolveu a obra a partir de algumas peças para piano - serão interpretadas ao vivo pela pianista Bárbara Dória - de Frederic Mompou, compositor catalão que as criou quando viveu em Paris, no período entre as duas guerras mundiais.
A obra situa-se num espaço imaginário, um lugar fora do quotidiano, em que o tempo parece parar e onde os pequenos detalhes tomam sentido. A ele vão chegando os bailarinos atraídos pela música e pelo mistério próprio do lugar. O movimento dos bailarinos, desenhado sobre as características dos intérpretes, é tratado como um reflexo abstracto de diversas personagens, como qualidades de movimento que se combinam com alegria e tristeza, mas com a claridade de uma observação sincera sobre si mesmo. De acordo com as palavras de Gelabert, "Com uma nostalgia tranquila e serena entre o passado e o futuro."
Para iniciar cada espectáculo, Iracity Cardoso, Directora Artística do Ballet Gulbenkian, escolheu See blue through de Didy Veldman. Uma peça criada para o Ballet Gulbenkian em Janeiro de 2001 sobre a Sonata para violino e orquestra de câmara de Alfred Schnittke. Um mergulho pelas simetrias da vida aquática e das nossas próprias vidas de seres humanos. Inspirado no mundo que existe para além da aparência das coisas, See blue through tem a água como elemento dominante. Para a coreógrafa a "água como símbolo de emoções ou transportadora de vida aborda todos os tipos de vidas que têm lugar debaixo de água sem que a maior parte de nós tenha consciência da sua existência". Alguns espelhos constituem os elementos cénicos desta obra, transmitindo o efeito de reflexo que o mar - essa vasta imensidão de água -, dependendo da luz, nos pode proporcionar à superfície.
Cada actuação nos palcos espanhóis culminará com a apresentação de Cantata. Coreografado para o Ballet Gulbenkian em Junho de 2001, por Mauro Bigonzetti, Cantata terá a presença em palco das cantoras italianas do grupo AS.SUR.D, facto que valorizará um dos maiores êxitos do mais recente repertório do Ballet Gulbenkian. Cantata é uma ode à mulher, à vida e ao amor. Pelo palco passam imagens de faina em qualquer terreno luso ou italiano, ouvem-se canções populares italianas, respira-se o clima que pode ser vivido numa povoação de Itália ou Portugal, países com culturas ancestrais que revelam entre si inúmeras afinidades. Cantata é uma coreografia em que a emoção toca a plateia e apela aos sentidos.
José Luís Figueira
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