Quando
a realidade ultrapassa a ficção, e essa mesma realidade é chocante e
avassaladora, não restam muitas opções: é urgente alterá-la. É este o objectivo
da Direcção Geral de Viação e da Prevenção Rodoviária Portuguesa com a
estratégia a implementar desde o dia 5 de Dezembro e até ao final de 2002.
O
apelo à mudança é feito através de uma campanha que elegeu a própria realidade
como eixo de comunicação e que traz à televisão, à rádio e aos suportes
exteriores, o testemunho de pessoas que, em consequência de um acidente de viação,
tiveram de reaprender a viver.
Um
testemunho que permite dar um rosto aos números muitas vezes divulgados, os
quais, embora apresentem um decréscimo significativo na última década,
continuam a fazer de Portugal o terceiro país da União Europeia com maior taxa
de mortalidade nas estradas.
Para
alterar esta realidade, com a campanha que a Direcção Geral de Viação (DGV) e a
Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) realizaram, pretendem concretizar a sua
estratégia, lançando um repto a todos os condutores: que vejam os exemplos
patentes nas peças publicitárias e tomem consciência de que basta uma pequena
infracção, distracção, ou excesso, para transformar para sempre as suas vidas.
A
campanha “Podia ser Eu” foi desenvolvida pela BBDO Portugal, agência de publicidade
seleccionada através de concurso para gerir a conta da PRP, e é composta por 12
filmes de televisão, 12 spots de rádio – um para cada mês do ano - e diversas
peças para publicidade exterior (8x3, mupis, autocarros, cartazes).
Segundo
Filipa Robalo, Account Director da BBDO, “inconscientemente, os condutores
fazem tudo o que está ao seu alcance para não se relacionar com o assunto
sinistralidade e tendem a considerar que este é um problema que só acontece aos
outros. Por isso, pareceu-nos essencial desenvolver uma campanha capaz de criar
impacto às pessoas, tentando minimizar o problema de falta de identificação. No
fundo, gostaríamos que cada um pensasse ‘Podia ser eu’.
Perante
uma realidade tão chocante e avassaladora, a BBDO não necessitou de inventar
nenhum outro argumento de persuasão. Por isso, escolheu Teresa Sousa, Helder
Mestre e Henrique Figueiras, vítimas reais de acidentes que, nestas peças
publicitárias, não precisam sequer de representar para demonstrar as
consequências da sinistralidade.
Sentado
numa cadeira de rodas, um jovem tetraplégico abotoa a camisa. A tarefa pode
parecer elementar mas, após o acidente de que foi vítima, todos os gestos que
antes eram simples automatismos foram convertidos em desafios sem paralelo,
exigindo um esforço de concentração e coordenação doloroso e frustrante.
O
clarim da campanha ‘Quanto mais depressa mais devagar’ refere-se à mesma
realidade que vemos nas imagens e o conceito de velocidade não foi eleito
apenas pelo facto de esta ser a principal causa de acidentes com vítimas em
Portugal, mas especialmente pelo contraste violento com a realidade quotidiana
das vítimas, nomeadamente dos paraplégicos e tetraplégicos que vemos na
campanha. O claim mantém-se ao longo de toda a campanha, mas a velocidade é
apenas um dos temas focados, após o qual estarão em destaque a ultrapassagem,
os peões e o álcool, entre outros.
Além
da campanha publicitária, serão desenvolvidas várias acções de relações
públicas, entre as quais se destaca um road
show pelas universidades, e por algumas escolas secundárias de Norte a Sul
do país. Denominada ‘Brigadas quanto mais depressa mais devagar’, a acção vai
levar até aos estudantes um grupo de sensibilização, do qual fará parte um
tetraplégico vítima de acidente de viação, que partilhará a sua história de
vida, alertando para a questão da sinistralidade.
Na
área das relações públicas, a desenvolver pela Sanchis Comunicação, destacam-se
ainda acções junto de escolas de condução. Mas, a verdade é que a cada dia
existem em média 150 novas vítimas de acidentes de viação e, segundo dados
provisórios disponibilizados pela DGV, apenas na semana de 12 a 18 de Novembro,
o número de vítimas foi de 1213, entre as quais 57 mortos e 108 feridos graves.
Desde
o início do presente ano e até ao dia 18 de Novembro, o número de vítimas de
acidentes de viação elevou-se a mais de 51 mil, dos quais 1278 mortos e 5209
feridos graves. Embora os números sejam reveladores, o total de acidentados
diminuiu 7% face ao mesmo período de 2000. Substancial é o decréscimo de
vítimas registado na última década no que diz respeito a feridos graves - menos
43,8% - e a mortos - menos 31,3% -
resultantes de acidentes de viação.
Ainda
que tenham já conseguido melhorias significativas, a DGV e a PRP querem
catalisar a diminuição dos números negros das estradas portuguesas para que
diminua a sinistralidade rodoviária. Só desta forma, ela deixará de ser a
principal causa de invalidez - tetraplégias, paraplégias, amputações, etc. - e
de morte na faixa etária entre os 1 e os 34 anos - 702 indivíduos/ano, mais do
que os dizimados anualmente pela SIDA (510) ou pelo cancro (365).
A
condução em velocidade excessiva para as condições do local e a condução sob o
efeito do álcool são dois dos factores que mais influenciam de forma negativa a
sinistralidade em Portugal. Nas auto-estradas, 54% dos veículos circula acima
do limite de velocidade; nas estradas interurbanas a percentagem de veículos em
excesso de velocidade atinge os 83%, 72% e 59% consoante se trata de vias de
faixa única que atravessam povoações, vias de faixa única com acessos
condicionados e com acessos não condicionados, respectivamente.
O
álcool é outra das principais causas de acidentes com vítimas, uma vez que mais
de 40% dos condutores mortos circulavam com álcool no sangue; 27% dos
condutores mortos circulavam com uma taxa de alcoolemia igual ou superior a 0,5
g/l e que 19,7% apresentava mesmo uma taxa igual ou superior a 1,2, valor que é
já considerado crime. A colisão é o tipo de acidente com vítimas mais frequente
(cerca de 59%), embora sejam os despistes (23,9%) que apresentem maior índice
de gravidade para as vítimas, provocando 33,7% de mortos e 27% de feridos
graves.
Face
a estes números, que não deixam margem para dúvidas, é urgente mudar a
realidade e este é o grande objectivo estratégico da Direcção Geral de Viação e
da Prevenção Rodoviária Portuguesa para 2002.













NAMORO A QUASE 3 ANOS E SEMPRE QUE TENHO RELAÇÃO SEXUAL COM MEU NAMORADO,DEPOIS DA RELAÇÃO OU NO ...
a melhor coisa é vc voltar no seu ginecologista .
adoro este livro, ajudou-me imenso na faculdade. será que me podiam enviar o doc para impressao? ...