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Sexta, 10 de Fevereiro
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Campanha para mudar Comportamento dos Condutores

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A Direcção Geral de Viação e a PrevençãoRodoviária Portuguesa querem mudar o comportamentos dos condutores. A realidadeé o eixo desta campanha ‘Quanto mais depressa mais devagar’.

Quando a realidade ultrapassa a ficção, e essa mesma realidade é chocante e avassaladora, não restam muitas opções: é urgente alterá-la. É este o objectivo da Direcção Geral de Viação e da Prevenção Rodoviária Portuguesa com a estratégia a implementar desde o dia 5 de Dezembro e até ao final de 2002.

O apelo à mudança é feito através de uma campanha que elegeu a própria realidade como eixo de comunicação e que traz à televisão, à rádio e aos suportes exteriores, o testemunho de pessoas que, em consequência de um acidente de viação, tiveram de reaprender a viver.

Um testemunho que permite dar um rosto aos números muitas vezes divulgados, os quais, embora apresentem um decréscimo significativo na última década, continuam a fazer de Portugal o terceiro país da União Europeia com maior taxa de mortalidade nas estradas.

Para alterar esta realidade, com a campanha que a Direcção Geral de Viação (DGV) e a Prevenção Rodoviária Portuguesa (PRP) realizaram, pretendem concretizar a sua estratégia, lançando um repto a todos os condutores: que vejam os exemplos patentes nas peças publicitárias e tomem consciência de que basta uma pequena infracção, distracção, ou excesso, para transformar para sempre as suas vidas.

A campanha “Podia ser Eu” foi desenvolvida pela BBDO Portugal, agência de publicidade seleccionada através de concurso para gerir a conta da PRP, e é composta por 12 filmes de televisão, 12 spots de rádio – um para cada mês do ano - e diversas peças para publicidade exterior (8x3, mupis, autocarros, cartazes).

Segundo Filipa Robalo, Account Director da BBDO, “inconscientemente, os condutores fazem tudo o que está ao seu alcance para não se relacionar com o assunto sinistralidade e tendem a considerar que este é um problema que só acontece aos outros. Por isso, pareceu-nos essencial desenvolver uma campanha capaz de criar impacto às pessoas, tentando minimizar o problema de falta de identificação. No fundo, gostaríamos que cada um pensasse ‘Podia ser eu’.

Perante uma realidade tão chocante e avassaladora, a BBDO não necessitou de inventar nenhum outro argumento de persuasão. Por isso, escolheu Teresa Sousa, Helder Mestre e Henrique Figueiras, vítimas reais de acidentes que, nestas peças publicitárias, não precisam sequer de representar para demonstrar as consequências da sinistralidade.

Sentado numa cadeira de rodas, um jovem tetraplégico abotoa a camisa. A tarefa pode parecer elementar mas, após o acidente de que foi vítima, todos os gestos que antes eram simples automatismos foram convertidos em desafios sem paralelo, exigindo um esforço de concentração e coordenação doloroso e frustrante.

O clarim da campanha ‘Quanto mais depressa mais devagar’ refere-se à mesma realidade que vemos nas imagens e o conceito de velocidade não foi eleito apenas pelo facto de esta ser a principal causa de acidentes com vítimas em Portugal, mas especialmente pelo contraste violento com a realidade quotidiana das vítimas, nomeadamente dos paraplégicos e tetraplégicos que vemos na campanha. O claim mantém-se ao longo de toda a campanha, mas a velocidade é apenas um dos temas focados, após o qual estarão em destaque a ultrapassagem, os peões e o álcool, entre outros.

Além da campanha publicitária, serão desenvolvidas várias acções de relações públicas, entre as quais se destaca um road show pelas universidades, e por algumas escolas secundárias de Norte a Sul do país. Denominada ‘Brigadas quanto mais depressa mais devagar’, a acção vai levar até aos estudantes um grupo de sensibilização, do qual fará parte um tetraplégico vítima de acidente de viação, que partilhará a sua história de vida, alertando para a questão da sinistralidade.

Na área das relações públicas, a desenvolver pela Sanchis Comunicação, destacam-se ainda acções junto de escolas de condução. Mas, a verdade é que a cada dia existem em média 150 novas vítimas de acidentes de viação e, segundo dados provisórios disponibilizados pela DGV, apenas na semana de 12 a 18 de Novembro, o número de vítimas foi de 1213, entre as quais 57 mortos e 108 feridos graves.

Desde o início do presente ano e até ao dia 18 de Novembro, o número de vítimas de acidentes de viação elevou-se a mais de 51 mil, dos quais 1278 mortos e 5209 feridos graves. Embora os números sejam reveladores, o total de acidentados diminuiu 7% face ao mesmo período de 2000. Substancial é o decréscimo de vítimas registado na última década no que diz respeito a feridos graves - menos 43,8% - e a mortos - menos 31,3% - resultantes de acidentes de viação.

Ainda que tenham já conseguido melhorias significativas, a DGV e a PRP querem catalisar a diminuição dos números negros das estradas portuguesas para que diminua a sinistralidade rodoviária. Só desta forma, ela deixará de ser a principal causa de invalidez - tetraplégias, paraplégias, amputações, etc. - e de morte na faixa etária entre os 1 e os 34 anos - 702 indivíduos/ano, mais do que os dizimados anualmente pela SIDA (510) ou pelo cancro (365).

A condução em velocidade excessiva para as condições do local e a condução sob o efeito do álcool são dois dos factores que mais influenciam de forma negativa a sinistralidade em Portugal. Nas auto-estradas, 54% dos veículos circula acima do limite de velocidade; nas estradas interurbanas a percentagem de veículos em excesso de velocidade atinge os 83%, 72% e 59% consoante se trata de vias de faixa única que atravessam povoações, vias de faixa única com acessos condicionados e com acessos não condicionados, respectivamente.

O álcool é outra das principais causas de acidentes com vítimas, uma vez que mais de 40% dos condutores mortos circulavam com álcool no sangue; 27% dos condutores mortos circulavam com uma taxa de alcoolemia igual ou superior a 0,5 g/l e que 19,7% apresentava mesmo uma taxa igual ou superior a 1,2, valor que é já considerado crime. A colisão é o tipo de acidente com vítimas mais frequente (cerca de 59%), embora sejam os despistes (23,9%) que apresentem maior índice de gravidade para as vítimas, provocando 33,7% de mortos e 27% de feridos graves.

Face a estes números, que não deixam margem para dúvidas, é urgente mudar a realidade e este é o grande objectivo estratégico da Direcção Geral de Viação e da Prevenção Rodoviária Portuguesa para 2002.



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