Otites nas crianças: sintomas e tratamento

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Sabia que durante a infância, em média, uma em cada cinco crianças já sofreu de seis ou mais otites? É verdade, as otites são muito frequentes durante os primeiros anos de vida. Com elas trazem dores, febres e noites muito mal dormidas. Um verdadeiro tormento…Mas o que é uma otite?

A palavra “otite” é um termo técnico, usado pelos médicos, para indicar a existência de uma inflamação ou de uma inflamação acompanhada de uma infecção no ouvido.

Os tipos de Otites nas crianças:

De acordo com a sua duração e com a área atingida, os médicos classificam as otites em:

  • Média – mais frequente no Inverno, este tipo de otite atinge o ouvido médio;
  • Externa – afecta o ouvido externo e é típica do período de Verão;
  • Aguda – dura menos de três semanas e é infecciosa;
  • Recorrente – a otite repete-se três vezes durante um período de seis meses;
  • Supurada – o pus atinge o ouvido médio e perfura o tímpano;
  • Serosa – o ouvido médio enche-se de um líquido branco e translúcido;
  • Catarral – não é acompanhada de supuração.

Detectar uma otite nem sempre é fácil, principalmente quando falamos de bebés e de crianças. Os sinais não são sempre evidentes e é preciso estar bem atento – a febre, por exemplo, pode não surgir em todos os casos. Apatia, irritação, noites mal dormidas e falta de apetite podem indicar, mas nem sempre, a existência de uma otite.

Algumas pistas, no entanto, são decisivas: quando a criança sacode a cabeça, toca no ouvido afectado ou quando se deita sobre o lado doente. No caso de uma otite purulenta, o líquido tende a forçar o tímpano e a sair para o exterior.

Sintomas das otites nas crianças

Mas como é que tudo se passa? As otites mais habituais têm como origem a inflamação da amígdala faríngica (adenóides, em termos médicos) o que, por sua vez, dificulta a ventilação do ouvido médio. Mucosidades reúnem-se, então, por detrás do tímpano e ficam aí retidas, impedindo a necessária compensação entre a pressão exterior e interior. Resultado final: uma sensação de entupimento no ouvido.

Mas há mais… Infecções na boca, no nariz ou na garganta (resfriado ou anginas, por exemplo) também podem ter culpas no cartório. Porquê?

Os agentes patogénicos que estão na sua origem passam, com certa facilidade, para o ouvido através da trompa de Eustáquio. Esta não é mais do que um canal estreito, cuja principal função é garantir a ventilação do ouvido médio.

E é aqui que se explica a maior sensibilidade por parte das crianças – estas têm a trompa de Eustáquio mais curta, mais larga e direita do que os adultos, o que facilita o trabalho aos vírus e bactérias.

E, segundo parece, algumas crianças são mais propensas às otites do que outras: filhos de fumadores, crianças que desde cedo frequentam as escolas infantis ou aquelas que são criadas a biberão.

Outras complicações que vêm com as otites

Médico ou não, eis a questão? Tão comum, uma otite exige uma ida ao médico? Sem dúvidas que sim… As otites podem trazer consigo outro tipo de complicações como a má audição, o que pode durar semanas, ou mesmo a inflamação da mastóide, um osso situado por detrás do pavilhão auricular.

O perigo desta inflamação é que pode estender-se às meninges e provocar uma meningite. Assim, em casa, a única coisa que está ao nosso alcance é o tentar aliviar as dores.

Como aliviar os sintomas das Otites

Neste caso, a solução ideal é aplicar uma fonte de calor seco – um saco de água quente, panos aquecidos ou um cobertor eléctrico. Pode-se, ainda, recorrer a analgésicos. Mas lembre-se: não use os medicamentos dos adultos, salvo se o pediatra assim o recomendar.

Aplicar gotas nasais descongestionantes também é fundamental – elas ajudam a melhorar a ventilação do ouvido médio. As gotas devem ser colocadas em cada orifício do nariz e, de preferência, antes das refeições.

Cinco minutos depois, a criança deve beber um gole de água para libertar a pressão no ouvido médio. Caso as gotas descongestionantes lhe faltem, pode optar por um remédio mais caseiro: dissolva 9 gramas de sal num litro de água fervida e morna.

Importante é ainda ter sempre à mão uma pêra de borracha (à venda nas farmácias), que ajuda a retirar as excreções. Mas, como já foi dito, todos estes cuidados não dispensam uma visita ao médico…

Só este pode identificar qual o tipo de otite e qual o tratamento e antibiótico mais indicado. Mesmo que a criança apresente melhoras, nunca se deve interromper o tratamento. Caso contrário, corre-se o risco das bactérias voltarem-se a multiplicar e de haver uma recaída.

Perfurar o tímpano aparece só como último recurso, quando todos os outros tratamentos se mostraram ineficazes. O que se pretende com esta operação é drenar o ouvido, permitindo com que o pus saia e as dores diminuam.

A perfuração do tímpano é, especialmente, indicada para crianças com otites de repetição ou que sofram de mucosidade crónica. Existe uma situação em que uma intervenção cirúrgica é essencial: falamos dos casos em que é uma vegetação hipertrofiada é a causa da deficiente ventilação. Neste caso, a operação tem o nome de adenoidectomia e é uma intervenção corrente, que traz poucas complicações.

Prevenção das Otites nas crianças

Mas não há nada que se possa fazer para evitar este tipo de situações?

Proteger as crianças do frio, submetê-las a pequenas oscilações de temperatura e levá-las a passear ou a brincar ao ar livre podem ser algumas dicas. A tradicional ideia de colocar algodão nos ouvidos não resulta: os médicos sabem que os germes entram pela boca ou nariz e, só depois, é que atingem os ouvidos.

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